A cartilha de times da estatura do Bournemouth indica claramente: contra o Liverpool, l0ta as linhas de defesa e meio de campo e tenta explorar os erros adversários para puxar contra-ataques. Os Cherries fizeram isso com muita qualidade, mas não foi suficiente para impedir a vitória por 2 a 1, de virada, dos Reds, pela Premier League, a primeira depois de derrotas seguidas para Watford e Chelsea, esta pela Copa da Inglaterra.

Depois de cerca de 20 minutos equilibrados entre as duas equipes, o Liverpool dominou completamente o encontro. Para o azar dos Reds, no entanto, o Bournemouth foi bastante efetivo neste princípio de partida.

Aos nove minutos, em contra-ataque lançado por Ryan Fraser, Callum Wilson aproveitou vacilo de Joe Gomez, deslocou o zagueiro com sua força, abriu com Billing e se posicionou bem na área. O dinamarquês então passou para Lerma, em ultrapassagem, e o colombiano tocou rasteiro para encontrar Wilson sozinho. O inglês então não perdoou e abriu o placar.

Aos 14, o Bournemouth ainda chegou perto do 2 a 0. Em cobrança de escanteio, Nathan Aké subiu sozinho, cabeceou com força, e Adrián defendeu antes de ver a bola acertar o travessão.

Passados esses sustos, o Liverpool entrou com mais intensidade na partida. Alexander-Arnold acertou lindo lançamento para Firmino, mas Ramsdale impediu o gol do brasileiro com bela defesa à queima-roupa. Minutos depois, foi a vez dos Reds aproveitarem um vacilo do adversário.

Jack Simpson tentou sair com a bola da defesa e perdeu a posse para Sadio Mané. O senegalês então serviu Mohamed Salah, que bateu com qualidade, entre o goleiro e a trave esquerda, para empatar aos 25 minutos.

Em outra subida desleixada do Bournemouth, com passes forçados no meio de campo, o Liverpool retomou a bola, e Van Dijk encontrou Mané sozinho com um passe em profundidade. O senegalês então decidiu ele próprio, batendo na saída de Ramsdale para fazer 2 a 1 aos 33 da primeira etapa.

Com o jogo completamente sob controle, o Liverpool chegou perto de marcar o terceiro ainda no primeiro tempo. Salah fez um lançamento primoroso para Milner, e o veterano acertou bom voleio dentro da área, mas sem força suficiente para bater Ramsdale, que segurou.

Na segunda etapa, o Liverpool intensificou ainda mais seu controle da bola. Se no primeiro tempo havia tido 71% de posse, no segundo teve 77%. Mas isso não impediu o Bournemouth de causar perigo pontualmente. Como aos 15 minutos, quando Fraser encobriu Adrián e viu seu gol ser evitado por uma interceptação fantástica de Milner, que correu como podia e se atirou na bola para mandá-la para escanteio, quase em cima da linha.

Sadio Mané, aos 29 do segundo tempo, quase acrescentou mais um gol à sua boa atuação. De longe e de primeira, acertou um foguete com curva e atingiu o travessão de Ramsdale, já batido no lance. Na reta final, Wilson desperdiçou ótima chance, na cara do gol, embora o assistente tenha assinalado impedimento incorreto. E Firmino, por fim, também perdeu boa chance nos acréscimos. Mas, a essa altura, o resultado não estava mais sob risco.

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Depois de três derrotas nos últimos quatro jogos, entre partidas de Champions League, Premier League e Copa da Inglaterra, o Liverpool comemora o resultado positivo, mas o desempenho não é motivo para muita celebração. Perto do confronto de volta contra o Atlético de Madrid pela Liga dos Campeões, em que precisa reverter uma derrota por 1 a 0, demonstrou dificuldade em criar oportunidades de qualidade contra uma equipe que se fecha muito – exatamente o que devemos ver Simeone fazer em Anfield na quarta-feira, 11.

Ao Bournemouth, a avaliação pode ser a contrária: ainda que tenha saído com a derrota, bastante prejudicial na briga contra o rebaixamento, a execução do plano de jogo foi muito boa, e sair de Anfield com um empate não teria sido acidente algum. O desafio nas nove rodadas que lhe restam será encontrar o mesmo tipo de acerto quando outros sistemas de jogo forem necessários, e não apenas o momento de transição ofensiva em contra-ataques rápidos.