Há vários fios da meada para contar a história de um grande jogo. Nesta terça, em Dean Court, dezenas deles. Mas um se sobrepõe a todos os outros, porque consegue amarrá-los de uma só maneira: a Premier League viveu uma de suas partidas mais espetaculares da temporada. Mal deu para respirar, diante de tudo o que aconteceu no duelo entre Bournemouth e Arsenal. Os anfitriões faziam uma partidaça e abriram uma vantagem de três gols, naquela que parecia uma vitória inapelável. Mas foram recuando e também sofreram com a arbitragem. Terminaram cedendo o empate por 3 a 3 aos Gunners, que não desistiram em um momento sequer. Que, outra vez, contaram com a estrela de Olivier Giroud para decidir.

O Bournemouth se mostrava pronto a conquistar sua vitória mais emblemática desde que chegou à Premier League, na temporada passada – até mais que o insano 4 a 3 contra o Liverpool em dezembro. Afinal, os rubro-negros demarcaram o seu território desde os primeiros minutos. Propunham o jogo tanto quanto o Arsenal, independente das características da equipe de Arsène Wenger, prezando pela posse de bola. Eram muito mais vorazes no ataque. E, em 21 minutos, já venciam por dois gols de vantagem. Charlie Daniels abriu a conta com um belo gol, após receber completamente livre o cruzamento de Junior Stanislas. Já na sequência, Callum Wilson ampliou cobrando pênalti.

O Arsenal estava completamente fora dos eixos. Mal chegava à meta adversária e, quando conseguia, não levava perigo. Os erros nas finalizações, inclusive, fizeram Alexis Sánchez dar uma bronca em Aaron Ramsey. A segurança do Bournemouth em seu jogo era enorme, especialmente pela maneira como ocupava os espaços e mantinha o controle sobre as ações.

E coube mais no segundo tempo. O Bournemouth voltou martelando nos 15 primeiros minutos. Teve um gol anulado por razões discutíveis, embora também tenha marcado um gol discutível logo na sequência. O árbitro deixou passar um lance no qual os londrinos pediram falta e Ryan Fraser ampliou. Diante da situação desconfortável, Wenger tentou encorpar seu ataque com a entrada de Lucas Pérez. Enquanto isso, Eddie Howe ocupou seu meio de campo com jogadores com características mais defensivas.

Já a sorte do Arsenal mudaria a partir dos 25 minutos. Alexis Sánchez reavivou as esperanças aproveitando o desvio de cabeça de Giroud. Cinco minutos depois, o francês participaria também do segundo, levantando para o chutaço de Lucas Pérez. E, pouco depois de desperdiçar a melhor chance do quarto, com Dan Gosling batendo para fora, o Bournemouth viu sua casa ruir. Como de praxe nas últimas rodadas, o árbitro deu um cartão vermelho direto bastante rigoroso, após entrada de Simon Francis. Ofereceu o empate necessário para o empate dos Gunners.

Diante da pressão, o terceiro gol do Arsenal saiu nos acréscimos. E outra vez graças a ele, Giroud, que já tinha anotado tentos importantes contra West Brom e Crystal Palace. Granit Xhaka cruzou e o francês conseguiu dar um leve desvio de cabeça, o suficiente para tirar do alcance de Artur Boruc. Restavam ainda mais quatro minutos. O Bournemouth não desistiu, forçando ainda uma grande defesa de Petr Cech. Mas, em efeito inverso ao que acontecera contra o Liverpool, provou o gosto amargo de tomar três gols nos instantes finais.

O Arsenal se mantêm no Top Four, mas o saldo final nesta virada de ano não é bom, com sete pontos conquistados nas últimas cinco partidas. Não fosse Giroud, seria pior. Tottenham e Manchester United aparecem a dois pontos de distância. Já o Bournemouth, em sua honrosa campanha, assume a nona colocação. Poderia ter melhor sorte nesta terça, caso não recuasse tanto. Mas também tem sua parcela de razão ao reclamar do árbitro. De qualquer maneira, proporcionou minutos para os seus torcedores se encherem de orgulho. E, ainda que o resultado final não tenha sido dos melhores, outra vez, uma das melhores partidas da Premier League.