A saga do Botafogo em 2017 continua ganhando novos capítulos brilhantes. A noite de quarta-feira foi mais uma vez de felicidade aos botafoguenses. O estádio Nílton Santos ganhou mais uma vez a empolgação dos torcedores que viram o Botafogo ter uma proposta clara. A vitória por 3 a 0 sobre o Atlético Mineiro não foi por acaso. O time mostrou uma proposta clara e aproveitou um Atlético Mineiro cheio de problemas para arrancar uma classificação vibrante.

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As atuações do Botafogo foram, mais uma vez, cintilantes. Roger fez uma partidaça, um dos melhores em campo; João Paulo exerceu mais uma vez o papel de um grande meio-campista articulador no time, lembrando o bom papel que fazia no Santa Cruz; Bruno Silva manteve o alto nível das suas atuações tanto defensiva quanto ofensivamente. Estes foram os principais destaques de um time que teve uma atuação mais uma vez de muita entrega, muito esforço e muito suor.

O goleiro Jefferson entrou em campo com uma camisa com o nome de Max, goleiro do Botafogo que teve morte cerebral diagnosticada nesta quarta-feira. Ele defendeu o Botafogo entre 2003 e 2005. O Botafogo, aliás, teve que improvisar na lateral direita, com Emerson. No mais, só Gatito Fernández não estava disponível. Arnaldo, que vinha sendo titular na lateral direita, não está inscrito na Copa do Brasil e também está lesionado.

Sem contar com Fred, suspenso pela expulsão no jogo de ida e também machucado, o técnico estreante Rogério Micale escalou um ataque com Cazares, Luan e Robinho. No meio, Adílson, Yago e Elias, este último com um pouco mais de liberdade para se aproximar do ataque.

O início de jogo foi muito corrido. O Botafogo fez uma blitz no ataque, pressionando o Galo para forçar o erro. Tanto que em quatro minutos, o Botafogo conseguiu dois escanteios. O Botafogo precisava de um gol, depois de perder o jogo de ida. E conseguiu o melhor cenário possível: marcou um gol cedo.

Aos cinco minutos, cruzamento de João Paulo em escanteio, a bola sobrou para Bruno Silva, que finalizou. O chute foi ruim, mas acabou sobrando para Joel Carli, que aproveitou e mandou para as redes, abrindo o placar no estádio Nílton Santos.

Com um time cheio de talento, o Atlético Mineiro conseguiu ficar mais com a bola. Não que isso deixasse o Botafogo desconfortável. O time de Jair Ventura parecia exatamente o que fazer quando desarmava e partia para o ataque. Mesmo com menos posse de bola, era quem chegava ao ataque mais fácil.

O Galo tentava cozinhar o Botafogo, tocando a bola e jogando a bola de um lado para outro. Sem sucesso. A marcação do Botafogo era firme, bem posicionada e deixava pouco espaço para o Atlético, que não tinha chances claras. Enquanto isso, a cada bola recuperada pelo Botafogo era um sofrimento para os atleticanos, que viam o contra-ataque bem armado. Tanto que aos sete minutos, Roger lançou Pimpão e quase o camisa 7 conseguiu aproveitar. Ele se enrolou e perdeu. Foram 10 minutos de um Botafogo muito melhor que o Atlético.

Aos poucos, o ritmo diminui e o Botafogo jogou de forma menos corrida, mas ainda fechando os espaços. O Atlético era paciente com a bola, mas faltava finalização. O time não conseguia criar uma boa oportunidade para fazer o goleiro Jefferson trabalhar.

Pouco antes do fim da primeira etapa, mais um gol do Botafogo. Pelo lado esquerdo, onde mais conseguia criar chances, João Paulo recebeu lançamento, se livrou da marcação de Luan e fez bom cruzamento para Roger. O centroavante ganhou da marcação de Gabriel e cabeceou bem para fazer 2 a 0 Festa no Nílton Santos.

Rogério Micale fez duas alterações no time já no intervalo. Tirou Robinho e levou a campo Rafael Moura, colocando uma referência dentro da área. Também colocou Rafael Carioca no lugar de Yago. Uma tentativa de dar mais qualidade na saída de bola.

Só que mesmo com as mudanças, o Botafogo quase chegou ao terceiro gol nos primeiros minutos do segundo tempo. Roger, jogando muita bola, fez boa jogada, tirou da marcação e deu bom passe para Pimpão, mas o atacante finalizou forte, mas Gabriel conseguiu bloquear.  A torcida se empolgou com belos lances de Roger, no meio-campo ao puxar um contra-ataque dando por baixo das pernas do adversário, e João Paulo, que deu um chapéu. Só que o Galo cresceria. Jair tirou Pimpão e colocou Guilherme, jogador veloz, tentando aproveitar contra-ataques.

O Atlético foi se encontrando no jogo aos poucos. Passou a ocupar o campo de ataque. Aos 20 minutos, Marcos Rocha fez lançamento longo para Cazares, que ganhou na velocidade de Victor Luis e ficou cara a cara com Jefferson, mas antes do atleticano pensar, o goleiro botafoguense saiu da área e tocou de cabeça na bola, salvando o time. Victor Luís completou com um cabeceio para tirar a bola da zona de perigo.

Emerson recuou uma bola perigosa para Jefferson, que conseguiu chutar para fora. E não perdeu a chance de cobrar o companheiro pela desatenção. O Galo jogava por um gol para se classificar e ficava rondando a área botafoguense.

Aos 25 minutos, uma boa chance para o Atlético. Cruzamento perigoso da esquerda, que Rafael Moura completou de cabeça para fora. Atrás dele Luan vinha livre para cabecear e tinha muito mais chance demarcar o gol.

A pressão do Galo aumentou. O time ficou ainda mais rápido com a entrada de Otero, que substituiu Luan, cansado. O time tentava usar a sua velocidade para acelerar, mas o Botafogo continuava bem posicionado para tentar impedir. O tempo passava e o Atlético parecia ficar ansioso para resolver e achar o gol que classificaria o time pelo gol fora de casa.

Só que aos 44 minutos, o Botafogo colocou fim ao sofrimento, tanto dos botafoguenses quanto dos atleticanos. Um contra-ataque mortal. Bruno Silva recebeu, tocou para Gilson, que tinha acabado de entrar no lugar de Roger. Ficou de ponta esquerda, mesmo sendo lateral, para ajudar na marcação. Gilson adiantou a bola e finalizou cruzado de esquerda, sem chance para o goleiro Victor: 3 a 0 para o Bota. A essa altura, determinante para a classificação.

O Botafogo vai à semifinal da Copa do Brasil mostrando uma força coletiva enorme. O time de Jair Ventura já mostrou que será um adversário duro para qualquer time. O Atlético Mineiro vinha em má fase, é verdade, e o Botafogo foi copero, como se diz. Mas o time tem mostrado que a sua força é contra qualquer time. Será difícil parar o Glorioso.