A crônica

Mesmo já eliminada, a Bósnia-Herzegovina não seguiu o roteiro que a Inglaterra em sua partida com a Costa Rica. Nesta quarta, os bósnios venceram o Irã por 3 a 1, fazendo seu melhor jogo na Copa do Mundo e ainda contribuindo com o ótimo saldo de gols da Fonte Nova no Mundial. A seleção estreante em Copas teve seu nome gritado pelo público soterapolitano, talvez como um sinal de gratidão pela consideração que os jogadores tiveram com quem pagou ingresso para assistir à partida. Não faltou vontade aos comandados de Safet Susic, e olha que eram os iranianos quem entraram na partida com alguma chance de ficar com uma vaga nas oitavas de final.

O primeiro tempo do jogo foi de um domínio quase absurdo dos bósnios. Aos 35 minutos, a posse de bola da seleção bósnia era de absurdos 70%, mas, diferentemente de muitos jogos que tivemos até agora na Copa, esse controle foi convertido em chances de gol e perigo. Enquanto os iranianos ainda não haviam finalizado no jogo, com exceção de um chute de Reza em posição de impedimento, os bósnios já haviam mandado a bola para o gol de Haghighi em três oportunidades, com uma delas terminando em gol.

Aos 23 minutos da etapa inicial, Miralem Pjanic encontrou Edin Dzeko na intermediária e tocou para o atacante. O jogador do Manchester City então levou a para uma posição central, ajeitando para a perna esquerda e acertou um bonito chute rasteiro, de longe, no canto esquerdo do goleiro iraniano para marcar um bonito gol e inaugurar o placar na Fonte Nova. Nos minutos finais do primeiro tempo, a Bósnia ainda pressionou, com finalizações do lateral direito Vrsajevic, que apoiava bastante o ataque, e Vedad Ibisevic, que fez dupla no ataque com Dzeko. No entanto, as duas equipes foram para intervalo com apenas um gol no placar.

Na volta para o segundo tempo, os iranianos ainda tinham esperança de correr atrás do resultado, contando com uma vitória da Argentina no Beira-Rio simultaneamente, para ficar com a segunda vaga do Grupo F. No entanto, essa busca pelo gol se aplicava apenas na vontade, pois faltava criatividade, e o único recurso buscado pelos comandados de Carlos Queiroz era a bola levantada na área buscando o centroavante Reza Ghoochannejhad.

Logo a “empolgação” iraniana foi brecada por mais um gol da Bósnia-Herzegovina. Aos 14 minutos do segundo tempo, o zagueiro Hosseini errou na saída de bola, e o ataque bósnio fez uma troca de passes rápida, deixando Pjanic na cara do gol para ampliar para 2 a 0. O segundo tento do jogo foi uma ducha de água fria para os iranianos, que nem mesmo em bola aérea ameaçavam mais o goleiro Asmir Begovic. Apesar do abatimento, o time conseguiu deixar o seu na Fonte Nova. Depois de duas tentativas de levantar a bola na área, Nekounam ficou com a sobra pela esquerda e cruzou para Reza, sozinho, chegar completando para o gol.

A “comemoração” iraniana, no entanto, durou muito pouco, e um minuto depois a Bósnia tomou a bola no meio de campo, com Salihovic, que tocou para a direita, por onde avançava Vrsajevic. O lateral direito arrancou com a bola e, com espaço de sobra, bateu para finalizar o placar em 3 a 1.

Com uma rodada de atraso, a Bósnia-Herzegovina conseguiu mostrar um bom futebol, jogando seu jogo e neutralizando o adversário. Pjanic, assim como nas outras partidas, foi o melhor da equipe, que dessa vez jogou junto com ele. A seleção bósnia tinha talentos individuais para fazer uma campanha muito mais interessante, mas, prejudicada pela arbitragem e por sua própria falta de ânimo no segundo tempo contra a Nigéria, está fora do Mundial.

FICHA TÉCNICA

Bósnia-Herzegovina 3×1 Irã

Bósnia-Herzegovina Bosnia escudo

Asmir Begovic; Avdija Vrsajevic, Toni Sunjic, Emir Spahic e Sead Kolasinac; Muhamed Besic, Anel Hadzic (Ognjen Vranjes, 16’/2T),  Tino Susic (Sejad Salihovic, 34’/2T) e Miralem Pjanic; Edin Dzeko e Vedad Ibisevic. Técnico: Safet Susic.

Irã Irã EscudoAlireza Haghighi; Pejman Montazeri, Jalal Hosseini, Amir Sadeqi e Mehrdad Pooladi; Andranik Teymourian, Javad Nekounam, Masoud Shojaei (Khosro Heydari, intervalo), Ehsan Hajsafi (Alireza Jahanbakhsh, 18’/2T) e Ashkan Dejagah (Karim Ansarifard, 23’/2T); Reza Ghoochannejhad. Técnico: Carlos Queiroz.

Local: Fonte Nova, em Salvador

Árbitro: Carlos Velasco Carballo  (ESP)

Gols: Dzeko, 23’/1T, Pjanic, 14’/2T, Reza, 37’/2T, Vrsajevic, 38’/2T

Cartões amarelos: Besic e Ansarifard

Cartões vermelhos: nenhum

O cara

Miralem Pjanic
Pjanic se despediu da Copa com um bom futebol (AP Photo/Marcio Jose Sanchez)
Pjanic se despediu da Copa com um bom futebol (AP Photo/Marcio Jose Sanchez)

Repetiu as boas atuações que fez contra Argentina e Nigéria. Desta vez, no entanto, não jogou sozinho, e sua contribuição deu resultado claro. Pjanic deu a assistência para o primeiro gol do jogo e fez o segundo, deixando a Bósnia confortável no jogo. Movimentou-se muito e foi o principal criador de jogadas ofensivas da equipe. Os gols

23′/1T: GOL DA BÓSNIA-HERZEGOVINA!

Dzeko recebe passe de Pjanic na intermediária e arrisca de longe, rasteiro, e acerta  o canto esquerdo do goleiro para marcar um bonito gol e abrir o placar.

14′/2T: GOL DA BÓSNIA-HERZEGOVINA!

Hosseini erra na saída de bola, a Bósnia toma a bola, troca passes, e Susic ajeita para Pjanic, que domina na área e bate cruzado, na saída de Haghighi, para fazer 2 a 0.

37’/2T: GOL DO IRÃ!

Depois de duas tentativas de cruzamento, um chutão na área vira passe para Nekounam, que cruza para Reza empurrar para o gol.

38′/2T: GOL DA BÓSNIA-HERZEGOVINA!

Salihovic puxa contra-ataque e toca para Vrsajevic, na direita, avançar sozinho pela ponta e chutar cruzado, na saída do goleiro iraniano. A Tática

Escalações iniciais de Bósnia-Herzegovina e Irã
Escalações iniciais de Bósnia-Herzegovina e Irã

Apesar de, no papel, o esquema iraniano parecer mais ofensivo, a Bósnia foi quem propôs mais o jogo. Mesmo sem disputar nada na competição, a Bósnia dominou o meio de campo e a partir daí o jogo. Dzeko foi o atacante mais móvel, saindo para buscar a bola na intermediária, enquanto Ibisevic ficava mais fixo na área. Muito recuada e descompactada, a seleção iraniana deixou Reza Ghoochannejhad isolado no ataque. A Estatística

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O gol de Reza, aos 37 minutos, foi o único da seleção iraniana nesta Copa do Mundo. Apesar de quase surpreender a Argentina com um jogo defensivo muito bom, o ataque ficou deixando muito a dever.