A maior preocupação do Atlético Nacional para a sequência da Libertadores se concentrava sobre as perdas do elenco. Victor Ibarbo voltou a Medellín como principal reforço ao torneio continental e fez boas partidas nas etapas anteriores, mas, diante do fim de seu empréstimo e da venda ao Panathinaikos, não pôde ficar. Sua lacuna, no entanto, acabou preenchida da melhor maneira possível. Os verdolagas trabalharam para trazer Miguel Borja, artilheiro do último torneio Apertura, pelo Cortuluá. Aposta certeira: o centroavante de 23 anos marcou os dois gols na vitória sobre o São Paulo no Morumbi. Já desponta como um dos protagonistas dos colombianos nos momentos decisivos da competição.

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Os gols de Borja nasceram de seu oportunismo e das boas tramas coletivas de sua equipe. A partir das ótimas trocas de passes, sempre bem servido por Marlos Moreno e por Macnelly Torres, o centroavante conseguiu fazer a diferença. Mas também poderia ter se sobressaído antes, encabeçando as melhores jogadas ofensivas do Atlético Nacional e carimbando mesmo o travessão de Denis. Além do faro de gol necessário a um bom artilheiro, o novato demonstrou imensa explosão física. Também se entrosou rapidamente com os companheiros, alvo final das tabelas. Isso sem contar o senso de responsabilidade ao assumir a bronca e ainda cavar a (injusta) expulsão de Maicon durante o segundo tempo.

Borja não é um jogador desconhecido do futebol colombiano. Antes de chegar ao Atlético Nacional, o jovem rodou bastante. Revelado pelo Deportivo Cali, passou até mesmo pela Argentina, com o Olimpo, e pela Itália, com o Livorno. Mas chegou ao seu ápice mesmo de 2015 para cá. Fez boas partidas durante seu empréstimo ao Independiente Santa Fe, apesar da falta de regularidade, antes de arrebentar no Cortuluá, somando 19 gols em 22 partidas no Torneio Apertura. O suficiente para gerar o interesse de grandes clubes do país e assinar com os verdolagas. Além disso, o atacante também já passou pelas seleções sub-20 e sub-23.

Em uma Libertadores interrompida pela Copa América, os reforços dos semifinalistas tendem a ter enorme peso – vide o que aconteceu com o River Plate em 2015, buscando Lucas Alario. O Atlético Nacional repete a fórmula com Borja, esperando que ele renda além, levando em conta perdas que devem acontecer após o torneio continental – como Sebastián Pérez e Marlos Moreno. Mais do que isso, o atacante de 23 anos ainda tem esperanças de disputar os Jogos Olímpicos de 2016, diante da lista ainda não divulgada pela Colômbia. O papel que desempenhou no Morumbi enfatiza a sua capacidade.