Bônus do PSG para boa conduta é maior que para título da Ligue 1

Se seguirem normas de uma cartilha do clube, alguns atletas do time parisiense recebem altas premiações do presidente Nasser Al-Khelaifi

O comportamento extra-campo dos atletas é uma questão que preocupa qualquer clube, especialmente aqueles que contam com personalidades polêmicas em seus elencos. Contando com alguém como Zlatan Ibrahimovic, o Paris Saint-Germain inovou na maneira de lidar com alguma eventual declaração pesada por parte de seus jogadores. Segundo o jornal A Bola, de Portugal, alguns atletas têm em seus contratos cláusulas que garantem premiação ao final da temporada para quem tiver “bom comportamento”.

Não há garantias de que este detalhe esteja nos vínculos de todos os jogadores do elenco parisiense, mas pelo menos Edinson Cavani e Ezequiel Lavezzi possuem tal cláusula. Segundo o periódico, o atacante uruguaio pode receber € 600 mil no final da temporada se seguir a cartilha do clube, valor que, curiosamente, é maior que a premiação que receberia no caso da conquista da Ligue 1 (€ 450 mil). O argentino, por sua vez, recebe cerca de € 27.500 mensais se seguir as regras.

Mas o que determina se um jogador tem um bom comportamento ou não? Para não deixar o termo muito abstrato, o PSG é bastante claro em suas exigências: cortesia, disponibilidade e gentileza com os torcedores. Além disso, o atleta precisa evitar declarações de cunho político ou religioso e também críticas a decisões da comissão técnica e da diretoria. Não há informações sobre a existência desta cláusula no contrato de Ibra, mas, se estiver inclusa no novo vínculo do atacante, provavelmente o sueco não está usufruindo deste bônus. Tão frequente quanto seus gols são suas polêmicas declarações públicas.

Mas até que ponto tal medida adotada pelo PSG pode ser considerada positiva? É claro que a cartilha acaba evitando “má publicidade” para o clube, mas recompensar financeiramente jogadores para que eles sigam, fora de campo, determinadas regras estabelecidas pela agremiação acaba reforçando ainda mais um dos problemas dos jogadores de futebol: a pasteurização de seus discursos e a falta de engajamento em assuntos importantes, cujas discussões, com a influência da imagem destes atletas, poderiam ganhar maior legitimidade na sociedade.