A Juventus gostaria de ter tido um pouco mais de sorte no sorteio das quartas de final da Champions League. Caiu no caminho do Barcelona, embalado pela classificação milagrosa contra o Paris Saint-Germain. Um desafio dos mais difíceis para uma equipe que, já ha alguns anos, busca transferir seu sucesso estrondoso em campos domésticos para a Europa. O máximo que conseguiu foi a decisão de 2014/15, contra os próprios catalães, quando foi facilmente derrotada por 3 a 1. Dois anos depois, no entanto, a diferença entre os dois times está menor.

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Pelo menos, essa é a opinião de Bonucci, o zagueiro de 29 anos que se tornou o líder de uma defesa que certamente figura entre as melhores do mundo. Para ele, a Juventus perdeu muito com as saídas de Vidal, Pogba e Pirlo, mas aprendeu, com outros jogadores, o melhor momento para defender e atacar e está mais madura no controle da posse de bola. Já o Barcelona está um pouco pior que em 2015. Sua avaliação é que, atualmente, o time mais forte é o Bayern de Munique.

“(O Barcelona) está há três anos com o mesmo treinador e isso ajuda”, afirmou, em entrevista ao El País. “Neymar deu um grande salto de qualidade, Mascherano está mais dois anos na defesa, Rakitic amadureceu. Mas acredito que hoje em dia está um cabelo abaixo que em 2015. Para mim, o Bayern é o mais forte e tenho certeza que nunca passaria por uma situação como a do PSG no Camp Nou (derrota por 6 a 1 depois de fazer 4 a 0 na França)”.

O cenário mais provável para Bonucci é o de uma tarde complicada, na próxima terça, encarando o poderoso trio ofensivo com Messi, Suárez e Neymar. No 3-4-3 que Luis Enrique vem utilizando, o argentino pode atuar um pouco mais recuado, entre as duas linhas do adversário, o que não o torna menos perigoso. “Tanto faz estar dez metros mais para trás porque pode te surpreender a qualquer momento. E Neymar. Olha a arrancada de 60 metros que deu outro dia com o Brasil (contra o Paraguai). (Suárez) é um jogador que não para de lutar e usa tudo a seu favor: a diabrura, a astúcia, o físico. Mas isso não quer dizer que nós não achamos que somos fortes, que temos jogadores importantes e muita experiência internacional. Como na defesa”, disse.

Uma defesa que, nesta temporada, tem jogado mais com dois zagueiros, em um 4-2-3-1, do que com os três da época de Antonio Conte. A mudança afeta a maneira de jogar de Bonucci. Se por um lado o sistema 3-5-2 colocava-lhe mais frequentemente em situações de um contra um, agora precisa tomar mais cuidado com os passes porque, em caso de erros, precisa recompor mais rapidamente. E Bonucci adora passar a bola. Faz isso muito bem. Em tempos passados, o que mais lhe dava satisfação era um passe bem dado, definitivo, uma assistência. Amadureceu para apreciar também as intervenções defensivas.

“Aqui, todos me definem como um meia que está emprestado à defesa, pela minha maneira de jogar e interpretar o futebol”, afirmou. “Sempre fui assim e sempre serei, embora, em alguns casos, jogue um futebol muito horizontal. O fato de ter a bola lhe dá mais segurança e a possibilidade de defender em cima, mesmo assumindo alguns riscos. Com os anos, eu amadureci. Eu gostava de ser uma solução nos metros finais. Mas como zagueiro da Juventus, na qual a fase defensiva é importantíssima, eu melhorei meus dotes defensivos e agora me dá a mesma satisfação fazer uma intervenção resolutiva que evita um gol. Com Allegri, alternamos as jogadas de futebol direto com passes curtos, quando aparece minha responsabilidade, e sou feliz”.

Estar jogando bem, com grandes ambições pela frente, e feliz era uma situação que parecia improvável no segundo semestre do ano passado, quando Matteo, filho de Bonucci, sofreu uma séria doença que fez o zagueiro considerar a aposentadoria, mesmo estando em uma das melhores fases da sua carreira.

“Fiquei três ou quatro meses com a cabeça em outro lugar”, afirmou. “E a cabeça é o que move as pernas. Até 15 dias depois da cirurgia, quando começou a haver uma evolução, não me interessava vir treinar, nem nada sobre futebol. Não era minha prioridade. Você vê um garoto com tanta coisa pela frente, fazendo tantas perguntas, questionando por que aquilo está acontecendo, e não tem respostas. As prioridades mudam. Matteo está bem, e nossa família, mais unida. Esta manhã, ele dormia na minha cama e, quando se levantou sorrindo, como todos os dias, você percebe que essa é a maior vitória de todas”.