A Ucrânia conquistou o título no Mundial Sub-20 com uma campanha firme e uma vitória contundente na decisão. A seleção possui um elenco com boas opções, um grande goleiro que fez a diferença durante a caminhada e uma equipe equilibrada, sobretudo na defesa. Ainda assim, a escolha praticamente unânime ao melhor jogador do torneio veio da vice-campeã, a Coreia do Sul. Lee Kang-in fez uma participação deslumbrante na Polônia. O camisa 10 sul-coreano liderou sua equipe não apenas pelas jogadas decisivas, mas também pelos dribles e por sua inteligência para conduzir a bola. Sai com enorme moral, transformando-se num nome para se observar de perto ao longo dos próximos anos.

Obviamente, ser o melhor jogador do Mundial Sub-20 não é garantia de sucesso. A lista que inclui Diego Maradona, Lionel Messi, Paul Pogba, Silas, Geovani, Robert Prosinecki e Sergio Agüero é a mesma que também possui Caio Ribeiro e Henrique Almeida. Lee Kang-in é apenas o segundo asiático a receber a honraria, após Ismail Matar – que, se não foi um craque, virou um personagem histórico na seleção dos Emirados Árabes Unidos. E não é difícil de imaginar que o sul-coreano se estabeleça como uma figura recorrente na seleção. Há espaço total a um talento como ele, especialmente pela habilidade refinada. Aos 18 anos, desponta como uma companhia e tanto a Son Heung-min no nível principal.

O talento de Lee Kang-in não demorou a ser descoberto. Aliás, o camisa 10 guarda uma história particular em sua infância. Aos cinco anos, apresentava uma qualidade acima do comum nas competições estudantis. Chegou a participar de um reality show no país e, após conquistar o prêmio juntamente com sua equipe, o menino teve o gosto de conhecer Park Ji-sung no Manchester United. A semente estava plantada. Em 2011, aos 10 anos de idade, Lee recebeu o convite para realizar um teste na Espanha, com a camisa do Valencia. Impressionou os olheiros e recebeu o convite para se mudar com a família para o país. Apesar do difícil processo de adaptação, especialmente pela barreira da língua, o meia-atacante não demorou a arrebentar nas competições de base.

O Valencia segurou o seu prodígio e Lee Kang-in começou a ganhar as primeiras chances no time B do Valencia em 2017, aos 16 anos. A ascensão foi rápida a partir de então. Virou nome frequente na equipe da terceira divisão, até começar a ser pinçado por Marcelino García Toral ao elenco principal. Integrou a pré-temporada em 2018 e fez aparições esporádicas durante a última temporada, sobretudo na Copa do Rei. Em março, também ganhou a primeira convocação à seleção adulta da Coreia do Sul. De qualquer maneira, a maior prova de seu talento aconteceu no Mundial Sub-20. Mesmo jogando contra adversários dois anos mais velhos e muitos já firmados entre os profissionais, o camisa 10 gastou a bola.

Podendo jogar aberto na ponta esquerda ou mais centralizado, no apoio ao centroavante, Lee Kang-in apresentou várias virtudes no Mundial Sub-20. A mais reluzente é sua habilidade para driblar em espaços curtos. Não foram poucos os lances em que, mesmo marcado de perto, ele conseguiu manejar a bola com destreza para superar os defensores. Possui um repertório de truques considerável. Além disso, o camisa 10 combina sua antevisão das jogadas com a precisão dos passes. Em alguns momentos, sua enfiadas ao “ponto futuro” abriram caminhos ao seu time na competição. Acumulou quatro assistências e dois gols, em números impulsionados por seu papel como cobrador nas bolas paradas. Além da qualidade técnica, apresenta uma inteligência particular com a bola nos pés.

Desde a base, Lee Kang-in vê especulações ao redor de seu nome. Real Madrid e Manchester City chegaram a manifestar interesse no jogador, mas ele manteve-se fiel à oportunidade que recebeu no Mestalla. Já durante o Mundial, o noticiário mais frequente apontou para uma disputa de bastidores entre Ajax e PSV nas negociações. Cabe dizer, todavia, que o Valencia deve aproveitar um pouco mais seu garoto no time principal. A multa rescisória está na casa dos €80 milhões. E pela bola apresentada na Polônia, o camisa 10 pode se valorizar no time de Marcelino. É ver como os Ches preparam o seu prodígio. Aos 18 anos, o momento de estourar é agora.