A partida fechada não poderia deixar mais aberto o duelo entre Atlético e Chelsea

Muitos apontam o Atlético de Madrid como uma equipe típica de Libertadores. E é mesmo. O time de Diego Simeone é aguerrido, valorizando muito mais a raça do que a técnica. Nem por isso deixa de ter suas qualidades, mas é assim que se construiu como uma potência. Do outro lado, quando quer, o Chelsea também sabe fazer esse jogo, especialmente sob as ordens de José Mourinho. O português é um excelente técnico, não se nega, principalmente por saber transformar uma partida conforme sua vontade. Foi isso que fez.

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O primeiro duelo das semifinais da Liga dos Campeões terminou com o placar zerado, algo totalmente compreensível diante de tudo o que aconteceu no Vicente Calderón. O Chelsea mais uma vez “estacionou o ônibus” em frente ao seu gol. Perfeito para o que o time se propôs. O Atleti dominou a partida e teve chances de gol, muitas – foram 26 finalizações contra só cinco dos Blues. Faltou precisão nas tentativas, atrapalhados pela solidez defensiva dos Blues. Um resultado que deixa tudo aberto para o jogo de volta.

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A postura defensiva das duas equipes era identificável através das escalações. José Mourinho mandou o Chelsea a campo com quatro “volantes”: David Luiz, Obi Mikel e Frank Lampard protegendo a cabeça de área, além de Ramires aberto pela ponta direita. Medidas claras para travar o jogo veloz dos espanhóis e barrar as subidas dos laterais. Do outro lado, Diego Simeone já sabia da retranca que teria pela frente. Por isso mesmo, deu mais presença física ao seu ataque com Raúl García e Diego Costa, além de escalar Koke e Diego pelos lados de campo, dois jogadores para garantir a qualidade nos cruzamentos.

O primeiro tempo, de uma maneira geral, foi sofrível. O Atlético tinha a posse de bola e a iniciativa, mas encontrava muitas dificuldades para quebrar o paredão de nove jogadores formado pelo Chelsea à frente de sua área – só Fernando Torres ficava livre das tarefas defensivas. Com poucos espaços para se aproximar do gol, os colchoneros arriscavam poucos chutes de longe e abusavam dos cruzamentos, a esmo. Nos primeiros 45 minutos, foram 21 bolas levantadas na área, sem muitos resultados. A única que, indiretamente, ajudou o Atleti foi a que provocou a lesão de Petr Cech, substituído por Mark Schwarzer após sofrer uma lesão no cotovelo. Mesmo assim, o goleiro reserva não era muito exigido.

Do outro lado, o Chelsea não demonstrava interesse nenhum em atacar. A equipe se limitava a lançar bolas a Fernando Torres, a maioria delas sem dar resultado algum. Os únicos momentos em que havia alguma esperança aos Blues eram em bolas paradas ao redor da área. Porém, sem muito resultado, especialmente contra a defesa do Atlético, que se dá tão bem no jogo aéreo, com Thibaut Courtois soberano em sua área.

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Na volta para o segundo tempo, o Atlético tinha um pouco mais de mobilidade. Conseguia ir até a linha de fundo, o que ajudava na precisão dos cruzamentos. Mas não dá para dizer que teve uma chance real de marcar. Diego, que fazia boa partida, deu lugar a Arda Turan, logo aos 15 minutos da segunda etapa. Os colchoneros ficavam um pouco mais técnicos, mas mais aguerridos. Embora os espaços em meio à defesa do Chelsea aparecessem um pouco mais, faltou chutar na hora certa. Apenas em uma falta de Gabi, que passou pelo meio da barreira, é que Schwarzer teve um pouco mais de trabalho.

A defesa do Chelsea perdeu força aos 27 minutos, quando Terry sentiu e precisou ser substituído. Não era ele, contudo, que servia de esteio ao setor defensivo, mas sim Gary Cahill, impecável em sua função. Com a saída do capitão, David Luiz foi recuado à zaga e André Schürrle dava força aos contra-ataques. Com Fernando Torres se movimentando bem, os Blues passaram a ameaçar um pouco mais. Ainda assim, nada que exigisse demais de Courtois. Um pouco mais aberto, o jogo seguiu sem criatividade: bolas longas do Chelsea, cruzamentos do Atleti. Muitos, desta vez com um pouco mais de direção. Nada suficiente para realmente ameaçar a meta do Chelsea, quanto mais para tirar o placar do zero.

O empate sem gols em casa não é o resultado dos sonhos do Atlético. Entretanto, dos resultados ruins, é o melhor. Um gol em Stamford Bridge basta para que os espanhóis fiquem com a vantagem de empate. E muito provavelmente Mourinho não será tão retranqueiro em casa, o que também dá brechas aos contra-ataques do Atleti – uma das principais armas do time, que não teve como aparecer no Vicente Calderón. Promessa de um jogo de volta muito melhor em Londres – um duelo de dois times de Libertadores que não seja tão fraco quanto um Arsenal de Sarandí contra Peñarol.

Formações iniciais

Atlético x Chelsea

Destaque do jogo

A torcida do Atlético de Madrid. Em um jogo no qual o nível técnico foi tão baixo, em alguns momentos até compensou virar as costas para o campo e ver a festa rojiblanca nas arquibancadas. Não deixou de apoiar o time em nenhum momento, apesar da tensão.

Momento chave

A escalação do Chelsea. José Mourinho sabia o que queria no Vicente Calderón: segurar o Atlético de Madrid. E o técnico foi perfeito naquilo que se propôs, arrancando o 0 a 0 sem tantos sustos. Por mais que o futebol, em si, tenha sido o mais prejudicado.

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Curiosidade

Mark Schwarzer se tornou o jogador mais velho a entrar em campo por um mata-mata de Liga dos Campeões. Aos 41 anos e 182 dias, supera o recorde que era de Edwin van der Sar.

Ficha técnica

ATLÉTICO DE MADRID 0x0 CHELSEA

Atlético de Madrid
Thibaut Courtois, Juanfran, Miranda, Diego Godín e Filipe Luís; Diego (Arda Turan, 15’/2T), Gabi, Mario Suárez e Koke; Raúl García (David Villa, 40’/2T) e Diego Costa. Técnico: Diego Simeone.

Chelsea
Petr Cech (Mark Schwarzer, 19’/1T), César Azpilicueta, Gary Cahill, John Terry (André Schürrle, 27’/2T) e Ashley Cole; David Luiz, Obi Mikel e Frank Lampard; Ramires e Willian (Demba Ba, 48’/2T); Fernando Torres. Técnico: José Mourinho.

Local: Estádio Vicente Calderón, em Madri (ESP)
Árbitro: Jonas Eriksson (SUE)
Gols: Nenhum
Cartões amarelos: Gabi e Miranda (Atlético de Madrid); Obi Mikel (Chelsea)
Cartões vermelhos: Nenhum

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