A vitória simples por 1 a 0 sobre o Tigre foi suficiente para o Boca Juniors confirmar seu 31º título de Campeonato Argentino. A conquista veio com certa tranquilidade, a uma rodada do fim da competição. Tudo isso resultado de um time que se encaixou bem ao longo do ano, após tantas contratações, e que teve justamente no investimento pesado sua maior característica na temporada. Diante do crescimento do rival River Plate e dos mais de dois anos sem taças, a barca de bons nomes que chegou foi a resposta encontrada pelos Xeneizes, recompensados com o título indiscutível.

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Já no início do ano, chegaram nomes importantes, como Nicolás Lodeiro, do Corinthians, Rolín e Monzón, do Cagliari, e o garoto Jonathan Calleri, de apenas 20 anos e que havia se destacado pelo All Boys. Torsiglieri e Burdisso, assim como a dupla do Cagliari, também vieram do futebol europeu, acreditando no projeto comandado pelo técnico Arruabarrena, que, no primeiro semestre, teve em Pablo Osvaldo o maior símbolo das grandes intenções que o time tinha para a temporada. O ítalo-argentino permaneceu apenas até a metade do ano, mas o retorno de Tevez à Bombonera era um reforço ainda maior da ideia de buscar o topo do futebol argentino novamente a qualquer custo.

Em campo, os destaques individuais se alternaram. No gol, Orión fez uma grande temporada, passando sete partidas sem ser vazado e contribuindo com os ínfimos 23 gols sofridos em 29 jogos do Boca na competição. Se a segurança lá atrás era dada pelo experiente goleiro, na frente a mistura de experiência e juventude funcionou muito bem. Lodeiro cumpriu bem o papel que o clube esperava dele ao lhe dar a camisa 10 no início do ano. O número mudou pela chegada de Carlitos, mas a função desempenhada pelo uruguaio, e a qualidade com que o fazia, se mantiveram. De seus pés saíram muitos bons passes para o próprio Tevez e para o garoto Calleri, que foi o companheiro de ataque do ex-jogador da Juventus neste segundo semestre, mas que não se diminuiu diante da chegada do ídolo. Manteve o futebol que entretém, de agilidade, belos lances, terminando com dez gols e cinco assistências na competição, um desses tentos sendo a pintura de letra, por cobertura, contra o Quilmes.

Depois de uma temporada brilhante pela Juventus, talvez a sua melhor em nove anos atuando na Europa, tendo acumulado também passagens por Manchester United, Manchester City e West Ham, Tevez chegava ao Boca com status de ídolo e craque, capaz de desequilibrar e colocar a equipe em um patamar significantemente acima dos demais concorrentes ao título argentino. O time já havia tido o melhor desempenho da fase de grupos da Libertadores, acabara eliminado por causa do gás de pimenta atirado por sua torcida em direção ao time do River Plate nas oitavas de final da competição, e a impressão era de que, sem imprevistos, era forte candidato a ficar com o torneio sul-americano. E foi justamente a conquista do rival, quebrando um jejum de 19 anos, que tornou tão importante uma resposta no segundo semestre, em âmbito nacional.

Festa da torcida xeneize antes do jogo:

O retorno do ídolo, após viver seu auge no futebol mais forte do mundo, acabou sendo mais um reforço de ânimo e espírito aos Xeneizes do que técnico. Tevez contribuiu com a conquista diretamente em campo, é claro. Fez cinco gols e deu duas assistências nos 11 jogos que disputou no Argentino pelo Boca, e, com o papel de líder que a experiência internacional e a idolatria lhe garantiram, sua presença em campo fez a diferença. Mas foi também a ideia de grandeza que o time reforçou ao contratá-lo que impulsionou o Boca a crescer em um ano em que o rival River Plate aparecia absoluto no país, sendo campeão em 2014 e tendo vencido as edições mais recentes da Libertadores e da Copa Sul-Americana. O título confirmado neste domingo é uma espécie de remoção de um enorme peso sobre os ombros. O grande momento dos Millonarios havia se juntado ao momento de estagnação xeneize e formado um cenário de questionamento sobre o time da Bombonera. A expectativa é de que, após a conquista, uma nova era esteja sendo inaugurada. “A partir de agora, será um novo Boca”, afirmou Tevez, que, nas entrevistas pós-jogo dentro do campo, expressou em poucas palavras a importância pessoal daquele título. “Vim para sentir toda esta emoção. Saí campeão em muitos lados, mas isso é inexplicável”, contou o camisa 10, em meio a um choro de emoção. A pulsação da Bombonera durante os 90 minutos e após o apito final corroborava a crença de Tevez.  

#BocaEnVivo [AHORA] Mirá el festejo del campeón.

Posted by BOCA on Sunday, November 1, 2015