O Torneio Pré-Olímpico da América do Sul começa neste sábado. As dez seleções do continente se enfrentam para definir as duas equipes classificadas às Olimpíadas de Tóquio no futebol masculino. E somente agora, às vésperas do pontapé inicial da competição sub-23, é que o Boca Juniors resolveu se manifestar contra o calendário do futebol local. Os xeneizes tiveram três jogadores convocados e disseram que seriam prejudicados com o reinício do Campeonato Argentino, concomitante ao Pré-Olímpico. Todavia, a Superliga votou o pedido e foi contra o adiamento de seu retorno, como queria a diretoria boquense.

Há meses se sabe do conflito de datas entre o Pré-Olímpico e o Campeonato Argentino. A Superliga recomeçará na sexta-feira da próxima semana, 24 de janeiro, e veria quatro de suas rodadas se combinarem com a competição de seleções. Nesta quarta-feira, os xeneizes escreveram uma carta à organização da liga pedindo para que o reinício fosse postergado e atendesse aos compromissos da seleção. Com isso, uma reunião aconteceu em Puerto Madero nesta quinta para votar a questão. O Boca perdeu.

Segundo o Olé, foi uma “quente reunião”. Para que o adiamento acontecesse, eram necessários 16 votos, representando dois terços dos clubes da primeira divisão. Os partidários da mudança conseguiram apenas 15 votos e terminaram derrotados. Ao menos, se chegou a um consenso para que uma das rodadas marcadas previamente ao meio de semana seja alterada. Assim, os clubes com jogadores convocados perderão seus atletas por três partidas, não mais por quatro. Nada que tenha agradado totalmente.

O River Plate encabeçou os nove votos contrários à remarcação, apoiado também por Racing, Independiente, Vélez e Talleres. Ao todo, os cinco clubes cederam dez atletas ao Pré-Olímpico, exatamente dois cada. Já San Lorenzo e Estudiantes foram as principais equipes ao lado do Boca Juniors. Dentre os clubes favoráveis à mudança, há 18 jogadores convocados ao torneio de seleções. Além do mais, a maioria dos pequenos que não cederão futebolistas ofereceu sua solidariedade à solicitação dos xeneizes.

Nesta quinta, o Boca Juniors publicou outro comunicado, em que diz haver um “problema de vantagem esportiva, o que não é futebol”. O clube também esclareceu que a nova diretoria não compartilha de muitas decisões esportivas tomadas pela gestão anterior. “Se a administração anterior não percebeu que havia um campeonato internacional e que precisaria ceder jogadores, não é nosso problema”, frisaram os xeneizes. Nicolás Capaldo e Alexis Mac Allister foram convocados à Argentina, enquanto Jan Hurtado representará a Venezuela. Todos vinham sendo nomes frequentes na equipe de Gustavo Alfaro durante a primeira metade da Superliga.

Vale dizer que não são apenas os interesses esportivos em jogo, entretanto. Havia a pressão das televisões para que o calendário fosse mantido, respeitando os contratos firmados. O próprio governo interveio para que a mudança não ocorresse. Já o presidente da AFA, Claudio Tapia, veio a público reclamar da manutenção das datas. O cartola afirmou que teve uma reunião com a Superliga em dezembro, pedindo para que analisassem a cessão de atletas à seleção, mas ouviu que os donos dos direitos televisivos não permitiam a postergação. Depois, também contatou funcionários da Fox e da TNT, com respostas positivas. Mas, nesta semana, Tapia chamou a decisão de “falta de respeito” e declarou que os clubes precisam trabalhar pensando em si.

A Argentina compõe o mesmo grupo de Colômbia, Chile, Venezuela e Equador no Pré-Olímpico. Os dois primeiros colocados avançam ao quadrangular final, que definirá os dois classificados a Tóquio. A competição acontece nas cidades colombianas de Pereira, Armenia e Bucaramanga. A Albiceleste estreia no sábado, quando encara logo de primeira os anfitriões colombianos.