Quem acompanha a Serie A com atenção já sabia que a Sampdoria veio para incomodar nesta temporada. Os blucerchiati perderam alguns jogadores importantes, mas fizeram boas contratações e conseguiram se encaixar rapidamente sob as ordens do técnico Marco Giampaolo. Nas rodadas anteriores, já haviam derrotado Milan e Atalanta, além de quase surpreenderem a Internazionale. Já neste domingo, a Samp superou a Juventus, para delírio do presidente Massimo Ferrero. Os genoveses fizeram um segundo tempo praticamente impecável no Estádio Luigi Ferraris. Tomaram um susto no final, é verdade, mas os três gols abertos em vantagem garantiram a vitória por 3 a 2. A equipe se aproxima do pelotão de frente do campeonato e mostra suas credenciais rumo às competições continentais.

Exibindo um futebol bastante eficiente e direto, a Sampdoria tem rendido bastante no ataque. Ao final da rodada, os blucerchiati acumulam 27 gols, mais do que outros times incensados no campeonato, como a Roma e a Inter. Além disso, Marco Giampaolo conta com uma boa mescla de experiência e juventude. Fabio Quagliarella é a grande referência ofensiva, ao lado de Duván Zapata, imparável. E há uma quantidade notável de talentos despontando no meio-campo, com menção especial a Lucas Torreira, Denis Praet e Karol Linetty, todos com menos de 23 anos. Depois do que acontecera no clássico da rodada passada, batendo o Genoa, já estava clara a motivação da Samp. Algo que se confirmou de maneira inapelável diante da Juventus.

Massimiliano Allegri não entrou em campo com seu time completo, é verdade. A ausência mais notável foi a de Gianluigi Buffon, poupado após a frustração com a seleção italiana nas Eliminatórias, como o treinador já havia informado. Ao pisar no gramado para se aquecer antes da partida, Gigi foi ovacionado pelos torcedores nas arquibancadas. Pelo mesmo motivo, Andrea Barzagli também não entrou. E o treinador ainda poupou outros jogadores importantes, como Paulo Dybala, certamente visando o jogo decisivo com o Barcelona no meio da semana, pela Liga dos Campeões.

Fato é que as modificações não foram sentidas no primeiro tempo. A Juventus dominou completamente os 45 minutos iniciais. Controlava a posse de bola e criava as melhores chances. Quando poderia ter aberto o placar, entretanto, falhou nas conclusões. O primeiro lance claro veio dos pés de Gonzalo Higuaín, que acabou batendo para fora diante de Emiliano Viviano. Além disso, o goleiro (por incrível que pareça) chegou a fazer uma defesa com as nádegas em arremate de Cuadrado, enchendo o pé na pequena área. O colombiano, apesar do erro custoso, dava bastante mobilidade aos bianconeri e era um dos melhores em campo. Além disso, ficaram as broncas dos visitantes com as decisões do árbitro, especialmente ao reclamarem de um pênalti não anotado nem pelo VAR.

A Sampdoria despertou no segundo tempo. E, depois de um breve calor dado pela Juve, o cenário se inverteu completamente. Os blucerchiati passaram a distribuir as cartas do jogo, abrindo o placar aos sete minutos. Em uma jogada de insistência, a Velha Senhora penou para afastar a bola de sua área. Em uma das tentativas, o chutão de Federico Bernardeschi acabou sobrando na cabeça de Zapata, que apenas tirou do alcance de Wojciech Szczesny. Era o que os anfitriões precisavam para atuar com confiança.

Allegri tentou mexer com os brios de seu time e colocou Dybala em campo. A Juventus ganhou um pouco mais de ímpeto e perdeu a chance de empatar, em contra-ataque no qual o passe de Higuaín para Cuadrado saiu muito forte. Do outro lado, porém, Szczesny também trabalhava. E nada pôde fazer quando Lucas Torreira avançou com liberdade, após ótima troca de passes. Uma das grandes revelações recentes da Serie A, travando ótima batalha com Miralem Pjanic, o uruguaio encheu o pé, mandando a bola no canto aos 26. Já o terceiro tento aconteceu oito minutos depois, em cobrança de falta de Torreira para o meio do pagode. Quagliarella ajeitou para Gianmarco Ferrari escorar. As tabelas em velocidade e os avanços até a linha de fundo eram chave para a Samp.

Apenas nos minutos finais é que a Juventus daria sua resposta, também depois das entradas de Douglas Costa e Blaise Matuidi. O primeiro gol saiu em uma cobrança de pênalti, aos 46, convertida por Higuaín. Já aos 48, seria a vez de Dybala fazer grande jogada individual e bater no canto. Restava pouco mais de um minuto, e os torcedores genoveses até chegaram a prender a respiração. A reação da Velha Senhora, de qualquer maneira, parava por ali. Os bianconeri teriam que aceitar a segunda derrota no campeonato.

Quem ri à toa com o resultado é o Napoli. Os celestes abrem quatro pontos de vantagem sobre a Juve, que estaciona com 31 e pode perder a vice-liderança para a Internazionale neste domingo. Já a Sampdoria aparece em sexto, com 26 pontos. Vale ressaltar, no entanto, que os blucerchiati ainda têm um jogo a menos, por conta do adiamento do confronto com a Roma. Se baterem os giallorossi, confirmam de vez que podem brigar pela Champions, na qual não figuram desde 2010/11 – quando caíram nas preliminares. Em um campeonato de forças cada vez mais consolidadas, seria uma surpresa e tanto.