O futebol mal voltou na Itália, mas já traz uma grande história. O Napoli conquistou o seu sexto título da Copa da Itália em um jogo em que o time do sul foi melhor que a badalada Juventus ao longo de todo jogo. O empate por 0 a 0 só aconteceu porque Gianluigi Buffon teve uma grande atuação. Comandado por Gennaro Gattuso, o Napoli não foi um time que se retrancou e defendeu. Foi um time que jogou e quem criou as melhores chances. A Juventus, de Maurizio Sarri, não conseguiu ser dominante, como está acostumada, e teve poucas chances de gol. No fim, nos pênaltis, o título ficou com um clube que não está acostumado a taças e, até por isso, tem muito a celebrar.

Sarri foi técnico do Napoli por três temporadas e inegavelmente jogou um futebol envolvente e encantador. Fez as melhores campanhas da história do clube na Serie A, mesmo sem conquistar o título. E esse foi mesmo um ponto: não houve conquista de título. Nem da Serie A, nem da Copa da Itália, nem alguma competição europeia. Gattuso está longe de fazer um time envolvente, como era o de Sarri, mas fez um time que foi melhor que a Juventus de Sarri.

Na partida de Roma desta quarta-feira, o Napoli foi mais time, foi quem mais buscou e quem mais chegou perto de abrir o placar. O jogo, porém, foi bem fraco. Passou longe dos jogos mais intensos que costumamos ver entre os dois clubes, até pela rivalidade. É fácil entender, primeiro pela falta do melhor condicionamento físico, segundo pela ausência de torcida, o que torna a final um jogo asséptico.

O Napoli trouxe a escalação muito próxima àquela que jogou contra a Inter, no sábado. Foram três mudanças: Mário Rui substituiu Elseid Hysaj; Fabian Ruiz entrou no lugar de Eljif Elmas; e José Callejón entrou no lugar de Matteo Politano. A Juventus, por sua vez, só teve uma mudança: na lateral direita, saiu o brasileiro Danilo e entrou o colombiano Juan Cuadrado.

Logo a quatro minutos de jogo, a Juventus conseguiu o primeiro lance de perigo. Callejón errou o passe, a Juventus recuperou a bola e rapidamente finalizou. Cristiano Ronaldo recebeu na entrada da área, pela esquerda, e chutou forte, rasteiro. O goleiro Alex Meret espalmou para o lado, mandando pela linha de fundo.

O Napoli teve uma boa chance em cobrança de falta. Aos 23 minutos, Lorenzo Insigne cobrou uma falta perigosa, que bateu na trave. Buffon estava bem posicionado, mas não chegou. A primeira grande chance do time do sul.

No final do primeiro tempo, o Napoli conseguiu uma chance graças a uma jogada de insistência. Começou com a saída de bola errada da Juventus, que errou ao recuperar a bola e viu Diego Demme brigar pela bola, dividir e ficar com ela, cara a cara, mas com pouco ângulo. Ele chutou forte para defesa do goleiro da Juventus. Logo depois, em um rebote, Insigne chutou de fora da área e Buffon espalmou para escanteio.

O primeiro tempo não foi um primor, mas o segundo tempo mostraria que dá para ser bem pior. Os dois times tiveram menos criatividade, menos capacidade de chegar com perigo ao ataque, e os técnicos precisaram começar a mexer nos dois times e buscar alternativas.

Primeiro foi o Napoli. Gattuso colocou Politano e Arkadiusz Milik nos lugares de Callejón e Mertens, aos 22 minutos. Depois, aos 35, entraram Allan no lugar de Fabián Ruiz e Elseid Hysad no lugar de Mario Rui. Na Juventus, entrou Federico Bernardeschi no lugar de Miralem Pjanic, depois Aaron Ramsey no lugar de Juan Cuadrado. Por fim, entrou Elmas no lugar de Zielinski.

Depois da mexida, o Napoli chegou com perigo aos 71 minutos (26’/2T). Jogada pela direita, dois corta luzes e a bola sobrou pelo meio, limpa, no pé direito de Milik, que chutou de primeira. Pegou mal, mandou por cima, e desperdiçou a chance.

Nos acréscimos, o Napoli poderia ter feito o gol do título. Politano cobrou escanteio, aos 47 minutos, e Maksimovic cabeceou livre, de longe, forte e para o chão. Buffon fez uma grande defesa, mas não conseguiu segurar. Veio outra finalização, à queima-roupa, de Elmas, e ele ainda conseguiu um leve desvio, suficiente para a bola bater na trave. Houve ainda outra finalização, mas esta foi longe.

O jogo ficou mesmo no 0 a 0, o que levou a disputa direto para os pênaltis. Para não desgastar os jogadores, foi definido que não haveria prorrogação. Esse parecia ser o destino do jogo desde ao menos metade do segundo tempo.

A Juventus começou cobrando, com Dybala, que perdeu. O Napoli marcou com Insigne, e assim já ficou em vantagem desde o começo. Danilo foi o segundo a bater pela Juventus, mas ele cobrou por cima. Em duas cobranças, nenhum gol da Juventus. Foi a vez de Politano. O canhoto cobrou bem e marcou: 2 a 0.

O terceiro a cobrar foi Leonardo Bonucci, capitão do time. Ele cobrou bem, a bola quase matou os torcedores, com um toque na trave, no chão e entrando: 2 a 1. Maksimovic, que quase marcou em Buffon no último minuto, foi o cobrador seguinte. E cobrou como zagueiro: encheu o pé no meio do gol para estufar a rede: 3 a 1.

Aaron Ramsey, que entrou no segundo tempo, foi o cobrador seguinte. Precisava fazer para não acabar, e marcou: 3 a 2. Veio então Milik. O centroavante cobrou e marcou: o Napoli conquista o título da Copa da Itália em Roma.

Conquistar um título pelo Napoli é sempre muito difícil. O último título que o clube tinha conquistado foi em 2014. A Serie A não vem desde que Diego Maradona comandou o time, na temporada 1989/90. Mas desta vez, nesta temporada, o time poderá comemorar uma taça.

Resta se recuperar na Serie A, onde o time ainda faz uma campanha ruim, para tentar chegar à Champions League. Atualmente, o time está a nove pontos da Atalanta, atual quarta colocada. E ainda tem a Champions League, em agosto, quando o time terá o segundo jogo das oitavas de final contra o Barcelona e a chance de tentar ir ao topo da Europa.

Isso tudo, porém, fica para agosto. Nesta noite, em Roma, Gattuso e companhia irão comemorar a conquista de uma taça que será muito comemorada. Os torcedores do Napoli não puderam estar em Roma, mas cada um em sua casa certamente comemorará muito.