Todo mundo tem o direito de mudar opinião de vez em quando, e Joseph Blatter não foge à regra. Em 2009, por exemplo, afirmou categoricamente que era contra o uso do replay para retificar (ou confirmar) as decisões da arbitragem e, nesta segunda-feira, confirmou que pensa diferente. Deu mais detalhes, na Soccerex de Manchester, sobre o seu planejamento para a possibilidade de o técnico desafiar as decisões do juiz e falou até em data para iniciar os testes: ano que vem, no Mundial sub-20 da Nova Zelândia.

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O suíço de 78 anos já havia comentado essa proposta no congresso da Fifa antes da Copa do Mundo, em junho, mas não tinha entrado em muitos detalhes, o que, dado o seu histórico sobre o assunto, colocou em dúvida a sua vontade de realmente colocar isso em prática. Agora, envolveu-se mais profundamente na discussão. A ideia dele é que o treinador possa contestar a marcação do árbitro, “uma ou duas vezes por tempo”, apenas em competições que tenham cobertura televisiva em todas as partidas. Haverá um televisor para ser consultado pelo apitador e pelo técnico.

A dinâmica de como isso funcionaria ainda é muito incerta. Por exemplo, se o desafio só pode ser pedido se a bola parar, o que acontece se um técnico achar que um dos seus jogadores sofreu um pênalti que não foi marcado? A jogada seguiria e o time infrator poderia até arrumar uma penalidade antes da primeira decisão ser contestada. Imagina a bagunça? As regras do uso do replay precisam ser bem delimitadas para não dar problema.

Até porque, na prática, o monitor já foi usado mais de uma vez. O caso mais notório foi a cabeçada de Zidane em Materazzi na final da Copa do Mundo de 2006. Houve também um gol anulado de Hernán Barcos, pelo Palmeiras, contra o Internacional, mais recentemente. É necessária a criação de critérios para que a tecnologia esteja à disposição de todos em uma mesma competição e evitar que ela seja usada aleatoriamente, favorecendo apenas alguns.

Blatter, que já aprovou o uso da tecnologia na linha do gol, também tornou oficial o que todos já sabiam: vai buscar a reeleição para um quinto mandato como presidente da Fifa, cargo que ocupa desde 1998. Deve vencer porque tem o apoio de cinco das seis confederações continentais, menos a Europa, e nem vai precisar enfrentar o presidente da Uefa, Michel Platini, que era o candidato de oposição com mais chances de derrotá-lo. O curioso é que em 2011 disse que não concorreria nas próximas eleições, mas, como vimos, voltar atrás não é novidade para o suíço.

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