Joseph Blatter é um dos poucos presidentes da história da Fifa, uma entidade que tem dirigentes que ficam por muitos anos no cargo. Blatter foi o oitavo, com um mandato de 17 anos e 122 dias, de 8 de junho de 1998, quando sucedeu o seu padrinho político, o brasileiro João Havelange, até o dia 8 de outubro de 2015, quando estava contra a parede por causa do Fifagate e renunciou. Seria, depois, suspenso do futebol. Aos 84 anos, o dirigente deu entrevista à agência suíça Keystone-SDA e fez pesadas críticas a quem ocupa a cadeira que já foi sua, Gianni Infantino.

O dirigente admitiu que quando decidiu renunciar, foi por causa da pressão exercida pela Justiça dos Estados Unidos, principal responsável pelo escândalo do Fifagate (e explicamos aqui por que). “Eles disseram que o chefe tinha que sair”, disse o suíço. “Então eu renunciei ao meu mandato, e subitamente a Fifa não era mais uma organização mafiosa para os procuradores dos Estados Unidos, mas sim uma vítima”, desabafou o antigo dirigente.

“Infantino se tornou um megalomaníaco”

“Gianni Infantino quer transformar o futebol em uma imensa máquina de dinheiro”, disse Blatter. “Ele quer que tudo seja maior. A Copa do Mundo do mundo com 48 times, o projeto Goal renomeado porque quer três vezes mais dinheiro, uma grande Copa do Mundo de Clubes com 24 times, passar a Copa do Mundo Feminina de 24 para 32 times. Não é possível, é muito pesado para digerir”.

“Ele brinca consigo mesmo porque está imbuído de si mesmo. Ele se tornou um megalomaníaco. Em sua arrogância, ele não fala mais com os presidentes de federações, apenas com chefes de Estado”, criticou o ex-presidente da Fifa.

“A Copa 2022 teria que ser nos EUA”

“A atribuição da Copa do Mundo no Catar agora será examinada pela justiça americana. Mas os americanos têm uma grande base militar no Catar, que é de importância estratégica para a região. A Fifa quer que a Copa do mundo seja mantida lá por uma aparência de normalidade. A Copa do Mundo 2022 poderia ser feita na Inglaterra, Alemanha ou Japão em pouco tempo. Ou nos Estados Unidos. Sim, teria que ser nos Estados Unidos, porque eles ficaram em segundo na cotação em 2010. O círculo então ficaria completo e a história provaria que eu estou certo”, explicou Blatter.

Euro 2021 na Suíça?

“A pandemia do coronavírus surgiu. Não mudará o jogo inteiro do futebol, começando pela Eurocopa 2021? Irá mudar tudo o futebol. Será uma necessidade. Nós veremos no próximo ano, quando a Uefa não puder mais organizar a Eurocopa como tinha planejado. Três das 12 cidades não querem mais receber e eu não acho que os jogos na Espanha ou Itália poderão ser em estádios grandes. Essa pode ser uma boa oportunidade para a Suíça. Mas a Federação Suíça deveria fazer a sua voz ser ouvida mais claramente com as autoridades. Seu sistema obsoleto, com três cadeiras, pune isso”, disse Blatter.

Sepp Blatter, aos 84 anos, também gostaria de trabalhar com a Federação Suíça de Futebol (ASF) em um papel consultivo. “O esporte suíço não tem lobby em Berna”, disse o antigo dirigente da Fifa, que surpreendentemente admitiu o erro de ter tentado um novo mandato na Fifa em 2016. “Eu estava com 79 anos na época e, talvez, eu tenho que admitir, que me faltou uma certa lucidez em relação a tomar a minha decisão”.