Lidar com problemas política é uma questão que Blatter deve ter ficado traumatizado depois do Brasil. Em 2013, na Copa das Confederações, foram vários protestos e uma ameaça que a Copa de 2014 ficaria sob risco. Não aconteceu, tudo funcionou bem, mas a mágoa parece ter ficado. Falando sobre a Copa de 2018, na Rússia, o presidente da entidade que dirige o futebol mundial manifestou apoio ao país-sede e deu uma alfinetada na preparação brasileira para 2014.

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“A Fifa apoia incondicionalmente a Copa do Mundo na Rússia”, disse Blatter à agência de notícias russa R-Sport. Isso porque já se falava à boca pequena que haveria um plano de contingência, caso a Rússia não pudesse ser sede da Copa pelos problemas políticos que assolam o país. “Um boicote nunca vai ter qualquer efeito positivo”, declarou ainda o presidente da Fifa. “Nós confiamos no país, no governo”, afirmou ainda.

“A Rússia é o maior país do mundo [em extensão territorial]. A Rússia está nos olhos da imprensa internacional. O futebol pode não apenas unir a Rússia, mas mostrar ao mundo todo que é mais forte que qualquer movimento de protesto”, explicou Blatter. “Houve a mesma situação com Sochi [que recebeu os Jogos Olímpicos de Inverno, no início de 2014], mas nem durante, nem depois dos jogos houve qualquer palavra contra os jogos”, exemplificou.

Blatter ainda fez questão de elogiar a preparação da Rússia para 2018 e foi quando fez uma crítica velada ao Brasil. “Eu posso dizer que em comparação ao Brasil, a Rússia está consideravelmente à frente na agenda, com quatro anos para o início do evento”, disse o suíço. É bom que se diga: não eram poucos os relatos que o Brasil estava, de fato, atrasado na preparação. A crítica não é injusta.

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Ninguém no governo brasileiro esconde a má relação com a Fifa desde que Dilma Rousseff assumiu o governo e teve uma postura mais dura, mas a própria Fifa elogiou a postura do Planalto, que cedeu para que a Copa acontecesse sem problemas. A questão dos impostos, por exemplo, foi um braço de ferro entre governo e Fifa, que os dois lados tiveram que abrir mão, mas a Fifa conseguiu grande parte do que esperava pelos contratos já assinados.

O presidente da Fifa ainda terminou falando sobre outra ideia diferente para 2018: ter a abertura um dia antes e não no dia do primeiro jogo. “É possível”, ele respondeu, quando perguntado a respeito. “Nós tentamos fazer isso na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, mas não funcionou bem. Mas eu estu confiante que na cerimônia de 2018 a cerimônia deve acontecer mais cedo. Há três estádios em Moscou onde nós podemos sediar a cerimônia de abertura”, disse ainda Blatter.

É, parece que os resquícios da Copa de 2014 irão durar mais tempo. Ainda mais com a presidente Dilma Rousseff reeleita para um novo mandato. Nos bastidores, Dilma sempre quis evitar estar com Blatter. Não queria associar a sua imagem à Fifa, alvo de duras críticas durante a Copa das Confederações, como parte das muitas manifestações de junho.