Durante os dois gols do Panamá, a mesma comemoração. É assim desde 2012. A cada vez que balança as redes, pelo clube ou pela seleção, Blas Pérez coloca as mãos ao lado da cabeça e levanta os dedos indicadores. São os chifres do “Toro”, como era conhecido o seu pai, falecido em 2012. Por isso mesmo, o atacante aponta aos céus. E, nesta segunda, as celebrações foram mais carregadas, diante da vitória por 2 a 1 da Bolívia. Se a Copa América começa morna, os novatos no torneio ajudam a valorizá-la – como já fizera o Haiti. Após o apito final, o que se viu foi uma grande festa panamenha. A alegria do artilheiro, impossível de se esconder.

Blas Pérez estreou na seleção do Panamá em 2001, aos 20 anos. E, a partir de então, seu pai se tornou uma figura conhecida em todo o país. O senhor corpulento (por isso chamado de Toro) era folclore a cada jogo da equipe nacional, torcendo efusivamente. “Ele era um homem de muita força nas comunidades do Panamá. Nunca perdeu uma partida da seleção e ia aos treinos sem que eu nunca tivesse pedido. Ele sempre esteve ao meu lado e tem grande importância na minha carreira. Meu pai era humilde e carinhoso. Uma das grandes coisas na minha família era a educação, não apenas na escola, mas primeiramente em casa, sobre como tratar os outros e ter respeito”, afirmou o veterano em 2014, durante entrevista ao site de seu antigo clube, o FC Dallas – hoje defende o Vancouver Whitecaps.

Toro Pérez faleceu aos 62 anos. Não pôde ver o seu pupilo superar os 100 jogos pela seleção. Mas certamente esteve presente na memória de Blas Pérez em todos os momentos. A influência do veterano na seleção é inegável. Algo que se provou nesta segunda, em Orlando. O centroavante começou a fazer a diferença com 11 minutos, aproveitando com oportunismo o cruzamento de Alberto Quintero. Juan Carlos Arce empatou para a Bolívia na segunda etapa, mas os panamenhos eram mais ofensivos e mereceram a vitória. Aos 42, Pérez marcou o gol decisivo. Desabou no gramado, visivelmente emocionado.

Confirmada a vitória, o Panamá comemorou como um jogo de Copa do Mundo. E, embora em uma chave difícil, com Argentina e Chile, o time parece confiar em uma surpresa. Neste sentido, Blas Pérez pode fazer a diferença. Com os tentos desta segunda, o jogador de 35 anos ficou a um gol de igualar o companheiro Luis Tejada como maior artilheiro da história da equipe nacional. Quem sabe, para mais homenagens ao velho Toro nos próximos dias.