Carlos Bianchi e o Boca Juniors tentarão reviver os bons tempos de domínio na América. O técnico foi anunciado como novo treinador xeneize pelo Twitter do clube (sinal dos tempos), depois de uma longa negociação com a diretoria. Está acertada a volta do treinador que criou a imagem do Boca como carrasco e time a ser temido na Libertadores. O contrato de três anos é a esperança do clube continuar a ganhar títulos e disputar a Libertadores como nos anos 2000: como favorito. Nesta terceira passagem, porém, a situação pode ser um pouco mais difícil que as anteriores.

Bianchi teve duas passagens pelo Boca, ambas bem sucedidas. Entre 1998 e 2001, ganhou duas Libertadores, dois Apertura e um Clausura, além de um Mundial Interclubes, em 2000. Foi quando a imagem do Boca como o grande time da América do Sul foi construído. E a imagem seria mantida com a segunda passagem, entre 2003 e 2004. Aquele ano de 2003, aliás, foi um ano de glórias para os xeneizes: campeões do Apertura, da Libertadores e do Mundial Interclubes. Essa segunda passagem durou um ano e meio, mas suficiente para deixar o torcedor do Boca com aquele sabor de campeão de tudo.

Desta vez, porém, a condição para repetir o feito é diferente. O Boca Juniors não tem mais a mesma capacidade financeira que antes. Perto dos times brasileiros, por exemplo, o Boca fica bem atrás. Seu orçamento é menor que o de Fluminense, Corinthians e São Paulo. A receita do Boca em 2010/11 foi de R$ 122 milhões. Em 2011, o Corinthians, só com as cotas de TV, faturou R$ 112,4 milhões e arrecadou um total de R$ 290,5 milhões. Uma diferença brutal. E que obviamente faz diferença. Antes, um jogador como Paolo Guerrero tinha mais chance de deixar o Hamburg para se transferir para o Boca do que para o Corinthians. Agora, bem, vemos o que acontece e onde Guerrero está.

Desde a última segunda-feira, o Boca anunciou que Julio Cesar Falcioni não continuaria no comando do clube. Os problemas de relacionamento contribuíram para a queda do comandante. E a ideia da diretoria xeneize e do presidente do clube, Daniel Angelici, foi fazer uma proposta para o treinador mais vitorioso da história recente do clube. Foram muitas reuniões até que o técnico dissesse sim. Bianchi reassume seu papel de treinador nos primeiros dias de janeiro e inicia a sua trajetória de volta no Torneio de Verão, em Tandil.

Bianchi não trabalhava como técnico de futebol desde 2006, quando foi demitido do Atlético de Madrid, após uma curta passagem. Lá se vão seis anos de futebol. Dirigir um time pode até ser como andar de bicicleta e jamais se esquecer como se faz, mas o desafio agora será fazer o Boca novamente forte e campeão, disputando a conquista da América contra times fortes e mais ricos do Brasil. Um desafio do tamanho da imagem que Bianchi construiu com suas conquistas: enorme.