Na última temporada, o Everton se movimentou bastante no mercado de transferências. Os Toffees desembolsaram mais de €200 milhões, em pacote de contratações que incluiu Gylfi Sigurdsson, Jordan Pickford e Michael Keane. Nem todos deram certo, o clube não rendeu como o esperado, aconteceram mudanças no comando e mais algumas peças vieram no inverno. A chegada de Marco Silva, sonho de consumo da diretoria, traz novas perspectivas ao Goodison Park. E o lado azul de Liverpool terá um elenco mais encorpado para aumentar suas ambições na próxima Premier League. Depois dos anúncios de Richarlison e Lucas Digne, o pacotão no fechamento da janela inclui Yerry Mina, André Gomes e Bernard – enquanto mais um defensor ainda é aguardado em Merseyside.

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O grande acerto do Everton neste momento é Yerry Mina. Após fazer uma Copa do Mundo espetacular, o zagueiro se tornou objeto de cobiça de várias equipes. A metade de temporada decepcionante com o Barcelona, na qual sua atuação desastrosa contra o Levante custou a invencibilidade na conquista do Campeonato Espanhol, impulsionou a oportunidade de mercado. Além disso, o fato de ser extracomunitário o deixava de lado nos planos culés, considerando as movimentações recentes no elenco de Ernesto Valverde. E embora o Manchester United parecesse um forte candidato na transação, os Toffees se deram melhor na compra do colombiano. Chega por €30,25 milhões, mais variáveis de €1,5 milhão e uma cláusula que permite os blaugranas a recontratarem o defensor.

Após as saídas de Ashley Williams e Ramiro Funes Mori, que não cumpriram as expectativas em Goodison Park, ficava clara a necessidade do Everton em trazer novas peças à sua zaga. Mina acrescenta por seu estilo agressivo, que deu muito certo pela intensidade que apresentou na Copa, contribuindo com gols, mas ajudando bastante também defensivamente. Ficava claro que o beque teria que encontrar um novo rumo para se estabelecer na Europa. Terá uma exigência alta na Premier League, mas o saldo acaba sendo bom, em comparação ao que se previa antes do Mundial. Aos 23 anos, tem potencial para tanto. Além disso, a qualidade no jogo aéreo é um diferencial.

O Barcelona, aliás, acabou sendo uma alternativa de mercado recorrente ao Everton. Os Toffees ganharam um bom lateral esquerdo com a chegada de Lucas Digne, sem espaço na Catalunha e que se aponta como herdeiro de Leighton Baines. Já André Gomes é outro que busca um recomeço em Goodison Park. O meio-campista não valia tudo o que o Barça pagou em sua contratação, mas é melhor do que as péssimas atuações pelos blaugranas indicavam. Havia uma crise de autoconfiança, algo explícito nas entrevistas, que até ajudaram a mudar a postura da torcida catalã em relação ao português. De qualquer forma, uma mudança de ares era bem-vinda, em empréstimo sem tantos riscos que custará €2,25 milhões aos ingleses.

Em seu site oficial, o Barcelona confirmou o acordo pelo repasse da dupla, o que o Everton não fez de imediato em seus canais – o que deve acontecer em breve. Antes, preferiu promover a notícia sobre a contratação de Bernard. Depois do que ocorreu na Copa de 2014, torna-se natural uma certa indagação sobre o ponta. Ainda assim, ele surgiu como mais uma bela oportunidade de negócio. Depois de algumas dificuldades para tomar a posição como titular no Shakhtar Donetsk, virou um dos nomes mais importantes no elenco durante as últimas três temporadas. Foi essencial na conquista do último título nacional, assim como brilhou na Champions League passada. E, sem renovar seu vínculo com os ucranianos, ficou livre para buscar centros maiores. O Milan tinha fortes rumores ao seu redor, após interesses de Chelsea e Internazionale, mas novamente os Toffees ganharam a parada.

Por mais que as condições do acordo ajudem a alavancar o salário de Bernard (cerca de £150 mil por semana, segundo o Mirror), o risco ao Everton se concentra neste ponto. O clube assina com o ponta de 25 anos pelas próximas quatro temporadas. Ele terá a facilidade de poder trabalhar com Richarlison e com o técnico Marco Silva, sem ver a língua como uma barreira de imediato. Segundo suas palavras, a chance de atuar com o treinador influenciou a sua decisão de seguir ao Goodison Park. A chegada de Bernard, aliás, reforça a noção de que Richarlison poderá ser usado centralizado no ataque.

As saídas de Davy Klaasen, Kevin Mirallas ou mesmo Wayne Rooney não indicam perdas significativas para o Everton. Apesar dos nomes, não deram grandes contribuições ao clube nos últimos meses. A noção é de que os Toffees aproveitaram bem o mercado, gastando um pouco mais do que deveriam em alguns jogadores e fazendo apostas, mas com uma base ampla para almejar ao menos resultados mais consistentes. O trabalho de Marco Silva será aproveitar melhor as peças que já tinha, integrando também os novatos durante esta reconstrução. Precisa, de qualquer maneira, ter noção do investimento que se fez. Considerando todos os negócios realizados até a publicação deste texto, apenas outro três clubes ingleses (Chelsea, Manchester City e Liverpool) desembolsaram mais que o Everton em compras desde a temporada passada. O nível de gasto é digno das potências, embora o elenco ainda não seja, e depende justamente de competência na formação da equipe para se aproximar.