Giuseppe Bergomi é um jogador importante na história da Internazionale, que se tornou um líder e foi capitão do time. Foram 756 jogos pela Inter, sendo 519 deles só na Serie A. Conquistou um scudetto, o título italiano, a Copa da Itália e três Copas da Uefa. A Inter foi o único clube da sua carreira, de 1979 a 1999, quando se aposentou. Como capitão que foi, o jogador foi entrevistado pela Gazzetta dello Sport sobre a decisão da Inter de tirar a braçadeira de capitão de Mauro Icardi. E o ex-jogador do clube concordou com a decisão.

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O que significa ser capitão

“Ser o capitão não significa entrar em campo e trocar presentes. É dar o exemplo, todos os dias, dentro e fora de campo, prestar atenção às coisas pequenas, que são as que fazem diferença. É sempre colocar a cara lá quando as coisas estão indo bem e também em tempos de dificuldade. É também ajudar estrangeiros a se adaptarem e superarem dificuldades do impacto de uma nova cultura e uma nova língua. É um senso de pertencimento para ser transmitido e demandado pelo time todo”, afirmou o ex-jogador.

Exigência da torcida

“A torcida da Inter é muito exigente, mas também muito respeitosa. Além dos troféus que um capitão pode levantar, porque obviamente todo mundo gosta de vencer. Para os torcedores, é importante ver esse comprometimento, a vontade de ir sempre além dos limites. O famoso suar a camisa, ou seja, sempre dar um chute a mais, um sacrifício pelo companheiro. Em suma, mostrar que o primeiro de tudo é a Inter. O capitão precisa ser um exemplo positivo”, declarou ainda o ídolo interista.

O capitão Bergomi

“Eu era um líder silencioso, eu falava muito pouco porque eu sempre preferi ações a palavras. Eu tentei liderar pelo exemplo, ser um modelo no vestiário, especialmente para mais jovens. Eu dava boas-vindas aos estrangeiros. Eu passei muito tempo com Bergkamp e sua esposa, eu os levava para sair, nós saímos para jantar. Eu tentei fazer com que eles se sentissem em casa e eu fiz o mesmo com [Mattias] Sammer. Nem todo mundo pode entrar no novo ambiente”, disse o ex-jogador.

Caso Icardi

“Remover a braçadeira foi um gesto forte, mas eu me encontro nas palavras de Spalletti. É difícil tomar certas decisões, mas nós precisamos dar um sinal e proteger o time e o clube. Em suma, é como um pai que tem que punir um filho, ele faz isso para seu próprio bem, para fazê-lo entender que ele está errado e ajuda-lo a crescer. Eu acho que Mauro deveria entender isso”, comentou Bergomi.

“A Inter frequentemente foi acusada de ser boazinha demais. Desta vez, o clube fez uma escolha corajosa, fazendo todo mundo estender que o bem do clube e o time vem antes de qualquer coisa. E isso é o certo. Errar é humano, mas você tem que ser em dar a cara para bater e pedir desculpas. Não é fácil encarar um vestiário, mas Mauro terá que fazer isso. E uma vez que o grupo resolver isso, não vai mais guardar rancor”, afirmou.