As coisas não foram boas para o Arsenal na temporada 1994/95. O 12° lugar na Premier League pareceu um problema menor perto da demissão do técnico George Graham, que recebia pagamentos para contratar jogadores. O último título inglês havia sido em 1991 e a próxima temporada não tinha perspectiva de competições europeias. Por isso a surpresa quando Dennis Bergkamp chegou ao Highbury, em 20 de junho de 1995, há exatos 20 anos.

LEIA MAIS: O Arsenal usará uma camisa bastante classuda na próxima temporada

Bergkamp havia ficado duas vezes entre os três finalistas da Bola de Ouro, em terceiro pelo Ajax e em segundo com a Internazionale, e naturalmente era considerado um dos grandes jogadores do futebol europeu. Mas sua última temporada antes de assinar com o Arsenal também não foi boa, com apenas cinco gols no seu segundo ano em Milão. O presidente Massimo Moratti não fez tanta questão de segurá-lo quando surgiu o interesse inglês. Vendeu o holandês por £ 7,5 milhões, contratação mais cara do Arsenal naquela temporada.

Depois de um começo um pouco vacilante, Bergkamp começou a emendar os seus gols e ajudou o Arsenal a alcançar uma quinta posição em 1995/96, o bastante para disputar a Copa da Uefa. Mais do que a qualidade em campo, compartilhou com os companheiros uma mentalidade mais profissional durante o dia a dia, que seria potencializada com a chegada de Wenger. O holandês preparou o terreno para o método mais científico de treinamento do francês e era um dos únicos jogadores do elenco com a elegância e a técnica que o técnico tanto aprecia. Seu domínio de bola virou até estátua no Emirates Stadium.

Foi do quinto lugar para cima a partir de então. O Arsenal nunca mais ficou abaixo da quarta posição e disputou todas as edições da Champions League a partir de 1998/99. A influência dessa estabilidade nas condições financeiras do clube é inestimavel, tanto quanto na auto-estima dos torcedores. Bergkamp recepcionou e ajudou a desenvolver talentos Vieira, Henry, Overmars, Peti e Anelka. Conquistou três títulos ingleses e quatro Copas da Inglaterra. Escapou apenas o título europeu. Assistiu do banco de reservas à derrota para o Barcelona, em 2006, a última partida oficial que frequentaria antes da sua aposentadoria.

Quase toda a transformação do Arsenal entre o final dos anos noventa e começo da década seguinte deve-se a Wenger, e com toda razão. Mas seu trabalho seria mais difícil se Bergkamp não tivesse acreditado no potencial do clube de Londres antes mesmo do francês. E principalmente se não tivesse marcado 120 gols com aquela camisa, cada um mais bonito do que o outro.