Desde que foi vetado de atuar pela França por conta da polêmica envolvendo Mathieu Valbuena, seu colega de seleção, Karim Benzema vem se mostrando bastante descontente em relação ao técnico Didier Deschamps. E não é para menos. O centroavante do Real Madrid é um dos que mais se destacam em sua posição no mundo e não contar com ele na seleção francesa é uma enorme baixa para os Bleus. Embora o veto tenha acontecido antes dos amistosos de março, o jogador ainda tinha esperanças de ser convocado para disputar a Eurocopa. Mas não foi o que aconteceu. Desta vez, Benzema não limitou a crítica de sua ausência ao caso que envolve Valbuena, do qual se diz inocente: ele acusou Deschamps de ter sucumbido às pressão externas e tê-lo excluído por racismo.

VEJA TAMBÉM: Mais um pra conta: Payet decide amistoso aos 45 do 2º tempo com (outro) belo gol de falta

Digamos que Benzema apenas corroborou o que Éric Cantona já havia dito quando o técnico da França divulgou a pré-convocação, há pouco tempo. Na ocasião, o ex-jogador relacionou o corte de Benzema e Ben Arfa, meia do Nice, da lista prévia para a Euro ao, segundo ele, pensamento racista de Deschamps. Lembrando que a França colonizou 20 países da África entre os séculos XVI e XX, e os dois jogadores que ficaram fora têm ascendência argelina e tunisiana, respectivamente.

Dentre os 23 nomes que o treinador dos Bleus escolheu para jogar o torneio europeu, 13 têm raízes africanas diretas, mas apenas um deles, o zagueiro Adil Rami, do Sevilla, tem origem árabe. E olha que a população muçulmana na França atinge a um número estimado de sete milhões de pessoas. Não é a toa que a própria imprensa francesa vem dizendo que o multiculturalismo na seleção do país está ameaçado.

A verdade é que desde que os atentados a Paris aconteceram, ano passado, o preconceito contra muçulmanos e descendentes de árabes que vivem no país se agravou. Principalmente por parte da extrema-direita francesa, representada pelo partido FN (Frente Nacional), que há muito tempo se expõe ao máximo do racismo e xenofobia. E é a eles que Benzema faz referência ao falar de Deschamps.

“Sempre me dei bem com ele [Deschamps] e com o presidente da Federação Francesa. Agora, por pressão de uma parte racista da França, fui excluído da seleção. É preciso que as pessoas saibam que o partido extremista [se referindo à Frente Nacional] chegou à segunda etapa das duas últimas eleições. Me recuso a acreditar que não ser chamado para a Euro foi uma decisão só do técnico”, afirma o camisa 9 do Real em entrevista ao jornal espanhol Marca.

Vale ressaltar que o caso de Benzema com Valbuena ainda é muito mal explicado. Benzema foi acusado de extorquir Valbuena por um vídeo com cenas de sexo, como explicamos aqui. A decisão de deixar aquele que é um dos seus principais jogadores, que foi muito bem na Copa do Mundo, inclusive, foi contestada por torcedores, mas comemorada por representantes do FN que se pronunciaram sobre o caso. A justificativa da FFF foi que a ausência tanto de Benzema quanto de Valbuena foi para não atrapalhar o grupo, ainda mais estando na França.

Apesar da exclusão, Benzema contou que não guarda rancor e que está feliz com o título da Champions League que conquistou com seu clube no sábado. “Estou tranquilo quanto a tudo que fiz. Sei que sou inocente. Tenho certeza que a França vai se dar conta que está cometendo uma injustiça comigo”, disse.

Mesmo com as faltas do centroavante madridista, de seu companheiro de clube, Raphaël Varane, que está lesionado, de Jeremy Mathieu, jogador do rival Barcelona, e de outros jogadores importantes, a seleção anfitriã desta edição da Euro vai a campo, a partir da próxima semana, com uma equipe fortíssima, e é uma das mais cotadas a levar o título da competição.