O Benevento nunca tinha chegado ao topo do Campeonato Italiano. Ainda assim, a tradição do clube da Campânia, fundado em 1929, não pode ser ignorada. Por anos militou entre as divisões inferiores, sobretudo na terceira. Atravessou diferentes processos de fusão e refundação, diante dos problemas financeiros. Seguiu em frente, graças a uma pequena, mas apaixonada torcida. E, depois de quase nove décadas de perseverança, cumprirá o sonho de integrar a elite do Calcio. Nesta quinta, os giallorossi confirmaram o acesso ao vencerem o Carpi por 1 a 0, nos playoffs da Serie B. Irão se unir a Spal e Hellas Verona na próxima edição da Serie A.

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A temporada passada já tinha sido gloriosa ao Benevento. Afinal, pela primeira vez em sua história, o time tinha alcançado a Serie B – e isso depois de 38 temporadas no equivalente à terceira divisão. Após algumas mudanças internas, pegou embalo na Lega Pro e terminou na liderança de sua chave, o que já valeu o feito inédito. Entretanto, o que os torcedores não poderiam esperar é que tinha mais. Mesmo sendo candidato ao rebaixamento na segundona, a equipe fez uma campanha equilibrada. Manteve-se sempre na zona de classificação aos playoffs, graças ao ótimo desempenho dentro de casa. Ao final da temporada, conseguiu assegurar a quinta colocação, que dava sobrevida na briga pela última vaga no acesso. A chance que os franco-atiradores bem precisavam para ir além.

Após eliminar o Spezia, o Benevento surpreendeu o Perugia nas semifinais. Ganhou em casa, antes de segurar o empate fora. Já nas partidas decisivas, o Carpi também parecia ser o favorito, após a classificação épica sobre o Frosinone, e até mais tarimbado pela participação recente na Serie A. Nada que tenha amedrontado os desafiantes. Os giallorossi seguraram o 0 a 0 longe de seus domínios, para fazer a festa na Campânia nesta quinta. Melhor na partida, o time da casa venceu por 1 a 0, graças ao gol do romeno George Puscas, cedido pela Internazionale. Os jogadores mal esperaram o apito final para já comemorar o segundo acesso consecutivo – aliás, como a Spal. Conquista histórica para o modesto clube.

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Dirigido por Marco Baroni, campeão nacional com o Napoli em seus tempos de jogador, o Benevento fez investimentos razoáveis para disputar a segundona. Trouxe vários jogadores por empréstimo e confiou em nomes experientes, bem como em vários estrangeiros. Apostas que se mostraram certeiras na constituição do elenco. De qualquer maneira, o passo à Serie A é consideravelmente maior. Os giallorossi dependerão de uma gestão bem feita, a exemplo do que aconteceu com Sassuolo e Crotone recentemente. A mera manutenção na elite já seria uma conquista imensa, dada a transformação da realidade nos últimos anos.

Enquanto isso, vive-se um sonho na cidade de 80 mil habitantes da Campânia, centro de importância histórica e cultural nas proximidades de Nápoles. Mesmo militando em níveis inferiores, o clube quase sempre manteve médias de público consideráveis, em uma região naturalmente apaixonada por futebol. Já nesta temporada, a população abraçou de vez o Benevento, com 8,1 mil presentes por partida (a sexta maior média da Serie B, à frente de outros tantos clubes tradicionais, como Vicenza e Brescia), além da quarta maior média de ocupação. Não à toa, o Estádio Ciro Vigorito acabou sendo um dos trunfos na campanha, com aproveitamento de 75% dos pontos. Um caldeirão que certamente pulsará mais forte na Serie A, e pela primeira vez.


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