Darío Benedetto mudou de patamar quando assinou sua transferência ao Boca Juniors. O centravante estourou no Arsenal de Sarandí e teve uma boa passagem pelo América do México. Todavia, o justo reconhecimento como um dos melhores centroavantes argentinos só aconteceu na Bombonera. Transformou-se em ídolo genuíno da torcida e alçou-se como jogador de seleção. Uma séria lesão interrompeu sua ótima sequência com o clube em 2017, da mesma maneira que a derrota na decisão da Libertadores deixa uma lembrança amarga daquilo que poderia ser o ápice de sua passagem. Os xeneizes, ao menos, deram também ao artilheiro a chance de se testar no futebol europeu. Aos 29 anos, reforçará o Olympique de Marseille.

Alguns jogadores importantes ao bicampeonato argentino conquistado pelo Boca Juniors entre 2017 e 2018 já deixaram o clube. Pablo Pérez, Wilmar Barrios e Lisandro Magallán foram os primeiros que fizeram as malas. Benedetto amplia um processo de reformulação que também deve incluir nos próximos dias o anúncio de Nahitan Nández como novo atleta do Cagliari. As boas vendas do clube impulsionam uma renovação que, para o comando de ataque, inclui suas novas peças. O venezuelano Jan Hurtado chegou valorizado do Gimnasia de La Plata. Enquanto isso, espera-se ainda outro nome, em lista encabeçada por Guido Carrillo. Apesar da reputação que construiu na Bombonera, Benedetto talvez não faça tanta falta assim.

Benedetto chegou ao Boca em 2016, compondo a barca de reforços para a reta final da Libertadores. O time sucumbiu ao Independiente del Valle, mas não demorou para que o centroavante provasse o seu valor. Seus números pelo Campeonato Argentino são excelentes. Anotou 21 gols em 25 jogos na temporada 2016/17. Carregou o time à conquista do título. E começou voando baixo em 2017/18, com mais oito gols em nove rodadas. Porém, justamente neste momento, sofreu a ruptura nos ligamentos do joelho. Além de desfalcar o Boca no primeiro semestre de 2018, perdeu a chance de disputar a Copa do Mundo, após integrar o elenco de Jorge Sampaoli na reta final das Eliminatórias.

O retorno de Benedetto à Libertadores 2018 foi glorioso, ao liderar o Boca nos duelos contra Libertad e Palmeiras durante os mata-matas. Também foi um dos protagonistas do time na decisão contra o River Plate, ao anotar dois gols. Mas, sem exibir as melhores condições físicas, não ajudou os xeneizes a darem o passo além no Santiago Bernabéu. E, durante a reta final da Superliga, seu rendimento não foi dos melhores. Assinalou somente dois gols em 15 partidas, muitas delas saindo do banco.

Benedetto sabia que esta talvez fosse sua última chance de atuar na Europa, assim como o Boca Juniors estava ciente que este era o melhor momento de fazer caixa com o centroavante de 29 anos. Os €14 milhões pagos pelo Olympique de Marseille parecem bons para todas as partes. Os franceses apostam na recuperação total do jogador e ganham um homem de área, que pode elevar o rendimento da equipe como um todo. A maneira como Benedetto carregou os xeneizes no bicampeonato pesa demais. Além disso, pode muito bem se adaptar em uma liga de estilo de jogo mais físico, no qual a presença de um homem de área ajuda bastante.

“O carinho que me deram no Boca, não senti em nenhum outro clube. Estou triste por me despedir de um clube pelo qual torço, o qual amo, mas também há outra sensação, a de poder jogar em um clube importante da Europa. Se não fosse um time grande, eu não ia. Recebi outras ofertas em junho e dezembro, mas rechacei. Tenho 29 anos, é meu momento e quero aproveitar”, declarou Benedetto, na última semana. O centroavante negou que se recusou a entrar em campo nas primeiras rodadas do Campeonato Argentino, para forçar a transferência. Segundo ele, havia uma lesão menor e seu desejo de sair foi bem recebido pela diretoria. Inclusive, lamentou não poder se despedir da torcida em campo.

“Tive momentos muito bonitos, mas também não faz muito tempo que perdemos uma final contra o River e outra contra o Tigre. É difícil colocar a camisa do Boca quando se sabe o que o torcedor quer. Se não ganha a Libertadores, vai ficar difícil. Se tivesse que pensar no que sinto, ficaria. Mas estou contente, porque esperei a oportunidade de jogar na Europa por toda a minha carreira e cumprirei um sonho”, complementou, ainda afirmando que deseja retornar à Bombonera no futuro.

Por sua vez, sem renovar o contrato de Mario Balotelli, o Olympique encontra um novo astro para ocupar a lacuna no ataque. O mercado dos celestes é lento, sem outras contratações de peso que endossem o momento de renovação sob as ordens de André Villas-Boas. Além do argentino, apenas o zagueiro espanhol Álvaro González chegou até agora. Há time para tentar voltar às competições continentais, o que não aconteceu na temporada passada, mas esperava-se uma postura mais agressiva da diretoria durante a janela. Benedetto vem como a grande aposta para impulsionar os marselheses, também precisando se provar. Encontrará no Vélodrome um ambiente igualmente passional.

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