Bem-vindos à Série C

A Série D define os times que sobem de divisão: CRAC, Mogi Mirim, Baraúnas e Sampaio Corrêa podem comemorar o acesso à Série C e estão com o ano ganho

Você sabia que neste fim de semanas foram definidos os quatro times que conseguiram acesso à Série C do Campeonato Brasileiro? Pois é, a Série D definiu seus semifinalistas e, assim, os quatro times que serão promovidos à terceira divisão nacional. Me darei o privilégio de contar o que aconteceu, porque infelizmente a Série D não tem transmissão televisiva nacional e recebe pouca atenção, apesar de ser fundamental para o futebol brasileiro.

A Série D é um torneio que tem só um time que fica com o título, mas tem quatro times que comemoram. Ser campeão é um detalhe, o mais importante é conseguir subir de divisão. Em um campeonato tão equilibrado e tão difícil, conseguir esse acesso é um feito para ficar na história dos clubes, dos jogadores e do técnico.

Todos os jogos decisivos são terríveis na Série D. A camisa pode até ajudar, mas a quarta divisão do Brasil é um jogo muito igual, muito disputado e dificilmente vemos um domínio muito grande de um time sobre o outro. O sistema de disputa é cruel. Depois de uma primeira fase com oito jogos em oito grupos de cinco times, os times vão para um mata-mata simples, em dois jogos, ida e volta.

Entre todos os times que disputam a competição, aquele que talvez seja o mais conhecido é o Juventude, mas ele caiu logo nas oitavas de final para o Cianorte. Venceu por 3 a 1 em casa, mas tomou 3 a 0 fora. É uma competição dura. Não há espaço para um jogo ruim no mata-mata.

Chegaram às quartas de final Mixto-MT x Sampaio Corrêa-MA, Campinense-PB x Baraúnas, CRAC-GO x Friburguense-RJ, Mogi Mirim-SP x Cianorte-PR. Classificar-se significaria um título. Significaria subir para a série C.

CRAC se agarra ao gol fora de casa

O CRAC foi o primeiro a garantir seu lugar. No sábado, o time de Goiás conseguiu a classificação, mas foi sofrido. No primeiro jogo, vitória em Catalão por 2 a 0. O time poderia até perder por um gol de diferença que avançaria. Só que foi mais difícil do que isso.

A vantagem era boa, mas aí o Friburguense meteu 3 a 0 em casa ainda no primeiro tempo. Avassalador. Foi em uma bola vadia que o time de Goiás arrancou um gol, um gol salvador. E foi um segundo tempo de pressão do time fluminense, que tentou, porque precisava do gol. Não veio. E o CRAC avançou. Estava na Série C, com muita tensão. É a marca da Série D.

Mogi leva no drama dos pênaltis

O Mogi Mirim jogou em casa o primeiro jogo, mas perdeu por 2 a 1. Teria que decidir fora e precisando vencer. Situação dificílima, mas a equipe do interior paulista foi para cima e dominou o jogo. Conseguiu devolver a derrota sofrida em casa pelo exato mesmo placar, 2 a 1, e levou a partida para os pênaltis. Uma vaga na Série C seria decidida nos pênaltis, o momento mais dramático do futebol.

Foram quatro cobranças do Sapão, que não desperdiçou nenhuma. O Leão do Vale, o Cianorte, não conseguiu converter já a primeira, o que aumentou a pressão. Depois de mais dois acertos, o último cobrador mandou para fora e definiu: Mogi 4×2 Cianorte. E o Mogi Mirim vai lutar na Série C em 2013.

Baraúnas vence sufoco sofrido em casa

Baraúnas e Campinense fizeram outro confronto. O primeiro jogo, na Paraíba, acabou 1 a 1. Tudo seria resolvido no segundo jogo. Até por ter empatado fora de casa, a vantagem era do Baraúnas. O começo do primeiro tempo mostrou que a disputa seria dura. O Campinense não dava mole e pressionava. Só que foi o Baraúnas que marcou 1 a 0 e tranquilizou um pouco a torcida.

Uma tranquilidade que não durou muito. A pressão dos visitantes fez a tarefa do Baraúnas ficar mais difícil. Parecia que o empate viria e era questão de tempo. Pressão, reclamação de arbitragem. Era o mundo que estava em jogo. No final, o Baraúnas pegou o Campinense de calças curtas no contra-ataque, marcou 2 a 0 e definiu. O time do Rio Grande do Norte estará na Série C em 2013.

A tensão e a alegria dos 38 mil de São Luís

Mixto e Sampaio Corrêa já tinham feito um jogo muito igual na ida, que acabou em um empate por 1 a 1 no estádio Dutrinha, em Cuiabá. Os dois times não sabiam, mas o gol da classificação foi marcado naquele dia 16 de setembro, naquele sábado.

O gol foi de Célio Codó, aos 18 minutos do segundo tempo, que deixou, àquela altura, o Sampaio Corrêa em vantagem. Furlan acabou empatando aos 42 minutos, mas aquele gol de Célio Codó acabaria sendo decisivo. E nada mais simbólico nesse caso que o gol fosse de alguém que carrega Codó, o nome de uma cidade do interior do Maranhão, como apelido.

O jogo de volta seria no recém-inaugurado Castelão, em São Luís. Mais de 38 mil pessoas e uma festa tremenda para que o Sampaio conseguisse subir. O jogo, como não poderia deixar de ser, foi de muita tensão. E tinha motivos: o Sampaio faz a melhor campanha na Série D. Não por pouco, mas por muito.

Na primeira fase, foram oito jogos e oito vitórias. Avassalador. Nas oitavas de final, empate por 2 a 2 fora de casa, vitória por 4 a 1 em casa. Classificação com autoridade. Significa que o Sampaio chegou para o jogo de volta com nove vitórias e dois empates. Aproveitamento espetacular. Tudo por um fio no jogo de volta. Qualquer gol seria mortal. O empate por 0 a 0 seguia.

O Sampaio era melhor, dominava, mas não marcava. Perder chances pode ter um custo muito alto. E esses erros passaram perto de cobrarem seu preço. Seria uma injustiça, mas é parte do esporte. No final, dois escanteios seguidos para o Mixto, que pressionou nos minutos finais, até que o árbitro apitasse pela última vez para determinar: o Sampaio está de volta à Serie C.

Ainda há a disputa das semifinais, com Sampaio Corrêa enfrentando o Baraúnas e o CRAC jogando com o Mogi Mirim. A contar pelo que fizeram até aqui, o Sampaio é favorito. Mas ganhar ou não o título, a essa altura, é o de menos. O que vale o ano para esses times é que chegaram à Serie C. E essa é a conquista que essas quatro equipes irão levar desde ano de 2012. É tudo que importa. Daqui até o ano que vem, quando a batalha é outra e irá recomeçar.