O Valencia atravessa uma temporada de sentimentos contrastantes. A demissão de Marcelino García Toral não caiu bem no Mestalla, mas a torcida aprende a confiar no trabalho de Albert Celades e, apesar de alguns tropeços, a equipe voltou a corresponder nos últimos meses. Já neste sábado, a glória dos valencianos refletiu também a aflição máxima do Barcelona. Sem qualquer apelo, o Valencia derrotou os blaugranas por 2 a 0. Os Ches criaram muito mais ocasiões, pararam nos milagres de Marc-André ter Stegen e até foram prejudicados pela arbitragem. O Barça sabe quão fundo é seu buraco, sem que o “fato novo” de Quique Setién surta efeitos. Outra vez se viu um time estéril com a posse de bola e suscetível na defesa.

O primeiro tempo, mesmo terminando sem gols, já seria desastroso ao Barcelona. A equipe podia até rezar na cartilha do cruyffismo, com o domínio da posse de bola no campo de ataque, mas era inócua e se expunha ao Valencia. Muito mais contundente, o time da casa esteve próximo do gol várias vezes. Assim como acontecia nos tempos de Ernesto Valverde, Ter Stegen salvava a pele de sua equipe. O goleiro pegou um pênalti logo aos dez minutos, espalmando a cobrança de Maxi Gómez. Depois, evitou um gol contra de Gerard Piqué, antes de um milagre aos 28. Rebateu a bomba de Gómez contra o travessão, antes de desviar com a pontinha dos dedos o arremate de Kévin Gameiro. No fim, ainda seguraria outro chute de Francis Coquelin.

Pouco antes do intervalo, o Valencia se sentiu prejudicado pelo árbitro. Em um contra-ataque claríssimo, o apito soou por uma falta anterior e parou a jogada. O próprio Jesús Gil Manzano admitiu o erro e pediu desculpas. Pelo menos, o vacilo não causaria impacto no placar. O Barça até voltou com outra atitude para o segundo tempo, mas logo sucumbiu. Ansu Fati desperdiçou ótima bola logo no primeiro minuto e os valencianos abriram o placar aos três. Em cruzamento que a zaga não conseguiu afastar, Gómez chutou a sobra e contou com o desvio de Jordi Alba no meio do caminho, para enfim superar Stegen. O gol foi creditado ao lateral, contra.

Com a desvantagem no placar, o Barcelona foi obrigado a ser mais agressivo. A entrada de Arturo Vidal no lugar de Arthur enfatizou isso. O Valencia, no entanto, fazia uma partida monumental também na defesa. A equipe estava muito encaixada para neutralizar os visitantes e contava com um gigantesco Gabriel Paulista no miolo de zaga. O brasileiro atuava com toda a sua garra. Realizou desarmes precisos e também dominava a área pelo alto. O ataque com Lionel Messi e Antoine Griezmann mal não conseguiu se criar.

Messi (sempre ele) insistia, mas não estava bem. O ataque do Barcelona praticamente se resumiu às tentativas do artilheiro, que não encontrava espaços para finalizar da melhor forma. Jaume Domènech só trabalhou aos 28 minutos, numa cobrança de falta do argentino que exigiu uma bela ponte do arqueiro. E, do outro lado, a bola puniu pouco depois. O segundo gol do Valencia aconteceu aos 32, novamente com Maxi Gómez. Em ataque rápido, Ferrán Torres limpou a marcação e encontrou o centroavante sozinho pelo lado esquerdo. Gómez pôde dominar e bater com capricho no contrapé de Ter Stegen, que não teve o que fazer.

A partidaça de Gabriel Paulista poderia ter sido coroada três minutos depois. Poderia, porque Jesús Gil Manzano de novo atrapalhou o Valencia. Após uma cobrança de escanteio pela direita, o zagueiro emendou de voleio e mandou a bola no canto de Ter Stegen. Porém, o árbitro anulou o tento. Marcou uma infração que ninguém entendeu direito e mandou voltar o lance. Seria a implosão do Barça. Nos minutos finais, Messi tentou diminuir o fracasso e seguiu arriscando, sem passar por Domènech. A merecida festa era do Valencia, que não vencia o Barcelona no Mestalla desde 2008.

Quique Setién terá muito mais trabalho que o esperado no Camp Nou. Não adianta mudar o sistema de jogo se a equipe permanece com carências e fragilidades. O treinador até busca readaptar o esquema tático, com três zagueiros, e apela à posse de bola. Todavia, o diagnóstico atual é de uma equipe exposta e pouquíssimo incisiva – pelo terceiro compromisso consecutivo. Melhor ao Valencia, que celebrou uma tarde esmagadora. A equipe de Albert Celades chega aos 34 pontos no Campeonato Espanhol e encosta na zona de classificação à Champions. Já o Barcelona permanece na liderança, com 43 pontos, mas abre alas para o Real Madrid se isolar neste domingo. Os merengues fecham a rodada com a visita ao Valladolid.

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