Passadas quatro rodadas da fase de grupos da Liga dos Campeões, os clubes alemães não podem reclamar da própria sorte. Estão todos na liderança de seus grupos, com a vaga para as oitavas de final bem encaminhada. Os bons resultados das duas últimas rodadas apagaram a má impressão deixada na segunda rodada, quando os três representantes levaram gols nos últimos minutos e não venceram seus jogos. E fundamentalmente mostram que os três times serão adversários difíceis para qualquer um nas oitavas de final.

Quem deu esse recado com mais força, apesar de não precisar, foi o Bayern Munique. A goleada por 6 a 1 sobre o Lille nesta quarta-feira mostrou que o time já se recompôs da derrota surpreendente para o Bate Borisov e vai brigar com o Valencia pela primeira posição do Grupo F jogando apenas pelo empate no confronto direto na próxima rodada. Mais do que isso, a forma como a vitória foi construída impõe respeito em qualquer time que tenha visto o jogo e mostra que, quando os bávaros querem, são capazes de fazer estragos irreparáveis.

O placar de 6 a 1 é enganoso. Poderia ter sido muito maior se o time bávaro não tivesse reduzido para a terceira marcha depois dos 33 minutos, quando já vencia por 3 a 0. E mesmo na terceira marcha, Arjen Robben, que voltou ao time titular após um longo tempo, perdeu pelo menos três chances claríssimas de ampliar o placar e Toni Kroos também desperdiçou a sua. Em suma, o Bayern Munique poderia ter feito pelo menos 10 a 1 com total facilidade, e o resultado não seria injusto diante da disparidade entre as duas equipes.

O Borussia Dortmund também deu mais uma prova de que cresceu. Fez um primeiro tempo fantástico contra o Real Madrid, foi para o intervalo vencendo por 2 a 1 e suportou uma pressão gigantesca no início do segundo tempo. No fim, porém, Mesut Özil empatou com um gol de falta, contando com a falha do goleiro Roman Weidenfeller, que tinha feito uma série de grandes defesas durante a partida. O 2 a 2 foi cruel com os aurinegros, mas não foi um resultado totalmente ruim, pois mantém o time na liderança do Grupo D com oito pontos.

A classificação para as oitavas de final está próxima. Basta apenas um empate contra o Ajax na próxima rodada, ou contra o Manchester City na última partida, e a vaga está garantida, coroando um trabalho muito bem feito que já dura três anos e tem sido capaz de ameaçar a hegemonia do Bayern Munique. Agora, com mais experiência internacional, o time tem mostrado mais poder de decisão nas horas importantes e segurado os resultados quando necessário, sobretudo com a consistência defensiva da dupla formada por Mats Hummels e Neven Subotic. E no ataque, Marco Reus deu o poder de fogo que faltava para que os contragolpes fossem decididos com mais precisão.

Por fim, o Schalke 04. Venceu o Arsenal em Londres e saiu de uma desvantagem de 2 a 0 para cavar um empate em Gelsenkirchen. Apesar de terem um elenco um pouco inferior a Bayern Munique e Dortmund, os azuis reais contaram com a habilidade de Jefferson Farfán e o surpreendente desempenho de Lewis Holtby para não perder no confronto. Com a vantagem no confronto direto, basta apenas derrotar Olympiacos e Montpellier nos últimos dois jogos para que o Schalke garanta o primeiro lugar do grupo

Todo esse bom desempenho se reflete no coeficiente da Uefa. A Alemanha,terceira colocada, só aumenta a diferença para a Itália, que ocupa a quarta posição e conta apenas com Juventus e Milan como representantes na Liga dos Campeões. A diferença poderá aumentar ainda mais no fim do ano, com o bom desempenho das equipes, e fazer com que os clubes alemães (exceto o Bayern) voltem a ser respeitados da devida maneira e incomodem os gigantes do continente.