O Bayern de Munique foi eliminado da Champions League nesta quarta-feira (13) em um jogo que foi claramente superado, técnica e taticamente, pelo Liverpool, mesmo atuando em Munique. O Bayern sofre um processo de envelhecimento, que acontece em muitos times vencedores. O clube bávaro parecia ter um plano de manter-se entre os principais times europeus constantemente, mas o nível de atuação tem caído. E os problemas estão cada vez mais evidentes. Há uma necessidade de renovação que vai além da questão do envelhecimento, porém. É preciso mudar muito o time para que ele volte a ter o patamar competitivo que já foi visto em anos anteriores.

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Mais que o resultado, o Bayern foi eliminado devendo desempenho. O time foi superado pelo Liverpool na bola, em casa. Os principais nomes do time desde a conquista da Champions League em 2012/13 perderam protagonismo. Arjen Robben, 35 anos, continua sendo um jogador de alto nível, mas o físico já não o permite ser tão decisivo e muito menos constante – estava ausente na partida desta quarta-feira, por exemplo. Franck Ribéry, 35 anos, também já não rende o mesmo e nem tem o mesmo físico. Está claro que o time precisa renovar.

Havia um plano: Douglas Costa chegou ao Bayern em 2015 para ser um dos substitutos na ponta, mas não esteve à altura. Teve problemas dentro e fora de campo, problemas físicos com as lesões recorrentes e já até deixou o clube, ao se transferir para a Juventus em 2018. O outro ponta para ser substituto dos veteranos era Kingsley Coman, atualmente com 22 anos, que veio da Juventus em 2015. Em campo, Coman mostrou qualidades, mas no seu caso os problemas físicos foram muito pesados. Ficou ausente muito tempo.

De todos os contratados como alternativas, quem se sai melhor, é Serge Gnabry, que faz uma ótima temporada pelo Bayern. Ele tem sido muito participativo nos gols do Bayern, como foi no único gol marcado pelo clube nesta quarta. Só que o nível está longe do que faziam Robben e Ribéry nos seus auges. E isso tem um impacto, porque o time tem ambições de um time como aquele campeão europeu de 2013.

Quem chega para tentar melhorar o setor é Alphonso Davies, de 18 anos, mas ele ainda é muito jovem e precisa se desenvolver para chegar ao nível dos veteranos que precisará substituir. Talvez o Bayern precise ir ao mercado para gastar o que sempre se recusa a fazer nesses casos. Sair de Ribéry e Robben para substitutos nem sempre é uma tarefa fácil e os primeiros escolhidos não deram tão certo. E olha que este não  é o único setor que o time precisa de renovação.

Com isso, o que aconteceu foi que em um jogo decisivo contra o Liverpool em casa, Ribéry, com 35 anos, foi titular da ponta esquerda do Bayern e foi muito bem marcado por um lateral de 19 anos: Trent Alexander-Arnold. O time não foi envolvente, não foi criativo, não teve a presença ofensiva necessária para empurrar um time como o Liverpool para o seu campo. No segundo tempo, foi uma nulidade. O time tem alguns nomes jovens que podem ser melhor usados, como Leon Goretzka, 24 anos, que atua mais no centro do campo ou como meia-atacante. Tem Thiago Alcântara, ainda uma referência, aos 27 anos.

Há problemas de renovação desde o setor defensivo. Manuel Neuer, capitão do time, tem 32 anos e não voltou ao seu nível desde a lesão que o deixou uma temporada inteira fora até chegar para jogar a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Na zaga, Niklas Süle é jovem, com 23 anos, mas é um zagueiro bem diferente de Jérôme Boateng e Mats Hummels, ambos de 30 anos, que já não conseguem render como já renderam, ainda que a idade não seja tão avançada.

Rafinha foi o lateral direito, mas este também parece trilhar o caminho para deixar o clube. Aos 33 anos, é especulado para voltar ao Brasil. Joshau Kimmich é um latera mais confiável e mais jovem, com 24 anos, embora deixe muitos espaços na área defensiva. Funcionava bem no estilo de Pep Guardiola, que trazia os laterais para dentro e os fazia armar o jogo também, ampliando o campo com os pontas, muito mais eficientes então.

No ataque, temos dois jogadores que atuam como veteranos, mas em termos de idade ainda estão longe disso. Thomas Müller, 29 anos, é um dos jogadores mais decisivos da história recente do clube, mas o seu rendimento nas duas últimas temporadas tem sido muito abaixo da média. Robert Lewandowski, 30 anos, é um dos principais jogadores do time, mas é criticado por não ser decisivo como se espera dele nos momentos mais importantes.

Há de se ressaltar que quando Pep Guardiola era técnico, havia uma grande crítica pelo seu desempenho na Champions League – onde chegou no máximo à semifinal da competição. Em termos de desempenho, porém, o time era muito superior. Em parte, a fase dos jogadores era melhor, e eles eram mais jovens também. A crítica a Guardiola parecia um pouco pesada, diante de um desempenho do time que era espetacular. Seria preciso um processo de renovação já com Guardiola, mas o desgaste entre ele e a diretoria já não permitiria mais. O problema é que sem ele o time também não conseguiu fazer isso, nem com Carlo Ancelotti, nem com Jupp Heynckes, técnico tampão, e nem com Niko Kovac, comandante atual. E com quem será?

A renovação que o Bayern precisa se assemelha, em parte, ao que o Real Madrid precisa fazer. O comandante desse processo precisa ser alguém com total respaldo da diretoria, com uma estratégia de clube. Parece difícil acreditar que esse treinador será Niko Kovac. O Bayern precisa definir os seus rumos, porque está ficando para trás entre as potências europeias. Nos últimos 10 anos, viemos uma dominância de Real Madrid, Barcelona e Bayern.

Os bávaros parecem ter ficado para trás. Precisará repensar seus rumos, porque já olha da janela Juventus e Liverpool à frente. Quanto mais demorar, mais corre o risco de ficar para trás na corrida. Times como o Manchester City estão ávidos para ocuparem um lugar à mesa daqueles que não se mostrarem capazes de se manterem ali. Em um grupo de jogadores que já venceu tanto e de tantas formas, será preciso uma avaliação que além de física e técnica, passe também por questões de grupo, de formação de elenco. Uma missão difícil que exigirá um esforço coletivo. E que precisa chegar logo.