Durante os últimos anos, o Bayern de Munique contou com equipes mais ofensivas, mais sufocantes, mais goleadoras que a atual. No entanto, este é um time bastante competitivo. Talvez, o que apresenta as melhores condições de retornar a uma final de Liga dos Campeões desde a Tríplice Coroa de 2012/13. E isso se deve muito à maneira como Jupp Heynckes encaixou o grupo, aproveitando as características de seus jogadores. Não se expõe na defesa, explora a voracidade do ataque e, dentro de sua rotação, preserva as energias dos jogadores ao momento decisivo da temporada. Nesta quarta, o Bayern deu mais um passo na Champions. Mesmo sem ser brilhante, foi melhor que o Sevilla e, principalmente, soube administrar a vantagem de 2 a 1 no placar agregado, conquistada no primeiro jogo. O empate por 0 a 0 na Allianz Arena já valeu para confirmar a classificação às semifinais – a sexta nas últimas sete temporadas.

Jupp Heynckes escalou um time tarimbado nesta quarta-feira. Em meio à sua rotação, diante da ausência de David Alaba, Rafinha entrou na lateral esquerda – completando o quarteto composto por Joshua Kimmich, Mats Hummels e Jérôme Boateng. No meio, Javi Martínez fechava a cabeça de área, com James Rodríguez e Thomas Müller ajudando no combate pela faixa central. Arjen Robben e Franck Ribéry caíam pelas pontas, enquanto Robert Lewandowski servia de referência ao ataque. Já pelo Sevilla, uma formação bastante leve, apostando nas subidas de Jesús Navas e Sergio Escudero pelas laterais. Steven N’Zonzi e Banega davam a estabilidade no meio-campo, como volantes. Mais à frente, a trinca formada por Pablo Sarabia, Franco Vázquez e Joaquín Correa, apoiando o artilheiro Wissam Ben Yedder.

Não foi um primeiro tempo tão simples ao Bayern de Munique, apesar de sua superioridade. O Sevilla tinha mais posse de bola, mas os bávaros controlavam as situações a partir de sua forte marcação. E o time de Jupp Heynckes conseguiu ser bem mais perigoso no início, criando as primeiras chances de gol. James Rodríguez cobrou falta perigosa por cima do travessão e o goleiro David Soria deu um tapinha para desviar cabeçada de Lewandowski. Dois bons avisos sobre os cuidados que os andaluzes teriam que tomar, caso se abrissem rumo ao ataque.

Aos poucos, o Sevilla também começou a chegar. Confiava pela velocidade nos lados do campo, tentando abrir a defesa do Bayern. Faltava mais qualidade na conclusão das jogadas, com a marcação quase sempre chegando junto ou forçando os erros nas finalizações. E se não era a partida mais deslumbrante dos bávaros, o alto nível de atenção garantia certo conforto. O time da casa voltou a crescer a partir dos 30 minutos, com Ribéry e Robben incendiando o seu ataque. Foram mais alguns lances de perigo, mas nada que alterasse o placar.

No início do segundo tempo, o Bayern voltou a buscar o gol que selasse a classificação. Os bávaros aceleravam o ritmo e arriscavam bastante. Por muito pouco, Lewandowski e Ribéry anotaram. O Sevilla acordou aos 13, a partir de uma bola parada. Cruzamento na área e a cabeçada de Joaquín Correa bateu no travessão. Foi a deixa para que os andaluzes se empolgassem, se postando mais no campo de ataque. Não passou disso. Vincenzo Montella trocou Ben Yedder por Luis Muriel, assim como Sarabia por Sandro Ramírez, sem surtir grandes efeitos. Mais contido, o time de Jupp Heynckes fechava os espaços e tentava gastar um pouco mais o tempo com a bola nos pés.

A entrada de Thiago Alcântara na vaga de Ribéry auxiliou ainda mais o Bayern a ditar o ritmo da partida. Apesar da necessidade do Sevilla, o jogo desacelerou em sua reta final, com os bávaros travando as investidas na entrada de sua área. Quando os rojiblancos assustavam um pouco mais, era forçando bolas longas, mas nada que os alemães tivessem problemas a afastar. Rafinha e Hummels, principalmente, fizeram grandes papéis defensivos. Aos 41, o brasileiro foi substituído por Niklas Süle, recebendo sonoros aplausos. Ao final, o relógio terminou de estrangular o Sevilla – que ainda se descontrolou com a expulsão de Correa nos acréscimos, entrando com força desnecessária em Javi Martínez. Apesar dos ânimos exaltados, prevaleceu a festa alemã na Allianz Arena.

Ao Sevilla, resta reconhecer o feito imenso que foi esta campanha na Champions. Diante de todas as limitações da equipe, eliminar o Manchester United e ameaçar o Bayern de Munique valeu muito. Por mais que os andaluzes tenham suas virtudes, falta consistência na defesa e precisão no ataque. O time de Montella já foi além de suas possibilidades e, como esperança final na temporada, tentará ser mais um a surpreender o Barcelona na final da Copa do Rei.

Já o Bayern não vem com a badalação de Roma ou Liverpool, nem mesmo com o lastro do Real Madrid. Mas será um adversário para ser temido por todos. Elenco por elenco, talvez os bávaros contem com mais peças para mudar as partidas. Não brigam por mais nada na Bundesliga e podem concentrar forças na Champions. E há um velho lobo como Heynckes no banco de reservas, à espreita do terceiro título continental de sua carreira. Que tenha pegado um caminho mais fácil, o Bayern não é menor por isso. Obviamente, há detalhes a se acertar, especialmente porque alguns dos protagonistas não estão em seu nível mais devastador. Ainda assim, as variações possíveis e o encaixe dentro da proposta de Heynckes deixam o time em boas condições de competir pela final.

Bayern de Munique 0x0 Sevilla

Local: Allianz Arena, em Munique
Árbitro: William Collum (ESC)
Gols: Nenhum
Cartões amarelos: Sandro Wagner (Bayern); Gabriel Mercado, Ever Banega, Steven N’Zonzi (Sevilla)
Cartões vermelhos: Joaquín Correa (Sevilla)

Bayern de Munique
Sven Ulreich, Joshua Kimmich, Jérôme Boateng, Mats Hummels, Rafinha (Niklas Süle, 41’/T); Javi Martínez; Arjen Robben, James Rodríguez, Thomas Müller, Franck Ribéry (Thiago Alcântara, 26’/2T); Robert Lewandowski (Sandro Wagner, 32’/2T). Técnico: Jupp Heynckes.

Sevilla
David Soria, Jesús Navas, Gabriel Mercado, Clément Lenglet, Sergio Escudero; Steven N’Zonzi, Éver Banega; Pablo Sarabia (Sandro Ramírez, aos 25’/2T), Franco Vázquez (Nolito, aos 36’/2T), Joaquín Correa; Wissam Ben Yedder (Luis Muriel, 20’/2T). Técnico: Vincenzo Montella.