O Bayern de Munique reestabeleceu a monotonia da Bundesliga neste sábado. Diante do até então líder Borussia Dortmund, os bávaros entraram rugindo como leões, enquanto os adversários pareceram como uma indefesa zebra. O Dortmund de Lucian Favre foi devorado e saiu de campo humilhado. O placar de 5 a 0 veio com um começo avassalador, fragilizando de vez os aurinegros, que desmoronaram. Robert Lewandowski, mais uma vez, foi algoz, com dois gols, colocando novamente o seu time no caminho de levantar a salva de prata da Bundesliga.

A primeira grande chance foi do Dortmund. Aos seis minutos, em um contra-ataque muito rápido, Marco Reus recebeu na ponta esquerda, cruzou rasteiro e Dahoud, livre no meio da área, tocou rasteiro. A bola tocou o pé da trave, com Manuel Neuer paralisado, mas saiu. O placar seguia no zero. O Dortmund sonharia em voltar a esse momento depois disso.

O gol, porém, foi do Bayern em seguida, aos nove minutos. Em cobrança de escanteio, o zagueiro subiu entre os defensores do Dortmund para marcar 1 a 0. O zagueiro, ex-Dortmund, subiu tão livre que parecia um treino. Lukasz Piszczek e Manuel Akanji marcaram a bola e o zagueiro bávaro subiu e cabeceou para balançar as redes.

O Bayern aproveitou outra chance que teve aos 17 minutos. Uma lambança total da equipe aurinegra, com Zagadou tentando um passe que Lewandowski interceptou, viu o goleiro Bürki sair do gol, deu um chapéu no goleiro e tocou para o gol, ainda de fora da área, e marcou: 2 a 0. Um vacilo que custou muito caro para o Dortmund. Mas estava longe de ser o fim do pesadelo. Era só o começo.

Os dois gols não pararam o Bayern. Lewandowski ainda tentou de novo logo em seguida, em um chute cruzado que Bürki jogou para escanteio. Na cobrança, novamente no meio da área, Thomas Müller subiu e obrigou novamente Bürki a defender. Era a sensação de um rolo compressor bávaro. Pressão alta nos primeiros 30 minutos, seguidos de uma pressão um pouco mais recuada em seguida.

O ritmo do jogo diminuiu um pouco e o Dortmund até deu alguns passos para o ataque. Nada que assustasse Neuer, nada que causasse um “uh” que fosse na torcida. Até que aos 41 minutos, em uma cobrança de falta ensaiada, Thiago Alcântara levantou para Thomas Müller, que tentou finalizar, a bola bateu na zaga e sobrou fora da área para Javi Martínez. O camisa 8 do Bayern chutou de primeira, no canto, forte e colocado: 3 a 0. Sem chance para o goleiro. Sem chance para o Dortmund. Um atropelamento total.

Antes que o Dortmund pudesse assimilar o golpe, aos 42 minutos, o Bayern aproveitou para enfiar a faca e rodar. Lewandowski abriu na ponta direita para Müller, que puxou para a pena esquerda e cruzou para Serge Gnabry, na segunda trave. O camisa 22 cabeceou com precisão, no canto, e marcou impressionantes 4 a 0. O jogo já tinha acabado a essa altura, mas ainda havia um tempo inteiro a ser jogado.

É difícil imaginar o que se passou no vestiário do Dortmund. Com um 4 a 0 contra, parece improvável tentar fazer toda a força possível para vencer. Seria tentar escalar o monte Everest sem qualquer equipamento, apenas com as mãos. A vaca já tinha ido para o brejo, como se diz popularmente. Então, o que restava? Tentar impedir um massacre ainda maior, uma humilhação ainda mais profunda. O segundo tempo foi basicamente de administração do jogo por parte dos bávaros, que continuaram no campo de ataque na maior parte do tempo. Se alguém merecia um gol no segundo tempo, era o Bayern. E, bom, aconteceu.

Aos 43 minutos, o Bayern ainda marcou mais um gol. Gnabry entrou na área do Dortmund como se estivesse na sala da sua própria casa e rolou para o meio da pequena área, onde Lewandowski nem teve trabalho: só rolou para o gol vazio e marcou 5 a 0. O jogo estava decidido, mas o Bayern fez questão de dar mais uma estocada final.

O massacre foi cruel e tamanho que torcedores do Dortmund foram filmados enquanto choravam. A liga não está perdida, em pontos: o Bayern assumiu a liderança, é verdade, mas está apenas um ponto à frente, 64 a 63 pontos. São seis jogos em disputa, então é perfeitamente possível que o Dortmund ainda possa aproveitar um vacilo dos adversários para saltar para a liderança novamente. Isso tudo é o racional.

O emocional do Dortmund foi sair de cabeça baixa da Allianz Arena, humilhada por um desempenho ridículo, que não passou nem perto de ser competitivo em nenhum momento do jogo. O time precisa se reagrupar para seguir adiante. Ainda é possível. Mas será preciso se construir emocionalmente. Um jogo como este é de destroçar qualquer time. Como o leão quando ataca vorazmente uma zebra. Por mais que sobreviva, a zebra terá danos graves para lidar a partir dali.