Em um gesto de solidariedade que poderia abrir um precedente bacana nesta crise de coronavírus, Bayern de Munique, Borussia Dortmund, RB Leipzig e Bayer Leverkusen irão doar € 20 milhões ao restante dos clubes da Bundesliga e da Bundesliga 2, a segunda divisão alemã, para a inevitável batalha financeira que virá pela frente depois que a pandemia passar e deixar terra arrasada financeiramente.

Os quatro clubes são os representantes da Alemanha na Champions League da atual temporada. Segundo o site da Bundesliga, eles decidiram abrir mão de € 12,5 milhões que tinham a receber das receitas de direitos de TV nacionais da próxima campanha e acrescentaram ainda a essa quantia € 7,5 milhões de seus próprios recursos.

A soma de € 20 milhões será destinada à DFL, a Liga de Futebol Alemão, que irá então decidir como repartir este dinheiro entre os outros 14 clubes da Bundesliga e os 18 da Bundesiga 2.

Christian Seifert, diretor-executivo da DFL, exaltou o gesto dos quatro clubes, afirmando que a campanha “sublinha que a solidariedade na Bundesliga e na Bundesliga 2 não é da boca pra fora. A DFL é muito grata aos quatro participantes da Champions League em termos da comunhão de todos os clubes”.

Como todas as ligas do mundo, a Bundesliga poderá ter perdas na casa das centenas de milhões de euros com a paralisação forçada pela crise sanitária do coronavírus. Segundo o jornal Frankfurter Allgemeine, se o Campeonato Alemão tiver suas últimas nove rodadas canceladas, a perda poderia ser de € 770 milhões entre direitos de televisão, patrocínios e bilheteria.

Com a prioridade do governo de oferecer ajuda às empresas e à população, o professor Christoph Breuer, do Instituto de Economia e Administração Esportivas, da Universidade dos Esportes de Colônia, sugeriu que “uma abertura para investidores seria uma alternativa mais economicamente sensata”, abrindo mão da regra do 50+1.

Se a dúvida paira sobre os clubes das primeiras divisões, a situação para aqueles das divisões inferiores é ainda pior. A incerteza sobre a continuidade da existência dessas instituições financiadas principalmente pelas vendas na bilheteria é também compartilhada por clubes menores de todos os países.