Em condições normais, o Bayern Munique não perderia a vaga para o Arsenal, jamais. Em condições anormais, também não perderia, assim como não perdeu. Mas escapou fedendo, com muito mais sorte do que juízo. E um resultado inadmissível na Allianz Arena para carregar para as próximas rodadas. Mais do que isso, um grande alerta para o jogo contra a Juventus pelas quartas de final, onde qualquer vacilo poderá ser fatal.

Não, não se trata de volume de jogo, pois o Bayern Munique chutou 23 bolas contra apenas cinco dos ingleses. O problema é que foram apenas cinco dentro do gol, e nenhuma delas entrou. Um time que se propõe a ser o melhor do mundo não pode tomar dois gols com a facilidade que tomou. Os bávaros, em alguns momentos, ficaram muito expostos a contragolpes, e por pouco a tragédia definitiva não ocorreu. Uma eliminação seria pior do que a derrota na final da Liga dos Campeões da temporada passada contra o Chelsea. Seria quase tão desmoralizante quanto ser preso em flagrante mijando na rua.

Ficam algumas lições, e a primeira delas é que Franck Ribéry é essencial ao time. É dos pés do francês que saem as grandes jogadas em velocidade, os grandes estalos de genialidade. Robben, que foi escalado no lugar dele, é um cracaço de bola, sem dúvidas, mas nessa temporada parece sentir os efeitos do que não fez na final de 2011/12. Não acerta o que tenta e está muito abaixo do nível que já mostrou um dia. Além, é claro, de continuar se contundindo com frequência. Xherdan Shaqiri, não se sabe bem o porque, não foi aproveitado. Logo ele, que poderia dar mais velocidade ao jogo.

Outro que fez uma imensa, uma incomensurável falta, foi Bastian Schweinsteiger. Sem ele, machucado, a bola não rodou pelo meio como deveria. Tudo bem, Javi Martínez e Luiz Gustavo são grandes jogadores, e Toni Kroos foi um dos poucos a fazer um bom jogo. Mas faltou aquele toque de qualidade, o dinamismo característico dos bávaros na Bundesliga, e nesse ponto Schweinsteiger é quase inigualável com a bola no pé.

Por fim, vale dizer que a exibição de Mario Mandzukic beirou o ridículo. Discreto, quase não foi notado em campo e deu lugar a Mario Gomez, que se prepara cada vez mais para ganhar a posição. A empatia de Gomez com a Liga dos Campeões é inegável, e o Bayern precisará de um jogador assim para enfim atingir seu objetivo máximo na competição.  E de um zagueiro melhor também, pois quem tem Van Buyten no time titular sempre corre muitos riscos. O belga, que não inspirava confiança quando era novo, manteve o padrão e é bom que Jérôme Boateng volte ao time logo, pois será mais do que necessário.

O sorteio

Bom, sobre o sorteio é fácil dizer: se o Barcelona for o mesmo time que estraçalhou o Milan no Camp Nou, só teremos um grande jogo nas quartas de final: Bayern Munique x Juventus. E os bávaros possuem um leve (levíssimo) favoritismo, pois têm uma equipe que joga junto há mais tempo e está mais acostumada a esses confrontos decisivos na Liga dos Campeões. Mas a Juve conta com Pirlo, e Pirlo joga muita bola. E quando olha os alemães do outro lado, Pirlo parece ter mais vontade ainda de arrebentar com o jogo. Foi assim com a seleção italiana na Copa de 2006 e na Euro 2012.

O Borussia Dortmund, por sua vez, teve sorte: encara o Málaga, o segundo pior entre os oito que se classificaram (o pior é o Galatasaray, que enfrenta o Real Madrid). Mas o Porto achou a mesma coisa quando viu o Málaga pela frente e agora está chupando o chicabon da melancolia, chorando as pitangas da eliminação. Götze, Lewandowski e companhia são realmente favoritos, mas não podem relaxar em hipótese alguma.