Foi um pouquinho mais sofrido do que a fanática e apaixonada torcida do Newcastle esperava – e merecia -, mas o Newcastle restringiu sua segunda passagem pela segunda divisão inglesa em oito anos em uma única temporada. Depois dos resultados do fim de semana, o clube do norte da Inglaterra precisava de apenas um ponto contra o Preston North End para garantir o acesso à Premier League. Conseguiu muito mais do que isso: goleou por 4 a 1 e não pode mais ser alcançado pelo terceiro colocado Reading.

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Na realidade, a surpreendente derrota do Reading para o Nottingham Forest, no último sábado, havia praticamente assegurado o retorno do Newcastle. Eram seis pontos de diferença e 37 de saldo, a duas rodadas do final. Mas é sempre bom aguardar o momento em que a matemática encontra-se com os anseios da torcida antes de comemorar. Até porque a equipe treinada por Rafa Benítez não estava em boa fase. Havia perdido para o Sheffield Wednesday e para o Ipswich Town e apenas empatado com o Leeds nas últimas três rodadas. Somava apenas duas vitórias em oito jogos pela Championship.

Apesar da ótima campanha – 88 pontos, com 27 vitórias, sete empates e dez derrotas – a pior sequência do Newcastle no torneio simboliza uma caminhada relativamente irregular, considerando a superioridade financeira do clube em relação aos outros concorrentes da segunda divisão inglesa. Apesar da queda, o clube apostou na continuidade. Manteve Rafa Benítez no comando técnico, e não perdeu tantos jogadores quanto um rebaixado costuma perder. Entre os principais, vendeu Sissoko para o Tottenham e Wijnaldum para o Liverpool, por £ 53 milhões. Perdeu Townsend, Janmaat, Cabella e Papiss Cissé e não renovou os contratos de veteranos como Coloccini, 34 anos, e Steven Taylor, que estava há 13 anos no St. James Park. Gastou £ 54 milhões em contratações, o segundo maior investimento da Championship, atrás do Aston Villa. Tem o elenco mais caro da competição, de acordo o Transfermarkt.

Os principais reforços foram Dwight Gayle, do Crystal Palace, e Matt Ritchie, do Bournemouth. Cada um custou aproximadamente £ 10 milhões. E corresponderam. Gayle é o terceiro artilheiro da Championship, com 22 gols em 31 partidas, e Ritche, meia-direita, atuou em 42 dos 44 jogos da segunda divisão, com 12 tentos marcados, três de pênalti. A defesa liderada pelo goleiro Kar Darlow, protegida pela dupla de zagueiros Jamaal Lascelles e Ciaran Clark, outro recém-chegado, levou apenas 40 gols, a segunda melhor marca do torneio, atrás do líder Brighton.

A campanha começou com duas vitórias nas primeiras quatro rodadas, antes de emendar oito triunfos seguidos. Na sequência, perdeu para Blackburn e Nottingham Forest, que acabaram no rodapé da tabela, e ganhou de Birmingham, Wigan e Burton Albion, no meio de dezembro. Foi na época do Natal que a irregularidade começou a ser relevante: o Newcastle nunca mais conseguiu ganhar três jogos seguidos pela Championship. Venceu apenas metade das últimas 22 rodadas e seis desses 11 triunfos foram por um gol de diferença.

Nesta segunda-feira, o cenário foi outro. Mais solto, com a vaga praticamente garantida, Ayoze Pérez abriu o placar, aos 7 minutos. Hugill empatou, aos 14, mas Atsu restaurou a vantagem antes do intervalo. Ritchie, de pênalti, e novamente Pérez construíram a goleada na segunda etapa. Foi a primeira vez desde 21 de janeiro que o Newcastle marcou quatro gols em uma partida da segunda divisão.

 

Como no rebaixamento anterior, em 2009, o Newcastle passou apenas uma temporada na segunda divisão. Não se esperava nada menos do que isso, depois de sua torcida corresponder ao momento. Apesar de eternamente irritada com o dono Mike Ashley, ela produziu a melhor média de público do clube desde 2008, com 51.053 pessoas por jogo, a melhor da Championship com folga – o vice-líder desse critério é o Aston Villa, com 32.073. Teve um total superior a 1,1 milhão de pessoas no acumulado de todos os jogos. São números muito relevantes em um torneio no qual os clubes ainda dependem bastante da receita de bilheteria.

Na última vez em que caiu, o Newcastle voltou com o título, que parece improvável no momento, já que o Brighton tem quatro pontos de vantagem, a duas rodadas do fim. O mais importante, porém, é que o tetracampeão inglês – o último título foi em 1927 – e sua bela torcida estão de volta à elite da Inglaterra.