Batalha vencida, Bastião ferido

Bastião, no dicionário, é um substantivo pode significar: base inabalável, fortaleza, referência, movimento de resistência, Obra avançada de uma fortificação, com dois flancos e duas faces. Trazendo para a linguagem do futebol, Bastião pode ser alguém em quem o time pode confiar sempre, um jogador forte psicologicamente, resistente fisicamente e, acima de tudo bom de bola. Alguém que seja o ponto de equilíbrio do time, se destaque por sua tenacidade e regularidade. Poucos clubes no mundo podem se orgulhar de ter um jogador assim, e o Bayern Munique é um deles, mas o perdeu por seis semanas nesta quarta-feira.

Os bávaros têm um bastião bem no coração de seu meio-campo. Melhor dizendo, Bastian. Mudança de grafia pelo simples fato de ser alemão. Schweinsteiger. O mundo da bola o conhece pelo sobrenome e pelo talento. Jogador que marca, ataca, dá opções de jogadas, dita o ritmo de jogo, finaliza bem e joga com uma intensidade física impressionante. Exibe muito mais do que as duas faces do Bastião, mas hoje tombou. Quebrou a clavícula, será operado e ficará parado por seis semanas. Em pouco mais de 20 minutos do jogo contra o Napoli, ficou claro que fará muita falta.

Se fosse outro jogador importante do Bayern, certamente não haveria toda essa preocupação. Robben, como já é sabido, se machuca a todo instante e conversa mais com os médicos do clube do que com seus companheiros. Mario Gómez, autor dos três gols da vitória por 3 a 2 sobre o Napoli, também fica fora de uns jogos às vezes, assim como Frank Ribéry. No atual elenco bávaro, todos eles podem ser substituído sem que o time perca muito em qualidade. Schweinsteiger não. Quando saiu, entrou Tymoshchuk, bom marcador, mas jogador que não tem condições de exercer a mesma função. Talvez Toni Kroos, que faz excelente temporada, possa executá-la nos próximos jogos. Talvez.

O jogo, até Schweinsteiger sair, era um. O Bayern vencia por 3 a 1 e havia feito um primeiro tempo espetacular. Schweini, como não poderia deixar de ser, deu o passe para um dos três gols de Mario Gómez. O primeiro, o mais bonito, quando o centroavante dominou, limpou o zagueiro e finalizou com categoria. Kroos deu a assistência para o segundo, e o terceiro foi marcado no rebote do goleiro. Parecia que iria ser fácil, e que o gol marcado por Federico Fernández no fim do primeiro tempo para diminuir o placar havia sido uma simples fatalidade. Não foi.

No início do segundo tempo, os bávaros continuavam com maior posse de bola, mas, é claro, corriam menos riscos contra um Napoli que acreditou que poderia empatar a partida. De fato poderia, mas o certo é que, em poucos momentos com a bola rolando o goleiro Manuel Neuer. Os dois gols saíram de bola parada, e a pressão no fim foi forte, mas suportável. O Bayern mereceu a vitória que teve porque, além de ser mais time, deixou isso bem claro em todos os momentos da partida, mesmo nas adversidades, e mesmo com uma dupla de zaga formada por Van Buyten e Badstuber – fato que ainda irá trazer problemas para o time -. O primeiro falhou nos dois gols do Napoli e o segundo, apesar de ter subido de produção nesta temporada e sido expulso de maneira injusta, ainda passa a sensação de que pode comprometer a qualquer momento.

O futuro, porém, não parece ser tão nebuloso assim sem Schweinsteiger na Liga dos Campeões. Com dez pontos, o Bayern Munique está praticamente classificado para a segunda fase. Precisa apenas empatar em casa com o Villarreal, e o time espanhol não ganhou de ninguém até agora, faz uma campanha ridícula e além de tudo perdeu Giuseppe Rossi e não tem contado com Nilmar. O primeiro lugar da chave poderá ser assegurado com uma simples vitória contra o Submarino Amarillo e uma derrota por um gol de diferença para o Manchester City na Inglaterra, pois aí o time alemão levaria vantagem no confronto direto. A situação, definitivamente, é bem confortável.

Na Bundesliga, porém, não se pode dizer o mesmo. Os bávaros, que largaram bem e lideram o campeonato com 25 pontos, já são perseguidos por Schalke 04 e Borussia Dortmund. Jogar sem sua principal referência no meio-campo até o fim do primeiro turno pode significar alguns pontos a mais perdidos. Mais do que isso, pode significar a liderança perdida.

Dortmund finalmente vence

O Borussia Dortmund finalmente desencantou. Começou a partida novamente bem contra o Olympiacos e desta vez abriu o placar, com Kevin Grosskreutz. Valeu como primeira vitória, para começar a tirar as fraldas do time, mas o fato é que ganhar do Olympiacos em casa não é nenhum feito digno de grandes aplausos. É a obrigação. E, como o Olympique de Marseille arrancou um empate com o Arsenal no Emirates, a busca pela segunda vaga do Grupo F está realmente complicada. É necessário vencer o OM, de preferência por mais de 3 a 0, e depois derrotar o Arsenal, para ter alguma chance de classificação.

O Bayer Leverkusen, por sua vez, segue com boas possibilidades mesmo após a derrota por 3 a 1 para o Valencia, pois soma seis pontos contra cinco do rival. Se vencer o Genk na Bélgica, certamente contará com uma derrota do Valencia para o Chelsea em Londres e a probabilidade de passar para as oitavas de final será grande. Mas o time precisa voltar a jogar bem, coisa que não faz desde a temporada passada. A saída de Arturo Vidal e a lesão de Renato Augusto ajudaram a mutilar o setor de criação do meio-campo, que agora só vive da velocidade e do talento individual de André Schürrle, Sidney Sam e Gonzalo Castro. Às vezes, Michael Ballack tem uns lampejos e ajuda, mas não se pode depender de um jogador de 35 anos em todas as partidas.

Bundesliga: três grandes voltaram ao páreo

Depois de uma temporada atípica e ridícula, três times tradicionais da Alemanha voltaram pelo menos a incomodar um pouco mais os adversários e fazem bela campanha. Além do Schalke04, tema da coluna da semana passada, Werder Bremen e Stuttgart ocupam desde o início as primeiras colocações, e disputarão, ao que tudo indica, uma vaga para a próxima Liga dos Campeões.

O Werder Bremen, quarto colocado com 20 pontos, conta com a grande forma do peruano Claudio Pizarro, que já marcou oito gols na temporada, além de um time que aprendeu a se defender com força e contou com a recuperação de jogadores importantes, como Naldo, e a chegada de bons reforços, como Andreas Wolf e Mehmet Ekici. O ponto negativo fica por conta de Wesley, ex-Santos, que vem tendo dificuldades em conseguir um espaço para o time e na última semana foi acusado pelo técnico Thomas Schaaf de falta de motivação.

No caso do Stuttgart, sexto colocado com 18 pontos, a transformação é ainda mais radical. Em que pese a pouca eficiência do setor ofensivo como um todo, a defesa se acertou com a chegada do mexicano Francisco “Maza” Rodríguez, e, principalmente, com a rápida adaptação do dinamarquês Willian Kvist, volante recém-chegado do Kobenhavn que tem feito excelentes partidas e já caiu nas graças da torcida. Combativo na marcação, forte fisicamente e muito preciso nos passes, o camisa 4 dos Schwaben foi uma das melhores contratações de toda a Bundesliga para a temporada 2011/12 e tem tudo para se consagrar nos próximos anos.