A Itália vinha renovada para o amistoso contra a Rússia, no dia 9 de fevereiro. Nada de Del Piero; os olhos estariam voltados para o trio Totti, Vieri e Montella, e uma rebarba poderia sobrar para o sempre artilheiro Gilardino. Mas quem acabou brilhando foi Simone Barone, do Palermo, que saiu do banco de reservas e decretou a vitória da Azzurra sobre os russos por 2 a 0.

Barone não é verdadeiramente um garotinho – tem 26 anos -, mas está longe de ser experiente com a camisa da seleção italiana. Contra a Rússia, fez seu quinto jogo com a camisa da seleção italiana e balançou as redes pela primeira vez.

Coração ´gialloblú´

Barone fez seu primeiro gol pela seleção italiana como jogador do Palermo. De fato, ele veste a camisa do clube da Sicília desde julho de 2004. Mas historicamente ele está ligado ao Parma, clube que defendeu por mais tempo desde sua profissionalização, na temporada 1995/6.

O volante apareceu no Parma num período em que a equipe tentava marcar sua posição entre os grandes da Itália. O dinheiro da Parmalat ainda não era contestado, e a torcida ´gialloblú´ ainda comemorava o título da Copa UEFA da temporada 1994/5, maior feito da história do clube. Nesse meio, ficava difícil para Barone se destacar. O Parma, seguindo a regra dos europeus abonados, não valorizava tanto os pratas da casa. E, de 1996 a 1998, quando deixou o Parma pela primeira vez, Barone fez apenas dois jogos pela equipe, sem fazer gols.

Visitando o inferno

Foi a vez de Barone comer o pão que o diabo amassou. Era a hora da provação. No começo da temporada 1998/9, ele foi emprestado ao Padova, onde jogaria a terceira divisão do campeonato italiano. Na cidade famosa por ser a terra do casamenteiro Santo Antônio, Barone marcou seus primeiros gols na carreira. Foram cinco, mas insuficientes para minimizar a péssima campanha de seu clube. Com apenas nove vitórias em 34 partidas, a equipe foi rebaixada para a quarta divisão do Italiano.

Mesmo com o Padova naufragando, Barone chamou a atenção dos dirigentes do Alzano, que na mesma temporada conseguiu o acesso para a segunda divisão. O time vinha motivado, mas Barone comprovava que tinha quebrado um espelho, passado embaixo de escada ou coisa parecida, porque a sorte não estava ao seu lado. Ocupando um 18º lugar entre 20 times, o Alzano caiu. Era o segundo rebaixamento seguido de Barone.

Levanta, sacode a poeira…

Quando tudo parecia perdido, a temporada 2000/1 mudou o rumo de sua carreira. Barone foi contratado pelo Chievo – time até então pequeno e com cadeira cativa na Segundona. Mas mal sabia Barone que ele entraria para a história do clube.

O atacante jogou 31 vezes e marcou quatro gols na campanha do Chievo na Série B daquela temporada. E ajudou o time a obter o terceiro lugar da competição, o que levou a equipe a uma inédita ascensão para a Série A do campeonato italiano. Tudo parecia bom. E melhorou quando Barone fez parte do Chievo de 2001/2. Sem exagero, essa deve ser lembrada como a melhor formação da história do clube, obtendo um excelente sexto lugar e a conseqüente classificação para a Copa UEFA da temporada seguinte. Mas se por um lado Barone poderia comemorar, finalmente, uma boa campanha de um time, pelo outro lamentou as poucas oportunidades recebidas. Foram só 16 jogos na temporada.

Cadê o dinheiro do leite?

Voltando a jogar pela primeira divisão, Barone atraiu o interesse dos dirigentes do Parma, que não hesitaram em trazer o bom filho de volta à casa. Ele jogaria então a temporada 2002/3 pelo clube da Parmalat – quebrando assim um jejum de quatro anos sem vestir a camisa ´gialloblú´. Atuou 29 vezes e marcou apenas um tento, contra a Udinese. Mas foi o suficiente para se firmar em definitivo como jogador do clube e apagar o fantasma das temporadas anteriores.

Daí para frente, Barone viveu sua melhor fase na carreira. Pela primeira vez marcou dois gols em um mesmo jogo: contra o pobre Ancona, em 6 de janeiro de 2004. E pôde celebrar sua primeira convocação para a seleção italiana, para o amistoso contra a República Tcheca, em fevereiro.

Acontece que se dentro de campo o Parma mostrava bons resultados, fora dele a coisa não era nada boa. O time tinha a obrigação de se desfazer dos seus jogadores para resolver suas pendências financeiras. E em junho de 2004, pagando US$ 6,5 milhões, o Palermo comprou o passe de Barone, levando-o para a Sicília.

Hoje o volante vive em harmonia com a torcida rosa – e vai se firmando também nas convocações de Marcelo Lippi. É um nome muito cotado para fazer parte do time italiano que disputará a Copa de 2006.

Mas talvez sua maior realização não tenha sido feita dentro dos gramados. Barone é casado com ninguém menos que Carla Duraturo, Miss Milão e vice-Miss Itália em 2002. Se no futebol aparecerem momentos de indecisão, pelo menos em casa tá tudo certo para o camisa 8 do Palermo…