O Barcelona criou uma marca recente, nos últimos 10 anos especialmente, de ser o time da posse de bola, da paciência, de rodar a bola de um lado para o outro buscando o espaço. É o time que melhor exerceu o que se chamou de tiki-taka, com um time que se defende com a bola. Desde que Pep Guardiola assumiu o time, em julho de 2008, virou um carimbo do Barcelona. Mas o time de Ernesto Valverde é, talvez, o que mais se distancia daquele time. O Barcelona atual se tornou mais sólido defensivamente e usa com ainda mais frequência o contra-ataque como arma, mais do que o time de Luis Enrique, com Neymar, Suárez e Messi. Foi assim, um Barcelona defensivamente forte e contra-atacando rápido, que venceu o Atlético de Madrid neste domingo pelo Campeonato Espanhol por 1 a 0. Um gol de falta. Um cenário que, se fosse ao contrário, ninguém estranharia. O Atlético de Madrid se caracterizou por fazer isso repetidas vezes. Mas não desta vez. Desta vez, foi quem se jogou ao ataque no segundo tempo para buscar o empate.

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O contexto ajuda a explicar. Os dois times começaram a partida a cinco pontos um do outro. A liderança outrora folgada do Barcelona ficou arriscada. O Atlético de Madrid de oito vitórias seguidas vinha com sangue nos olhos para derrubar o time catalão em seu território e reabrir, de vez, a disputa pelo título. Contava com a boa fase de Griezmann e a raça de sempre de Diego Costa. Precisaria de uma grande atuação para superar os rivais.

O técnico Ernesto Valverde começou com Philippe Coutinho no time titular no lugar de Paulinho, que ficou no banco. Assim, o Barcelona tinha no seu meio-campo Sergio Busquets, Ivan Rakitic, Andrés Iniesta e Coutinho, o mais ofensivo de todos eles, atuando pelo lado direito. Em princípio, se manteve o 4-4-2, com Coutinho pela direita e Iniesta pela esquerda.

O Atlético de Madrid levou a campo um time que não fica só na ideia de uma defesa forte. O esquema tático continuava sendo o 4-4-2, assim como o rival da partida, mas trazia Saúl Ñíguez por um lado e Koke do outro. Dois jogadores que são mais meio-campistas armadores do que atacantes. No centro do campo, Partey e Gabi faziam a marcação. No ataque, Griezmann e Diego Costa.

Um dos poucos lances que o Barcelona teve uma grande chance para marcar, aproveitou. Cobrança de falta aos 26 minutos. Lionel Messi bateu com sua habitual precisão, mas o goleiro Oblak pareceu demorar uma fração de segundo a mais do que o seu normal e não chegou na bola. Gol do Barcelona no Camp Nou, 1 a 0. Foi o gol de número 600 de Messi na carreira (539 pelo Barcelona, 61 pela Argentina), uma marca histórica do argentino. Foi também o 100º gol do Barcelona na temporada em jogos oficiais.

Ainda no primeiro tempo, Iniesta sentiu uma lesão. Tentou continuar, enquanto Paulinho se aqueacia. Ficou em campo, mas não aguentou muito tempo. Só que Valverde mudou de ideia. Em vez de Paulinho, colocou André Gomes em campo, o que gerou uma certa surpresa. O português não conta com muito prestígio com a torcida.

Com o placar favorável ao Barcelona, Diego Simeone lançou o time ao ataque. Mudou a cara do time ao longo do segundo tempo: tirou o lateral direito Vrsaljko e colocou o atacante Ángel Correa pela direita; tirou o volante Gabi e colocou o atacante Kevin Gameiro; tirou Filipe Luís e colocou o zagueiro Lucas Hernández.

Com isso, o Atlético de Madrid ficou muito mais ofensivo. O 4-4-2 se mantinha, mas o modelo de jogo era outro: Partey foi para a lateral esquerda e Lucas Hernández ficou na esquerda, tornando essa linha defensiva mais segura. Isso porque a linha da frente seria muito mais ofensiva: pelo meio, Koke e Saúl; pelos lados, dois atacantes, Correa e Griezmann. No ataque, dois centroavantes, Gameiro e Diego Costa.

Aos 40 minutos, o Atlético de Madrid pressionava. Em cruzamento de Correa, Diego Costa cabeceou, a bola sobrou para Gameiro, que marcou. O árbitro anulou, o que pareceu estranho. No replay, deu para ver que Diego Costa estava impedido e, por isso, o gol foi anulado.

Não por acaso, o Atlético passou a ter mais a bola à medida que o jogo se aproximava do fim. O Barcelona apenas visitava o campo de ataque no segundo tempo, algumas poucas vezes, tal qual um parente distante. A cena no Camp Nou era curiosa: o Barcelona, mais sólido defensivamente, deixava o Atlético de Madrid tocar a bola por muito tempo no campo de ataque.

O Atlético de Madrid por tantas vezes foi o time da transição rápida, defensiva e ofensiva, e um contra-ataque mortal. Não neste domingo. Quem tinha essa postura era o Barcelona, que acelerava o jogo a cada vez que tinha a bola. O Atlético, diante de um Barcelona que não dava espaços, era quem tocava no ataque.

No fim, vitória por 1 a 0 do Barcelona, em um duelo chave na disputa pelo título. A vitória dos catalães leva o time a 69 pontos e abre oito do próprio Atlético, segundo colocado com 61. Se perdesse, a distância cairia para dois pontos e deixaria La Liga muito mais aberta. Assim, o Barcelona deu um passo importante para assegurar o título. Curiosamente, conquistando um resultado à la Atlético de Madrid.