A final do Mundial de Clubes tem sido, nos últimos 10 anos pelo menos, uma disputa entre os bravos times sul-americanos contra os estelares times europeus. Poderíamos falar de talento também, mas muito dos talentosos jogadores dos clubes europeus saíram justamente dos clubes sul-americanos. O time do River não tem o mesmo talento que o Barcelona, mas não quer dizer que não tenha. Mas, no atual momento, será um confronto entre toda a qualidade técnica que o Barcelona tem mostrado contra a bravura sul-americana, aliada ao que há de talento por ali. E isso ficou bastante claro nas entrevistas coletivas neste sábado.

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O Barcelona trata como uma partida importante, um título difícil, raro. É uma taça a mais na coleção já farta do time. É sem dúvidas importante, mas é tratado como um grande jogo. No River, é muito mais do que isso. É a ideia de vencer o maior desafio possível, bater o time que melhor tem jogado no último ano. É a chance de uma glória uma vez na vida e outra na morte. Isso se vê até pela torcida presente no Japão. Estima-se que 16 mil argentinos estão lá, e estarão no estádio de Yokohama, para a final. Cerca de 250 torcedores do Barcelona viajaram ao Japão.

“É um título que nos dá muita esperança porque identifica o melhor clube da temporada e é o clímax. É um dos nossos grandes objetivos”, afirmou Luis Enrique, o técnico do Barcelona, que já projeta o jogo. “Imagino que vamos ter a posse de bola, mas deveremos ser efetivos quando eles a tiverem. E disso os jogadores estão convencidos”, afirmou.

Luis Enrique elogiou o River Plate, claro. “Conquistaram a Libertadores de forma brilhante e mais do que suas individualidades, se destaca como coletivo. E os vimos fazerem de tudo. Podem defender pelo alto, por baixo, têm variações”, analisou o técnico. “Não será muito diferente do que enfrentamos na liga ou nas competições europeias”, finalizou.

O técnico também não se preocupa com o apoio que a torcida do River deve dar ao time no Japão, e que deve fazer a equipe sul-americana se sentir um pouco mais em casa que o Barça, apoiado majoritariamente por japoneses, fãs do time, mas não torcedores que fazem barulho. “O apoio da torcida japonesa nos faz sentirmos muito bem, porque significa que as pessoas gostam do que fazemos”, disse. “Como no campo só se escuta ruído… Quanto mais ruído, melhor”, declarou o treinador.

Iniesta também falou sobre a final e trouxe à tona a questão da vontade em campo, sempre muito falada em confrontos entre times europeus e sul-americanos – os segundos em geral têm a fama de serem muito mais aguerridos. “Em vontade e esperança, não ganham de nós. E acabar o ano com cinco de seis títulos seria para recordar”, disse o capitão do time.

Iniesta esteve no Japão para conquistar o título em 2011, quando passaram como tratores sobre o Santos. Também estava em 2009, quando a vitória veio muito mais sofrida, contra o bravo Estudiantes. “Me sinto um privilegiado por ter experimentado essa esta sensação, ter uma ideia e ir com ela até o final, tendo sempre claro o que fazemos e por que fazemos. E se voltamos a estar aqui quatro anos depois, é por causa desta ideia”, afirmou o meia.

O camisa 8 do Barcelona acredita em um jogo muito difícil, como era de se esperar. E espera que o time controle a posse de bola. “Eu espero uma partida muito complicada, com 90 minutos muito intensos e em cada parcela do campo teremos batalhas futebolísticas. Nós queremos ter a bola e diante de nós estará um rival com muita garra e com bom controle de bola”, disse.

Só que do outro lado, o River trata a partida como algo muito mais especial, muito mais difícil, mas com uma glória única. “Nos custou muito chegar até aqui. Foram anos muito difíceis e agora é um momento de privilégio, de aproveitar. Temos que viver como se merece, porque isto acontece uma vez a cada tantos anos. Trataremos de jogar a partida que nos permita nos sentirmos orgulhosos”, disse o técnico do River Plate, Marcelo Gallardo.

“O Barcelona é o grande favorito. Temos que jogar uma partida quase perfeita para contrariar o seu potencial. É uma equipe muito completa. Além dos atacante, que são geniais, Busquets e Iniesta são fanásticos. Me parece que o desafogo do Barcelona passe por ali”, analisou ainda o técnico. O capitão do time, o goleiro Marcelo Barovero, elogiou o capitão e um dos craques do adversário. “Iniesta é incrível, é um prazer vê-lo jogar”, afirmou o goleiro.

Gallardo, um jovem técnico de 39 anos, ainda espera que o time mostre o coração que o caracteriza, além de tudo que já trazem em campo. “Eles têm os melhores jogadores, mas nós temos um grande coração. Um coração enorme”, afirmou o técnico. “Não sei se é a melhor partida da nossa história, mas sim a mais representativa. E estamos preparados para começar”. Quem falou sobre os torcedores foi Barovero. “É muito bonito e importante que tenhamos o apoio de nossos torcedores. É uma força extra que pode ajudar. Vamos estar como em nossa casa”, afirmou o capitão.

Coração apenas não basta e o River Plate sabe disso. “Por isso temos que saber quando aguentar defensivamente, porque vamos sofrer e correr atrás da bola, e quando iremos os agredir ofensivamente. Eles terão a posse de bola”, afirmou. “Queremos competir desde a mentalidade ganhadora destes jogadores. Acredito que vamos nos sustentar nisso. Desde a humildade que esta equipe representa por tanto tempo com a condição de competência absoluta, temos algo a mais”, afirmou.

O jogo tem tudo para ser interessante, seja pelo estilo diferente, seja pelo confronto que se desenha épico de todos os lados, seja por tudo que envolve a partida. A torcida do River, com seus 16 mil presentes bradando como se fosse o último da sua vida, contra um time que tem sido encanto. Sonhar é possível. Ver um jogo como esse acontecer é uma chance sempre interessante de ver um duelo entra América do Sul e Europa com uma taça ao lado do campo, valendo o mundo.

Barcelona x River Plate
Domingo, 8h30 – Globo, Sportv, Fox Sports