O que poderia ser a classificação antecipada do Botafogo na Copa Libertadores terminou como a afirmação do Barcelona de Guayaquil na competição. Afinal, não são apenas os alvinegros que fazem uma boa participação no “grupo da morte”. Os Canários também vêm peitando adversários de peso e, com duas vitórias fora de casa, confirmaram seu lugar nos mata-matas, assumindo a liderança isolada na chave. Na visita ao Estádio Nilton Santos, a equipe mostrou as suas principais virtudes, letal principalmente nos contra-ataques. A vitória por 2 a 0 acaba sendo apenas a segunda de um clube equatoriano dentro do Brasil pela Libertadores, o que não acontecia desde 1986, quando o próprio Barcelona bateu o Bangu.

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O Botafogo, porém, teve postura bastante diferente de seus primeiros jogos na competição continental. Sem jogadores importantes, especialmente o volante Bruno Silva, Jair Ventura mudou a formação. Apostou no 4-2-3-1, com Guilherme e Rodrigo Pimpão abertos nas pontas. Jogando em casa, os alvinegros teriam a iniciativa, algo que não necessariamente vinha acontecendo. Embora não deixasse de atacar com verticalidade nas partidas anteriores, a força do time era sua segurança defensiva.

Segurança defensiva. Justamente o que fez falta durante o primeiro tempo no Estádio Nilton Santos. O Barcelona precisou de apenas sete minutos para abrir o placar. Mais expostos, Joel Carli e Emerson Silva não deram conta de barrar o veloz ataque equatoriano. Christian Alemán deu excelente passe em profundidade para José Ayoví. O ponta ganhou na corrida, antes de bater na saída de Gatito Fernández. Na comemoração, o camisa 21 imitou um velocista na pista do Estádio Olímpico.

O Botafogo tentava sufocar o Barcelona, mas não conseguia definir com precisão. Via o sistema defensivo dos canários funcionar muito bem. Enquanto isso, sua zaga ficava à mercê da sorte. Algo que não existiu aos 23 minutos, quando os equatorianos ampliaram. Após uma bola parcialmente afastada por Carli, os adversários emendaram o contragolpe. Jonatan Álvez se antecipou aos defensores e, quando Gatito saía do gol, deu um toque para superar o goleiro, antes de encher o pé de frente para a meta vazia. A missão alvinegra se tornava duríssima.

Mesmo que chegasse, o Botafogo não encontrava espaços. E o Barcelona quase marcou o terceiro, com Emerson Silva salvando na pequena área. Pior para Jair Ventura é que dois jogadores sentiram lesão ao final da primeira etapa: Emerson Silva e Camilo. Roger e Marcelo entraram na equipe a partir do segundo tempo. Depois dos sustos, com uma bola no travessão da meta de Gatito e um gol dos Canários bem anulado, os cariocas passaram a ameaçar um pouco mais. Faltou pontaria. Nas melhores chances, Sassá bateu por cima e parou em grande defesa do goleiro Máximo Banguera. Enquanto isso, os equatorianos gastavam o tempo e amarravam bem o confronto, muito graças ao empenho de sua dupla de zaga. Seguraram o resultado histórico até o apito final.

Ao Botafogo, faltou a postura aguerrida de outros jogos. Ainda assim, o que mais preocupa foi a incapacidade do time em mudar o seu estilo de jogo. Obviamente, os desfalques antes e durante a partida atrapalharam. Mas lidar com as diferentes situações faz parte das missões a serem cumpridas por quem pensa grande na Libertadores. O Barcelona, por sua vez, sustenta uma reputação respeitável neste momento. Um time bem organizado e um ataque preciso costumam ser suficientes para uma boa campanha no torneio continental. E mesmo contando com um estádio que bota pressão, os Canários jogaram melhor contra os botafoguenses fora de casa. Avançam às oitavas mostrando que não há desafio a se temer.