Quando o árbitro apitou o final da partida no Mestalla, os jogadores do Valencia comemoraram, com os punhos erguidos ao ar, abrançando o companheiro e agradecendo à torcida. Pareciam ter acabado de conquistar um grande resultado e conquistaram mesmo: não foram derrotados pelo Barcelona. O que dá uma boa medida da superioridade que o time de Luis Enrique vem demonstrando nas últimas semanas é que um empate por 1 a 1, em casa, torna-se motivo de celebração para um clube tradicional como o Valencia.

LEIA MAIS: Barcelona implode a Real Sociedad e trio MSN já chega a 125 gols em 2015

Mas a realidade é essa mesma, ainda mais com os desfalques do Valencia. Afinal, o Barcelona havia enfileirado sete vitórias seguidas, dez se ignorarmos o jogo de ida da Copa do Rei, contra o Villanovense, quando atuou com muitos reservas e sabendo que haveria a volta no Camp Nou de qualquer forma. Nessa sequência de dez partidas, anotou 38 gols e sofreu apenas cinco. Com isso em mente, o Valencia atuou desde o começo da partida aplicando-se muito na marcação e dando poucos espaços para o adversário.

Quem se destacou nesse cenário foi Neymar, jogando como um ponta-esquerda de excelência. Alternava a escolha de jogadas, entre dar o passe para quem entra na área, buscar a linha de fundo para o cruzamentro, entrar em paralelo a ela ou costurar para o meio para abrir o arremate. Criou três grandes chances no primeiro tempo. Uma delas caiu nos pés de Messi, cara a cara com o goleiro Jaume Doménech, mas o argentino desperdiçou. Ainda parece estar com o freio de mão puxado depois da lesão.

Mas foi capaz de dar a assistência para o gol de Suárez. Depois de concentrar as atenções do Valencia na esquerda, com Neymar, o Barcelona deu o golpe que poderia ser mortal pelo outro lado. Messi lançou o uruguaio, que entrou na área brigando com os adversários e tocou no canto de Doménech, em um daqueles espaços que apenas finalizadores do seu calibre conseguem enxergar.

Nenhum dos dois lados criava muitas chances. Foram apenas oito chutes certos na partida, cinco para o Barcelona, três para o Valencia. O time da casa não ameaçava o visitante, que a princípio caminhava para um empate chato sem gols, e depois para uma vitória arrancada à força. Quando um lançamento caiu em Paco Alcácer, que o dominou com maestria, usando a cabeça e o peito. Colocou a bola no chão e rolou para Santi Mina chegar batendo. Sem chance para Bravo.

Faltavam apenas quatro minutos para a marca de 45 do segundo tempo, e o Barcelona ainda chegou perto da vitória em uma cobrança de falta de Messi, no ângulo, que Doménech foi buscar. Mas não era o dia do time de Luis Enrique vencer. Era o dia do Valencia, sob o olhar atento de Gary Neville, próximo técnico do time, levar um pontinho e comemorar como se fossem três.