A milhares de famílias na Argentina, a ditadura militar permanece como uma ferida aberta. O Banfield, entretanto, realizou um ato para oferecer um pouco de conforto a pessoas que tiveram parentes desaparecidos ou vitimados pelo “terrorismo de Estado” – conforme a própria denominação dada pelo clube. Nesta quinta-feira, os alviverdes promoveram uma emotiva cerimônia para restituir a condição de sócios a 11 pessoas que possuíam este título quando foram detidas pelo regime. São “Los 11 de Memoria”.

É a primeira vez que um clube da Argentina encabeça uma iniciativa do tipo – embora River Plate, San Lorenzo, Estudiantes e outras agremiações possuam projetos parecidos para os próximos meses. A direção teve apoio do grupo ‘Banfield por los Derechos Humanos’ na ação. Além do mais, o evento desta quinta também contou com a participação de grupos ligados às vítimas da ditadura, incluindo as ‘Mães da Plaza de Mayo’ e a ‘Familiares de Detidos’.

A cerimônia homenageou os antigos sócios através de seus familiares e amigos. O Banfield entregou carnês (semelhantes aos utilizados na década de 1970) para os representantes de cada um dos 11 desaparecidos ou mortos, como um sinal da restituição. Muitos idosos estavam no local, em especial as mães e os pais das vítimas da ditadura. O clube também preparou um vídeo em que jogadores e jogadoras mencionam os nomes dos “11 de La Memoria”, com suas fotos alinhadas, como se estivessem em uma escalação. Há, inclusive, uma criança na lista.

“Entendemos a identidade como um direito e ações como essa ajudam, porque a verdade cura as feridas”, declarou Lucía Barbuto, a presidente do Banfield. Por sua vez, Delia Giovana, representante das Avós da Plaza de Mayo, enfatizou sua luta: “Há um canto de Banfield onde acho que meu filho e minha nora, grávida de oito meses, morreram. Como avó, por todo esse tempo busquei uma criança e me encontrei com um homem de 39 anos. Mas não relaxamos. Ainda seguimos em busca de outros 350 netos”.

Não é a primeira vez que o Banfield age em prol das vítimas da ditadura. No primeiro semestre deste ano, os alviverdes pintaram um dos muros em seu estádio para recordar os desaparecidos no centro de detenção clandestino chamado ‘Pozo de Banfield’, assim como os estudantes do Colégio Normal Antonio Mentruyt, na mesma localidade. Respeito à memória e reconhecimento da história.