O atacante Mario Balotelli afirmou que o racismo na Itália é maior do que nos outros países em que jogou. Formado no Lumezzane, se transferiu para a Inter ainda muito jovem, aos 17 anos. Estreou no time profissional e ficou de 2007 a 2010 na equipe, antes de se transferir para o Manchester City. Jogou também no Milan, no Liverpool e no Nice. Neste mercado de transferências de janeiro, mudou de clube e assinou pelo Olympique de Marseille. Para ele, em nenhum país ele sofreu um racismo tão brutal quanto na Itália.

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O racismo é um assunto quente na Itália depois do caso de cantos preconceituosos contra o zagueiro Kalidou Koulibaly, do Napoli, em jogo contra a Internazionale, em Milão. Torcedores da equipe do norte ofenderam o jogador senegalês, que é negro, e imitaram sons de macaco quando o jogador tocava a bola.

“Na Inglaterra, em nível de futebol, eu nunca vi nada assim”, afirmou Balotelli em entrevista ao Quelli Che Il Calcio. “Na França, eu não vi muito, mas nada é como na Itália. Na Itália, é realmente extremo”, descreveu o atacante. Um exemplo disso aconteceu em 2009, quando Balotelli defendia a Inter. A Juventus foi punida com um jogo com portões fechados depois de gritos racistas contra Balotelli, na época com 18 anos. Ele lembra de como a experiência foi dolorida, mas que sua força mental ajudou a superar.

“Juve e Inter, quando eu era mais jovem, foi uma catástrofe. Emocionalmente, foi um desastre”, afirmou o jogador. “Eles ficavam fazendo esses cantos. Não havia motivos, já que eu não tinha feito nada. Nem para os jogadores, nem para os torcedores. Quando eu voltei para casa, eu perguntei à minha mãe: ‘Por quê? Por que eles estavam fazendo isso’. Mas não havia explicação. Eu era um garoto, eu não acho que eles entenderam o quanto isso realmente me machuca. Por sorte, eu tenho uma personalidade forte, mas você pode realmente destruir uma pessoa”.

Serie A e seleção italiana

Aos 28 anos, Balotelli acabou de trocar de clube e passou a defender o Marseille. O jogador comentou sobre as características da Serie A na Itália e como ele pensar em voltar um dia para o país. “A Serie A é diferente de qualquer outra liga que eu joguei porque é muito tática. Muito, muito tática. Às vezes até chata”, afirmou o jogador. “Eu realmente não pensei sobre isso, mas seria bom voltar para a Itália. Eu gostaria de terminar a minha carreira no Brescia”, disse o jogador, falando do clube da cidade onde cresceu.

Além de comentar sobre o Campeonato Italiano, Balotelli falou sobre a seleção do país. E o atacante tem o objetivo de disputar outros torneios importantes pela Azzurra. “Os objetivos primários são esses: marcar gols e voltar à seleção. Roberto Mancini é um técnico que me conhece melhor do que outros, mas isso não significa que ele me dará nada de graça. Eu gostaria de jogar outra Copa do Mundo ou Eurocopa”, afirmou o atacante.