A final da Liga dos Campeões representou uma passagem de bastão ao Real Madrid. Cristiano Ronaldo, sem dúvidas, foi a grande figura nos últimos sucessos dos merengues. No entanto, a atuação estrondosa de Gareth Bale serviu para deixar o galês em evidência. Não que ele fosse mero coadjuvante em outros momentos de destaque do clube, com boas atuações em finais anteriores, mas cobrava-se uma regularidade maior após as oscilações e dificuldades físicas do ponta às vésperas do compromisso em Kiev. Assim, com as saídas de CR7 e Zinedine Zidane, o camisa 11 se tornou uma figura ainda mais proeminente no Estádio Santiago Bernabéu, principal candidato a liderar o clube rumo ao tetra continental.

Nesta semana, Bale concedeu uma entrevista ao Daily Mail, às vésperas de iniciar a nova campanha na Champions. E falou sobre como a decisão de Zidane, ao deixá-lo no banco no início da decisão contra o Liverpool, mexeu com os seus brios. De certa maneira, um ponto de virada diante da maneira como o ponta atuaria naquela noite, chamando a responsabilidade e anotando dois gols – incluindo a célebre pintura de bicicleta.

“Eu estava raivoso por ter sido deixado no banco. Bastante raivoso, para ser honesto. Obviamente, eu sentia que deveria ser titular na partida. Eu estava marcando gols com frequência. Então, é claro, foi difícil deixar a raiva de lado”, declarou Bale. Na conversa, o ponta ainda indicou como a chegada de Julen Lopetegui o ajuda de certa maneira, já que o novo comandante fala inglês, algo que não acontecia com Zidane.

Sobre a final em Kiev, aliás, Bale trouxe detalhes sobre o seu gol antológico de bicicleta. Reviu a jogada quadro por quadro e fez uma análise profunda do que aconteceu, entre o seu lampejo para virar a acrobacia e a sensação de ter anotado um golaço.

“Você pode optar por dominar a bola e então fazer algo. Mas sabe que está em uma situação que pode tentar algo diferente. Você certamente não quer pensar em parecer idiota. Se não tentar, as coisas nunca acontecem. Você tem o tempo para pensar sobre aquilo. É quando precisa tomar essa decisão que os resultados são melhores. Eu sabia exatamente para onde a bola ia e você pode observar no vídeo que meus olhos se voltam exatamente para esse lugar. Assim que acertei, sabia que era um bom chute. Houve um silêncio estranho por uma fração de segundo. Então, tudo entrou em erupção. Eu me lembro de Marcelo e Toni Kroos correndo, depois todo mundo pulou em mim”, descreve.

Bale ainda brincou com o fato de seu golaço não ter sido incluído na lista de melhores da temporada europeia, elaborada pela Uefa: “Eu não sei como esse gol não estava na lista! Quero saber quem fez a escolha, porque essas pessoas querem ser demitidas!”. Quando questionado qual bicicleta foi a melhor, a dele ou a de Cristiano Ronaldo, porém, o galês mantém o tom político e afirma que isso não cabe a ele decidir.

Outro momento em que Bale se sobressaiu na decisão da Champions aconteceu diante da infelicidade de Loris Karius. O ponta comentou o lance e a sua conversa com o desolado goleiro na saída em campo: “Eu sempre tento colocar um pouco de curva na bola. É a mesma coisa que acontece nas faltas. Você tenta dificultar, porque se não for no ângulo, sempre dará algum problema. Quando eu o encontrei, apenas disse para levantar a cabeça. Os erros acontecem, é falta de sorte que tenha acontecido justamente em uma final. Acho que ele não é tão ruim quanto pareceu, mas deveria ter defendido”.

Sobre o ambiente do Real Madrid neste início de temporada, Bale avalia as mudanças internas e a maneira como a transferência de Cristiano Ronaldo impacta no dia a dia: “Obviamente, será um pouco diferente, sem ter um jogador tão grande como Cristiano Ronaldo. Talvez seja um pouco mais relaxado, sim. Eu suponho que fique mais evidente a equipe, mais o trabalho como uma unidade, e não apenas um jogador. Podemos ser ainda melhores. É outro começo e outro desafio. Estamos prontos para isso”.

Por fim, o atacante também falou sobre a possibilidade de voltar à Premier League. Preferiu desconversar, sem negar que sua vontade permanece: “Posso dizer que quero voltar ou não. Você sempre quer voltar e jogar na sua liga de origem, reencontrar a parte que você sente falta. Mas estou aproveitando jogar pelo maior clube do mundo e conquistar troféus”.