A coluna fecha nessa semana o balanço da temporada 2012/13, apresentando a terceira e última parte (confira a primeira e a segunda parte), com clubes que brigaram pelo título e duelaram na Liguilla da Liga MX.

Como a Liga MX, primeira divisão do campeonato nacional, conta com sistema de mata-mata, além de dois torneios anuais, dividimos os times em três grupos, de acordo com a tabela de rebaixamento, que leva em consideração o desempenho dos clubes nas últimas três temporadas (seis torneos cortos), Confira:

Monterrey

Colocação final no Clausura: 9º colocado, com 23 pontos em 17 rodadas

Liguilla: eliminado na semifinal, pelo América

Técnico: Víctor Manuel Vucetich

Maior vitória: Monterrey 3×0 Puebla (8ª rodada) e Monterrey 3×0 Pumas UNAM (12ª rodada)

Maior derrota: Monterrey 1×5 Cruz Azul (17ª rodada)

Principal jogador: Humberto Suazo-CHI (atacante)

Decepção: Héctor Morales (defensor)

Artilheiro: Aldo De Nigris (8 gols)

Líder em assistências: Humberto Suazo-CHI (13 passes para gol)

Melhor contratação: Leobardo López (defensor)

Pior contratação: Omar Arellano (atacante)

Time-base: Jonathan Orozco, Severo Meza, Hiram Mier, José María Basanta e Dárvin Chávez; Jesús Zavala, Walter Ayoví e César Delgado (Neri Cardozo); Omar Arellano, Aldo de Nigris e Humberto Suazo;

Copa MX: não participou

Competição continental: campeão da Concacaf Champions League

Nota da temporada: 8,5

Não é segredo pra ninguém a força que possui o elenco Rayado. Sem muitas alterações e com a mesma (forte) base há algumas temporadas, El Rey Midas Vucetich comandou o Monterrey ao inédito tricampeonato da Concachampions. Na Liga MX, ainda que tenha enfrentado certa irregularidade, a Pandilla rodou bem o elenco e obteve a classificação graças ao descenso do Querétaro. De bônus, o clube ainda eliminou seu arquirrival Tigres nas quartas de final. A queda na semifinal para o América foi mais fruto do cansaço do que propriamente uma inferioridade técnica frente ao clube capitalino.

Vários fatores colaboraram para (mais uma) boa campanha dos Albiazules, que chegam ao quinto ano consecutivo conquistando um título de expressão. Ainda que De Nigris, Delgado, Aoyví, Mier e Orozco estejam em ótima fase, é impossível não mencionar “Chupete” Suazo. O chileno é o perfeito termômetro do Monterrey, com o time irregular durante suas lesões e atuando de forma brilhante com ele em campo. Melhor passador da Liga MX, Suazo tornou-se nessa temporada o maior goleador da história do clube Rayado, alcançando a marca de 106 gols e ultrapassando o brasileiro Mario Mota, tornando-se uma lenda e maior representante do melhor momento na história do clube.

América

Colocação final no Clausura: 2º colocado, com 32 pontos em 17 rodadas

Liguilla: campeão

Técnico: Miguel Herrera

Maior vitória: América 4×0 Atlante (3ª rodada)

Maior derrota: América 0x2 Tigres UANL (17ª rodada)

Principal jogador: Christian Benítez-EQU (atacante)

Decepção: Efraín Juárez (meia)

Artilheiro: Christian Benítez-EQU (17 gols)

Líder em assistências: Rubens Sambueza-ARG (9 passes para gol)

Melhor contratação: Francisco Rodríguez (defensor)

Pior contratação: Narciso Mina-QUE (atacante)

Time-base: Moisés Muñoz, Paul Aguilar, Francisco Rodríguez, Aquivaldo Mosquera, Diego Reyes e Adrián Aldrete; Jesús Molina (Juan Medina), Osvaldo Martínez e Rubens Sambueza; Raúl Jiménez e Christian Benítez;

Copa MX: eliminado nas semifinais, pelo Cruz Azul

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 9,0

A coluna já tratava a conquista canária como mera questão de tempo. E os motivos eram óbvios. Enquanto alguns dos principais rivais perdiam-se em projetos constantemente modificados, com muitas trocas de elenco, há quase dois anos a direção das águias resolvera apostar na fórmula que trouxera sucesso para equipes menos populares, mas de forte crescimento no cenário azteca: estabilidade e manutenção do elenco e direção técnica. Desde que assumira a presidência dos Azulcremas, Ricardo Peláez, ao contrário do antecessor Michel Bauer, fez o possível para blindar o grupo das pressões e cobranças externas. Além disso, manteve um projeto, comandado por Miguel Herrera, pelo tempo mínimo para dar frutos.

O resultado veio com o tempo e o bom trabalho de “Piojo”. Ainda que não contasse com o mesmo entrosamento de alguns rivais, o conjunto de Coapa apostou na indiscutível superioridade técnica, obtida principalmente pelas grandes somas gastas nas compras para agregar os melhores nomes da Liga MX. Mantendo o time sempre entre os três primeiros, a classificação veio de forma tranquila, superando todos os rivais na fase regular. Na Liguilla, sobrou emoção, mas não faltou camisa aos Cremas, que foram buscar nos pênaltis seu 11º título nacional. E justo contra o rival Cruz Azul. Precisa de mais? Ah, claro, teve a fase ainda mais incrível de “Chucho” Benítez, com média de quase um gol por jogo.

Morelia

Colocação final no Clausura: 4º colocado, com 30 pontos em 17 rodadas

Liguilla: eliminado nas quartas de final, pelo Cruz Azul

Técnico: Rubén Omar Romano-ARG (até a 7ª rodada) e Carlos Bustos-ARG

Maior vitória: Morelia 4×0 Atlante (12ª rodada)

Maior derrota: Puebla 3×1 Morelia (5ª rodada)

Principal jogador: Héctor Mancilla-CHI (atacante)

Decepção: Antonio Pedroza (atacante)

Artilheiro: Héctor Mancilla-CHI (12 gols)

Líder em assistências: Aldo Ramírez-COL e Joao Rojas-EQU (5 passes para gol)

Melhor contratação: Héctor Mancilla-CHI (atacante)

Pior contratação: Fernando Morales (meia)

Time-base: Federico Villar, Uriel Álvarez (Carlos Morales), Enrique Pérez, Joel Huiqui e Rodrigo Salinas; Christian Valdez, Aldo Leão Ramírez, Jefferson Montero e José María Cárdenas; Joao Rojas e Héctor Mancilla;

Copa MX: eliminado na fase de grupos (4º colocado no grupo 2, atrás de Estudiantes Tecos, Querétaro e Veracruz)

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 6,5

Costumeiro time de chegada, o Morelia vive a mesma situação praticamente todas as temporadas: arranca para os playoffs, mas na hora da decisão esbarra em clubes mais tradicionais. Instável no início do Clausura, os purépechas garantiram a vaga no mata-mata com uma série de dez partidas de invencibilidade na reta final. Contra o Cruz Azul, entretanto, sentiram o peso da camisa e caíram para um adversário ao qual o clube havia acostumado a superar.

E não dá pra falar em qualidade técnica. A saída do ídolo Miguel Sabah foi compensada pela chegada do chileno Héctor Mancilla, ainda mais efetivo quando o assunto é bola na rede. Os equatorianos Rojas e Montero se encaixaram bem na armação e até o colombiano Ramírez se recuperou do opaco desempenho do Apertura. Com um bom equilíbrio defesa/ataque, parece ter faltado mesmo a Monarquía o que vem sendo seu grande empecilho nos últimos anos: camisa. Um problema que somente taças podem sanar.

Santos

Colocação final no Clausura: 6º colocado, com 29 pontos em 17 rodadas

Liguilla: eliminado na semifinal, pelo Cruz Azul

Técnico: Pedro Caixinha-POR

Maior vitória: Jaguares 1×3 Santos (9ª rodada)

Maior derrota: Puebla 2×1 Santos (2ª rodada) e Santos 1×2 Morelia (17ª rodada)

Principal jogador: Oswaldo Sánchez (goleiro)

Decepção: Mauro Cejas-ARG (meia)

Artilheiro: Oribe Peralta (8 gols)

Líder em assistências: Carlos Darwin Quintero-COL (4 passes para gol)

Melhor contratação: Néstor Calderón (meia)

Pior contratação: Mauro Cejas-ARG (meia)

Time-base: Oswaldo Sánchez, Jorge Iván Estrada, Rafael Figueroa, Felipe Baloy e Osmar Mares; Marc Crosas, Rodolfo Salinas e Néstor Calderón; Carlos Darwin Quintero; Hérculez Gomez e Oribe Peralta;

Copa MX: não participou

Competição continental: vice-campeão da Concacaf Champions League

Nota da temporada: 7,5

Um time entrosado, seguro, equilibrado, onde despontam bons talentos individuais e com ambiente tranquilo, sem grandes pressões externas. O que falta ao Santos para se consolidar de vez? Chegada. Pode parecer repetitivo, mas os laguneros sabem que as derrotas nas finais da Concachampions vem pesando no moral do elenco. Os Guerreros souberam dosar o elenco entre Liga MX e Concacaf Champions League, mas em ambas as competições, ficaram pelo caminho.

A defesa é ponto forte do time. Capitaneada pelo veterano arqueiro Sánchez, a base é experiente e segura, sendo vazada em pouquíssimas oportunidades. E a dupla de ataque Peralta/Gomez é efetiva, ainda que fisicamente instável. O problema maior dos Verdiblancos parece se concentrar no setor de armação, onde Salinas e Calderón não se firmaram e a esperança Cejas foi uma nulidade. O projeto tocado pelo técnico português Pedro Caixinha terá mais uma temporada em prova. Mas é difícil saber se resistirá a uma nova queda em momentos decisivos.

Cruz Azul

Colocação final no Clausura: 5º colocado, com 29 pontos em 17 rodadas

Liguilla: vice-campeão, derrotado pelo América

Técnico: Guillermo Vázquez

Maior vitória: Cruz Azul 5×0 Tijuana (14ª rodada)

Maior derrota: América 3×0 Cruz Azul (9ª rodada)

Principal jogador: Christian Giménez-ARG (meia)

Decepção: Néstor Araujo (defensor)

Artilheiro: Mariano Pavone-ARG (12 gols)

Líder em assistências: Pablo Barrera (10 passes para gol)

Melhor contratação: Teófilo Gutiérrez-COL (atacante)

Pior contratação: Nicolás Bertolo-ARG (meia)

Time-base: Jesús Corona, Júlio Dominguez, Jair Pereira, Luis Perea e Alejandro Castro; Gerardo Torrado, Gerardo Flores, Pablo Barrera (Israel Castro) e Christian Giménez; Teófilo Gutiérrez e Mariano Pavone;

Copa MX: campeão

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 8,0

A derrota na decisão, com o título praticamente assegurado, frente a um dos seus maiores rivais foi dolorida. Aprofundada pela proximidade da chance de pôr fim ao jejum de mais de 15 anos na Liga MX. Mas é necessário avaliar com o devido distanciamento a temporada da Máquina. Não dá para jogar fora um ano no qual o Cruz Azul conquistou sua primeira taça nacional em mais de uma década, ainda que seja a subestimada Copa MX, e alcançou novamente uma final da Primera División.

Irregular durante o início do Clausura, os Cementeros estiveram a ponto de perder as esperanças de Liguilla com três derrotas consecutivas no meio da competição, mas se recuperaram e, guiados por uma afiada dupla Barrera-Pavone e uma arrancada de cinco triunfos consecutivos, ficaram com uma das vagas no mata-mata. A queda na final pesou, mas é impossível não notar o renascimento de Barrera e o faro de gol de Pavone, além das excelentes fases vividas por Corona, Perea e Giménez. Isso sem falar na contratação certeira do oportunista “Téo” Gutiérrez. Uma temporada que, se bem aproveitada, tem tudo para ser o ponto de partida para uma grande reviravolta em Benito Juárez.

Tigres UANL

Colocação final no Clausura: 1º colocado, com 35 pontos em 17 rodadas

Liguilla: eliminado nas quartas de final, pelo Monterrey

Técnico: Ricardo Ferretti-BRA

Maior vitória: Toluca 1×4 Tigres UANL (6ª rodada)

Maior derrota: Pumas UNAM 2×1 Tigres UANL (14ª rodada)

Principal jogador: Lucas Lobos-ARG (meia/atacante)

Decepção: Elías Hernández (meia)

Artilheiro: Emanuel Villa-ARG (9 gols)

Líder em assistências: Danilinho-BRA (6 passes para gol)

Melhor contratação: Emanuel Villa-ARG (atacante)

Pior contratação: Hugo Rodríguez (defensor)

Time-base: Enrique Palos, Israel Jiménez, Juninho, Hugo Ayala e Jorge Torres Nilo; Carlos Salcido, José Francisco Torres, Damián Álvarez e Danilinho; Lucas Lobos e Emanuel Villa;

Copa MX: não participou

Competição continental: eliminado nas quartas de final da Concacaf Champions League (para o Seattle Sounders-EUA)

Nota da temporada: 7,5

Todos sabem como joga (e quem joga no) o time de “Tuca” Ferretti. E mesmo assim parece difícil superá-lo. Líder em 15 das 17 rodadas da fase regular da Liga MX, os felinos mostraram que tecnicamente encaram qualquer adversário e contam com mais regularidade do que qualquer outro clube azteca. O problema é que todas as competições em solo mexicano são decididas em mata-mata. E aí vem o problema dos universitários. Mesmo sobrando na primeira fase, a fanática torcida de Nuevo León digeriu mal a queda para o arquirrival Monterrey já nas quartas. Conta ainda mais o fato dos rivais terem levado o tricampeonato continental.

Dentro de campo, o time é indiscutivelmente bem montado. A defesa é veloz, técnica e segura, apesar da idade ainda pouco elevada. O meio conta com o maior acúmulo de experiência e habilidade, com o adaptado Salcido na cabeça de área e os habilidosos Danilinho e Lobos na armação. O argentino Villa é homem-gol do time, ainda que seu conterrâneo Lobos faça as vezes de artilheiro quando necessário. Um elenco de poucas modificações, onde nem o selecionável Elías Hernández e o consagrado espanhol Luís García encontraram brechas para entrar. Mas que ainda carece de solidez em partidas decisivas.

Curtas

– A eliminação ainda na segunda rodada da primeira fase da Copa das Confederações faz com que boa parte da mídia esportiva azteca dê como certa a saída de José Manuel de la Torre do comando da seleção nacional. Conta muito, também, a irregular campanha da Tricolor nas Eliminatórias, onde ocupa um modesto terceiro lugar, com apenas uma vitória em seis partidas;

Guatemala

– Com um empate sem gols em casa, o Comunicaciones sagrou-se bicampeão da Liga Nacional, após superar o Heredia na primeira partida por 2×1. A conquista do Clausura foi a 26ª da história Crema, que encostou ainda mais no arquirrival Municipal, que soma 29 taças.