* Por Eduardo Junior

Depois de perder o título para o Borussia Dortmund por dois anos seguidos, o Bayern Munique reconquistou a hegemonia alemã com estilo, se sagrando campeão com seis rodadas de antecipação e conquistando também a Europa. Mas a Bundesliga, campeonato nacional com maior média de público na Europa, não teve só isso. Longe do universo paralelo dos bávaros, muitas brigas por posição se desenvolveram, algumas bem interessantes, como o duelo entre Schalke 04 e Freiburg pela última vaga na Liga dos Campeões.

Além disso, houve também outras mudanças no cenário nacional. O Hamburg dando sinais de recuperação, Werder Bremen e Stuttgart mal das pernas e o Dortmund, apesar de dois vice-campeonatos, mostrando que há um projeto consistente por trás dessas boas campanhas, e não apenas injeção de dinheiro. Confira, a partir das linhas abaixo, um balanço completo da temporada dos clubes alemães em 2012/13.

Bayern Munique

Colocação: 1º com 91 pontos (classificado para a fase de grupos da Liga dos Campeões)
Técnico: Jupp Heynckes
Maior vitória: 9×2 Hamburg
Maior derrota: 1×2 Leverkusen
Competição continental: Campeão da Liga dos Campeões
Principal jogador: Thomas Müller (meia-atacante)
Decepção:
Artilheiro: Mario Mandžukić – 15 gols
Líder em assistências: Franck Ribéry – 14 assistências
Nota da temporada: 10

Temporada simplesmente irretocável do Bayern Munique. Os bávaros levaram a Tríplice Coroa (Campeonato Alemão, Copa da Alemanha e Liga dos Campeões) e quebraram diversos recordes, entre eles, o de maior número de pontos (91), maior número de pontos como visitante (47) maior número de vitórias (29), menor número de derrotas (1, igualando feito da temporada1986/87), menor número de gols sofridos (18), maior número de partidas sem sofrer gols (21) e maior número de vitórias consecutivas na largada da temporada (8).

É até difícil escolher apenas um destaque desta temporada fantástica. A escolha foi por Thomas Müller que, após temporadas medianas, explodiu em 2012/2013 e foi uma das peças chave do elenco de Jupp Heynckes. Mas nunca podemos deixar de lado Manuel Neuer, Franck Ribéry, Mario Mandžukić, Arjen Robben (esse começou mal, mas explodiu na reta final) e os experientes Lahm e Schweinsteiger como seres fundamentais na temporada.

Borussia Dortmund

Colocação: 2º com 66 pontos(classificado para a fase de grupos da Liga dos Campeões)
Técnico: Jürgen Klopp
Maior vitória: 5×0 Borussia Mönchengladbach (6ª rodada) e Werder Bremen (18ª rodada); 6×1 Greuther Fürth (29ª rodada)
Maior derrota: 1×4 Hamburg (21ª rodada)
Competição continental: Vice-campeão europeu
Principal jogador: Robert Lewandowski (atacante)
Decepção: Julian Schieber (atacante)
Artilheiro: Robert Lewandowski – 24 gols
Líder em assistências: Marco Reus e Kuba (meias) – 9 assistências
Nota da temporada: 8,5

Não é exagero dizer que foi uma temporada atípica do Borussia Dortmund. Com o título se encaminhando para a Baviera logo no primeiro turno, os pupilos de Jürgen Klopp desviaram suas atenções à Liga dos Campeões da Europa, onde também foram algozes do Bayern.Além disso, o time amarelo e negro perdeuparte de sua força no Signal Iduna Park. Em casa, o Dortmund teve a 3ª melhor campanha, mas perdeu quatro jogos, todas elas inesperadas, diante do rival Schalke, dos decepcionantes Wolfsburg e Hamburg e do quase rebaixado Hoffenheim.

Como pontos positivos vale destacar a presença de Marco Reus que mostrou muita personalidade em sua primeira temporada pelo clube, assim como Robert Lewandowski que deixou de ser aquele atacante perdedor de gols para se tornar uma máquina indestrutível de gols. O polonês foi o artilheiro do time como 24 gols.

Bayer Leverkusen

Colocação: 3º com 65 pontos(classificado para a fase de grupos da Liga dos Campeões)
Técnicos: Sascha Lewandowski e Sami Hyypiä
Maior vitória: 5×0 Hoffenheim (30ª rodada)
Maior derrota: 0x3 Borussia Dortmund (3ª rodada)
Competição continental: Eliminado pelo Benfica na fase 32avos de final da Liga Europa
Principal jogador: Stefan Kiessling (atacante)
Decepção: Junior Fernandes (atacante)
Artilheiro: Stefan Kiessling – 25 gols
Líder em assistências: Stefan Kiessling – 7 assistências
Nota da temporada: 8,0

O Bayer Leverkusen já dava sinais de recuperação na parte final da temporada passada quando trocou Robin Dutt pela dupla Sascha Lewandowski e Sami Hyypiä, e esse avanço ficou mais nítido em 2012/13. Os Aspirinas foram os únicos capazes de bater o Bayern e ainda ocuparam a 3ª colocação no Campeonato Alemão, isso tudo com base semelhante à de temporadas passadas e alguns retoques. Entre as mexidas, Eren Derdyiok e Renato Augusto, que já não acrescentavam ao elenco, deixaram o clube. O espanhol Carvajal veio do time B do Real Madrid, se tornou um dos principais laterais direito do campeonato e sua presença propiciou a afirmação de Gonzalo Castro no setor ofensivo ao lado de Schürrle.

Porém, o principal nome do Leverkusen foi o grandão Stefan Kiessling de 1,91m de altura. Somente nesta temporada o centroavante revelado pelo Nürnberg fez mais gols do que nas últimas duas temporadas: 25 (havia feito 23 anteriormente) e foi o artilheiro do campeonato. Além disso, Kiessling foi o líder de assistências do time com sete e isso tem dado uma dura pressão para que Joachim Löw o convoque para a seleção.

Schalke 04

Colocação: 4º com 55 pontos(classificado para a fase prévia da Liga dos Campeões)
Técnicos: Huub Stevens (até a 17ª rodada) e Jens Keller
Maior vitória: 3×0 Mainz (5ª rodada), Wolfsburg (7ª rodada), Hoffenheim (27ª rodada); 4×1 Wolfsburg (24ª rodada) e Hamburg (31ª rodada)
Maior derrota: 0x4 Bayern (21ª rodada)
Competição continental: Eliminado pelo Galatasaray nas oitavas de final da Liga dos Campeões
Principal jogador: Julian Draxler (meia-atacante)
Decepção: Ibrahim Afellay (meia-atacante)
Artilheiro: Klaas-Jan Huntelaar (atacante) e Julian Draxler – 10 gols
Líder em assistências: Lewis Holtby* – 7 assistências
Nota da temporada: 7,5

*Holtby trocou o Schalke pelo Tottenham na metade da temporada

Mais uma vez o Schalke prometeu demais para a temporada e esbarrou nos próprios problemas. O maior deles, sem dúvida alguma, foi na comissão técnica. O experiente Huub Stevens foi demitido antes de terminar o primeiro turno e Jens Keller, puxado do time sub-17 do próprio Schalke, demorou a encontrar a equipe ideal. Além disso, os Azuis Reais armaram mal o elenco. Sem reservas para a defesa, Keller teve de improvisar diversas vezes no setor e após a perda do armador Lewis Holtby no meio da temporada, fez mil e uma invenções para achar o melhor substituto. Barnetta e Afellay, que poderiam ser alternativas, se tornaram flops, com o holandês, inclusive, brigando com membros da comissão médica do clube.

Também holandês, Huntelaar foi outro que decepcionou. Apesar de ser um dos artilheiros da equipe com dez gols, o atacante deixou a desejar técnica e fisicamente. Não à toa, foram 19 gols há menos que na temporada passada. Com isso, o peso caiu sobre Draxler de 19 anos, que foi o grande responsável pela classificação do time para a Liga dos Campeões.

Freiburg

Colocação: 5º com 51 pontos (classificado para a Liga Europa)
Técnico: Christian Streich
Maior vitória: 3×0 Nürnberg (7ª rodada) e Stuttgart (13ª rodada)
Maior derrota: 1×5 Borussia Dortmund (25ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador: Max Kruse (meia-atacante)
Decepção: Ezequiel Calvente (meia-atacante)
Artilheiro: Max Kruse (11 gols)
Líder em assistências: Max Kruse (7 assistências)
Nota da temporada: 7,5

Após reformular o elenco inteiro na metade da última temporada e salvar o time do rebaixamento, o técnico Christian Streich teve seu trabalho no Freiburg coroado com a classificação para a Liga Europa. E por pouco não veio à vaga na Liga dos Campeões: nos últimos dez jogos da Bundesliga, o time da Floresta Negra perdeu cinco (11 na temporada toda), inclusive para o Schalke na última rodada, em partida que colocaria o Freiburg na Liga se vencesse.

Mas o time não pode se lamentar por isso. A temporada foi ótima e o Freiburg se firmou na elite com uma equipe muito jovem. Streich utilizou 13 jogadores de 23 anos ou menos durante a temporada, inclusive o franco-austríaco Jonathan Schmid, de 22 anos, destaque do time ao lado de Max Kruse, artilheiro e principal passador do time. Kruse, que foi convocado por Löw para a seleção alemã, já foi vendido ao Borussia Mönchengladbach, mas o principal foco do Freiburg é manter Christian Streich, que é cobiçado por outros clubes do país.

Eintracht Frankfurt

Colocação: 6º com 51 pontos (classificado para a Liga Europa)
Técnico: Armin Veh
Maior vitória: 4×0 Hoffenheim (2ª rodada)
Maior derrota: 0x4 Fortuna Düsseldorf (15ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador: Alexander Meier (meia-atacante)
Decepção: Olivier Occéan (atacante)
Artilheiro: Alexander Meier – 16 gols
Líder em assistências: Bastian Oczipka (lateral-esquerdo) – 7 assistências
Nota da temporada: 7,5

Após trabalhos ruins em Wolfsburg e Hamburg, o experiente técnico Armin Veh, campeão alemão com o Stuttgart em 2007, foi se “reciclar” na segunda divisão com o Eintracht Frankfurt. Ele não só trouxe o time de volta a elite como colocou o clube na Liga Europa após sete anos. Mas essa classificação veio graças à ótima campanha no primeiro turno, onde 30 dos 51 pontos foram somados.

O diferencial do time de Veh foi a mescla entre jovens e experientes. Os garotos do elenco eram, principalmente, Trapp, Jung, Rode (22 anos), Oczipka (24) e Inui (25), enquanto os “vovôs” Lanig, Russ, Schwegler e, especialmente o artilheiro Alex Meier seguravam a onda. A grande procura para a próxima temporada é de um centroavante, já que Occéan esteve abaixo da crítica e Lakić não conseguiu ter boa regularidade. Meier teve de quebrar um galho no atacante vez ou outra.

Hamburg

Colocação: 7º com 48 pontos
Técnico: Thorsten Fink
Maior vitória: 4×1 Borussia Dortmund (21ª rodada) e Hoffenheim (33ª rodada)
Maior derrota: 2×9 Bayern Munique (27ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador: Heung-Min Son (atacante)
Decepção: Petr Jiráček (volante)
Artilheiros: Artjoms Rudnevs (atacante) e Heung-Min Son – 12 gols
Líder em assistências: Rafael van der Vaart (meia-atacante) – 9 assistências
Nota da temporada: 7,0

Após se livrar do rebaixamento no sufoco na temporada passada, o Hamburg cresceu de rendimento e quase beliscou uma vaga na Liga Europa. Um dos méritos do técnico Thorsten Fink foi fazer o tradicional time do norte da Alemanha empatar menos. Depois dos 12 placares iguais em 11/12, o HSV empatou apenas seis vezes nesta temporada, somente o Bayern empatou menos. Porém, o time permaneceu oscilando muito, como foi notada nas duas vitórias sobre o Dortmund e na humilhante derrota por 9×2 diante do Bayern.

Apesar dessa oscilação, a temporada foi de reafirmação para jogadores como Heikko Westermann e René Adler que superaram as lesões e as desconfianças para serem peças fundamentais do Hamburg. Além disso, a dupla retomou espaço na seleção alemã. Outra dupla que fez sucesso foi a de ataque: Rudnevs e Son, autores de 24 dos 42 gols do time. O letão e o sul-coreano acabaram ofuscando a temporada de Rafael van der Vaart, que retornou ao clube e até foi bem, mas esperava-se mais, principalmente com a condução do time para a Liga Europa.

Borussia Mönchengladbach

Colocação: 8º com 47 pontos
Técnico: Lucien Favre
Maior vitória: 2×0 Eintracht Frankfurt (7ª rodada), Wolfsburg (14ª rodada), Mainz (16ª rodada); 4x2Greuther Fürth (11ª rodada) e Mainz (33ª rodada)
Maior derrota: 0x5 Borussia Dortmund (6ª rodada)
Competição continental: Eliminado pela Lazio na fase 32avos de final da Liga Europa
Principal jogador: Juan Arango (meia-atacante)
Decepção: Mike Hanke (atacante)
Artilheiros: Patrick Herrmann (meia-atacante) e Luuk de Jong (atacante) – 6 gols
Líder em assistências: Patrick Herrmann – 5 assistências
Nota da temporada: 6,5

Se houve um time que sofreu muito com as perdas de jogadores para esta temporada foi o Borussia Mönchengladbach. Sem Dante, Neustadter e Reus, os Potros sentiram falta de pilares e o peso caiu todo sobre os ombros de Juan Arango que virou o faz-tudo do time. Patrick Herrmann foi outro que viu a pressão dobrar para seu lado e, apesar de disputar quase todas as partidas da temporada, rendeu abaixo do esperado.

Além disso, Luuk de Jong e Granit Xhaka, que foram as principais contratações do time, não renderam o prometido. O técnico Lucien Favre aguarda que seja apenas questão de adaptação, afinal, ambos são jovens. Para a próxima temporada, ele já terá a disposição Max Kruse do Freiburg, recém-contratado, que substituirá o polêmico Hanke, que deixará o clube.

Hannover 96

Colocação: 9º com 46 pontos
Técnico: Mirko Slomka
Maior vitória: 4×0 Wolfsburg (2ª rodada) e 5×1 Hamburg (23ª rodada)
Maior derrota: 0x5 e 1×6 Bayern (13ª e 30ª rodada)
Competição continental: Eliminado pelo Anzhi (RUS) na fase 32avos de final
Principal jogador: Szabolcs Huszti (meia-atacante)
Decepção: Jan Schlaudraff (meia-atacante)
Artilheiro: Mame Diouf (atacante) – 12 gols
Líder em assistências: Szabolcs Huszti – 9 assistências
Nota da temporada: 6,0

Após quase ir para a Liga dos Campeões na temporada retrasada, o Hannover começa a dar sinais de envelhecimento. Sem renovar o elenco desde então, o time treinado por Mirko Slomka fez campanha irregular e não disputará a Liga Europa pelo terceiro ano seguido. O único sopro de esperança foi feito pela dupla Huszti e Diouf. O primeiro retornou ao Hannover após passagem pelo Zenit e encerrou a temporada com nove gols e nove assistências, já o segundo teve a sequência que não teve no futebol inglês e foi o artilheiro da equipe com 12 tentos.

Porém, fica o registro dos claros sinais de decadência de jogadores mais experientes e importantes em temporadas passadas como Sérgio Pinto (que deixará o clube que defende desde 2007), Didier Ya Konan, Mohamed Abdellaoue, Christian Schulz e Jan Schlaudraff. O Hannover, que tem a terceira maior média de idade do Campeonato Alemão (26,2) encerrou a temporada crendo que deve se renovar pros próximos anos.

Nürnberg

Colocação: 10º com 44 pontos
Técnico: Dieter Hecking (até a 18ª rodada) e Michael Wiesinger
Maior vitória: 3×0 Schalke (26ª rodada)
Maior derrota: 0x4 Bayern (29ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador: Hiroshi Kyiotake (meia-atacante)
Decepção: Alexander Esswein (meia-atacante)
Artilheiro: Per Nilsson (zagueiro) – 6 gols
Líder em assistências: Hiroshi Kyiotake – 10 assistências
Nota da temporada: 6,0

O Nürnberg frequentemente está na lista dos candidatos ao rebaixamento, mas sempre se livra no sufoco. Nesta temporada tinha tudo para ser assim, principalmente após a saída do técnico Dieter Hecking na metade da temporada, mas Michael Wiesinger assumiu em seu lugar e o time bávaro manteve-se regular, aliás, até melhorou seu desempenho. No 1º turno, o Club fez 20 pontos e marcou 17 gols, no 2º foram 24 pontos, 22 gols e a 8ª melhor campanha.

O que novamente atrapalhou o Nürnberg foi a ineficácia de seus atacantes. Os centroavantes Sebastian Polter e Thomas Pekhart somaram nove gols e Esswein, um dos destaques do time nos últimos anos, fez temporada abaixo da crítica e só balançou as redes duas vezes. Dois fatos retratam essa ineficácia: o Nürnberg teve o quarto pior ataque da competição com 39 gols marcados e o zagueiro Per Nilsson foi o artilheiro do time com meia dúzia de tentos.

Wolfsburg

Colocação: 11º com 43 pontos
Técnico: Félix Magath (até 8ª rodada), Lorenz-Günther Köstner (até 18ª rodada) e Dieter Hecking
Maior vitória: 4×1 Fortuna Düsseldorf (9ª rodada), 5×2 Freiburg (25ª rodada) e 3×0 Werder Bremen (30ª rodada)
Maior derrota: 0x4 Hannover (2ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador: Diego (meia-atacante)
Decepção: Patrick Helmes (atacante)
Artilheiro: Diego – 10 gols
Líder em assistências: Diego – 7 assistências
Nota da temporada: 5,5

Lá se vai mais uma temporada em que o Wolfsburg gasta um oceano de dinheiro para ficar no meio da tabela. Naldo, Fagner, Perišić, Olić e Dost foram só alguns dos contratados para vestirem a camisa dos Lobos e levarem o time, no mínimo, para a Liga dos Campeões da Europa. Se não fosse Diego, a temporada do Wolfsburg poderia ter sido mais desastrosa.

O sopro de alívio foi Dieter Hecking que trocou o calmo Nürnberg, onde é ídolo, pelo conturbado clube da Volkswagen. Foi justamente no período de comando de Hecking que o Wolfsburg alçou maiores voos e terminou o 2º turno com a 6ª melhor campanha. O que preocupa é a irregularidade. Os Lobos venceram apenas 10 jogos, acumulando 13 empates e 11 derrotas, isso tudo com uma série invicta de dez partidas no campeonato, porém, com sete placares iguais nessa série.

Stuttgart

Colocação: 12º com 43 pontos
Técnico: Bruno Labbadia
Maior vitória: 2×0 Nürnberg (6ª rodada) e Borussia Mönchengladbach (29ª rodada), 3×1 Schalke (16ª rodada)
Maior derrota: 1×6 Bayern (2ª rodada)
Competição continental: Eliminado pela Lazio (ITA) nas oitavas de final da Liga Europa
Principal jogador: Vedad Ibišević (atacante)
Decepção: Federico Macheda (atacante)
Artilheiro: Vedad Ibišević – 15 gols
Líder em assistências: Ibrahima Touré (meia-atacante) – 6 assistências
Nota da temporada: 5,5

Se em anos anteriores o Stuttgart estava se salvando do rebaixamento com campanhas de recuperação no segundo turno, desta vez a história foi contrária. Na primeira metade do Campeonato Alemão, os Suábios somaram 25 pontos e tiveram a 9ª melhor campanha, mas no segundo turno o time somou sete pontos há menos. Por fim, os pontos há mais somados no primeiro turno deram a gordura necessária para que o descenso fosse evitado com antecedência.

Os destaques do time treinado por Bruno Labbadia estão nas duas extremas: o goleiro Sven Ulreich (que vem sendo sobrado na seleção) e o atacante Vedad Ibišević, artilheiro do time com 15 gols. Christian Gentner e Ibrahima Touré foram outros dois carregadores de piano que colaborarampara que a campanha do Stuttgart não fosse mais fraca do que já foi.

Mainz 05

Colocação: 13º com 42 pontos
Técnico: Thomas Tuchel
Maior vitória: 3×0 Greuther Fürth (19ª rodada)
Maior derrota: 0x3 Schalke (5ª rodada) e Bayern (20ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador: Ádám Szalai (atacante)
Decepção: Ivan Klasnić (atacante)
Artilheiro: Ádám Szalai – 13 gols
Líderes em assistências: Nicolai Müller e Andreas Ivanschitz (meias-atacantes) – 5 assistências
Nota da temporada: 5,0

Chamar o Mainz de “cavalo paraguaio” talvez seja exagero, mas que o time de Thomas Tuchel prometeu muito após o primeiro turno, prometeu. Nas 18 rodadas iniciais, foram sete vitórias, cinco empates e cinco derrotas e a equipe parecia que lutaria por uma das vagas na Liga Europa, mas toda campanha foi jogada fora com um fraco segundo turno, marcado por apenas três vitórias. O maior reflexo dessa queda foi o atacante e artilheiro do time, Ádám Szalai. O húngaro fez nove gols no primeiro turno e apenas quatro no segundo.

Curiosamente, o Mainz que foi uma das surpresas do Campeonato Alemão há duas temporadas junto com o Hannover, sofre do mesmo mal do time de Slomka: elenco envelhecido. Wetklo, Svensson, Pospech, Noveski, Zabavnik, Caligiuri, Soto e Ivanschitz são apenas alguns dos remanescentes daquela campanha e que já passaram ou se aproximam dos 30 anos.

Werder Bremen

Colocação: 14ª com 34 pontos
Técnico: Thomas Schaaf
Maior vitória: 4×0 Borussia Mönchengladbach (8ª rodada)
Maior derrota: 0x5 Borussia Dortmund (18ª rodada) e 1×6 Bayern (23ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador: Kevin de Bruyne (meia-atacante)
Decepção: Eljero Elia (meia-atacante)
Artilheiros: Nils Petersen (atacante) e Aaron Hunt (meia-atacante) – 11 gols
Líder em assistências: Kevin de Bruyne – 9 assistências
Nota da temporada: 4,5

O Werder Bremen tinha o elenco com a média de idade mais baixa do Campeonato Alemão (23,8),logo, uma campanha ruim era até esperada, mas trágica como foi, nem o mais pessimista torcedor imaginaria. O Bremen teve a segunda pior defesa da temporada com 66 gols sofridos e encerrou o campeonato com 13 tropeços seguidos (sete derrotas e seis empates). No 2º turno foram apenas duas vitórias, e foi, ao lado de Mainz e Greuther Fürth, a equipe que menos venceu no turno.

O reflexo disso é visto nos bastidores. Klaus Allofs, diretor esportivo, já havia migrado para o Wolfsburg antes mesmo de 2012 ser encerrado e agora foi a vez do técnico Thomas Schaaf, no cargo desde 1999, deixar o clube. Robin Dutt, futuro comandante do Bremen, terá bons nomes como Petersen, Hunt e o goleiro Mielitz, mas terá de lidar com flops como Elia e Arnautovic e com a perda de Kevin de Bruyne, que não deve permanecer no clube.

Augsburg

Colocação: 15º com 33 pontos
Técnico: Markus Weinzierl
Maior vitória: 3×0 Stuttgart (31ª rodada)
Maior derrota: 0x3 Bayern (33ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador: Sascha Mölders (atacante)
Decepção: Aristide Bancé (atacante)
Artilheiro: Sascha Mölders – 10 gols
Líder em assistências: Tobias Werner (meia-atacante)
Nota da temporada: 4,0

Após ocupar a vice-lanterna no primeiro turno do Campeonato Alemão, o Augsburg quase triplicou seu número de pontos na fase final e permanecerá na elite do futebol germânico pela terceira temporada seguida. Poucos imaginariam isso, afinal, Jos Luhukaay, grande responsável pela ascensão do time, migrara para a capital onde treinou o Hertha, mas Markus Weinzierl conseguiu dar sequência a esse trabalho e mantem a Baviera com três representantes na elite.

Há de se destacar também a cirúrgica contratação do sul-coreano Dong-Won Ji. Com Sascha Mölders sacrificado desde a temporada passada e Aristide Bancé, homem que deveria fazer sombra a Mölders, muito mal, o Augsburg trouxe o asiático que não estava sendo aproveitado no Sunderland. Ji balançou as redes cinco vezes e ajudou a manter os bávaros entre os 18 principais clubes do país.

Hoffenheim

Colocação: 16º com 31 pontos (evitou o rebaixamento nos playoffs)
Técnicos: Markus Babbel (até a 15ª rodada), Frank Kramer* (até a 17ª rodada), Marco Kurz (até a 27ª rodada) e Markus Gisdol
Maior vitória: 3×0 Stuttgart (5ª rodada), Greuther Fürth (25ª rodada) e Fortuna Düsseldorf (28ª rodada)
Maior derrota: 0x5 Leverkusen (30ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador: Kevin Volland (atacante)
Decepção: Tim Wiese (goleiro)
Artilheiro: Sejad Salihović (meia-atacante) – 7 gols
Líder em assistências: Kevin Volland – 9 assistências
Nota da temporada: 3,5

*Frank Kramer foi técnico interino

Com muito sangue, suor e lágrimas, o Hoffenheim conseguiu permanecer na elite do futebol alemão via playoff. Vale dizer que o time, apesar de toda bagunça interna (quatro técnicos durante a temporada), fez por onde merecer a vaga na repescagem, pois bateu Düsseldorf e Fürth no segundo turno e os dois times foram os únicos que ficaram atrás.

Mas a temporada não foi só drama. O garoto Kevin Volland, revelação do Munique 1860, estreou na primeira divisão nesta temporada e participou de todas as partidas do Hoffenheim, anotando seis gols e distribuindo nove assistências. Sejad Salihović foi outro a se destacar na temporada, marcando, inclusive, os dois gols da virada diante do Dortmund, jogo que colocou o time na repescagem.

Fortuna Düsseldorf

Colocação: 17º com 30 pontos (rebaixado)
Técnico: Norbert Meier
Maior vitória: 4×0 Eintracht Frankfurt (15ª rodada)
Maior derrota: 0x5 Bayern (8ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador: Fabian Giefer (goleiro)
Decepção: Andriy Voronin (atacante)
Artilheiro: Dani Schahin (atacante) – 8 gols
Líder em assistências: Robbie Kruse (meia-atacante) – 6 assistências
Nota da temporada: 3,0

O Fortuna Düsseldorf entrou para o hall de equipes que largaram bem no primeiro turno, mas que morreram na parte final da temporada. Nas 18 rodadas iniciais, o time de Norbert Meier somou 21 pontos e dava a impressão de que poderia trilhar um caminhosólido para permanecer na elite, mas veio o segundo turno e o Düsseldorf somou apenas nove pontos e acumulou 12 derrotas, se tornando a equipe que mais perdeu no turno.

Dentre os destaques, foi interessante ver Fabian Giefer ter a sequência que nunca teve no Bayer Leverkusen, se tornando um dos principais jogadores do Fortuna Düsseldorf. O australiano Robbie Kruse e o alemão Stefan Reisinger foram outros destaques positivos do time, mas negativamente não tem como fugir do veterano Voronin que fez míseras dez partidas e não balançou as redes.

Greuther Fürth

Colocação: 18º com 21 pontos (rebaixado)
Técnico: Michael Büskens (até a 22ª rodada), Ludwig Preis* (até a 25ª rodada) e Frank Kramer
Maior vitória: 2×0 Stuttgart (32ª rodada)
Maior derrota: 1×6 Borussia Dortmund (29ª rodada)
Competição continental: Nenhuma
Principal jogador:Edgar Prib (meia-atacante)
Decepção: Gerald Asamoah (atacante)
Artilheiro: Nikola Djurdjic (atacante) – 5 gols
Líder em assistências: Edgar Prib – 3 assistências
Nota da temporada: 1,0

*Ludwig Preis foi técnico interino

A passagem do Greuther Fürth pela primeira divisão foi meramente figurativa. O time bávaro teve o pior ataque com 26 gols e foi o time que mais perdeu, 21 partidas. Além disso, das quatro partidas que triunfou na temporada, nenhuma foi em seu estádio.

De ponto positivo ao Fürth, vem a nova safra de jogadores utilizados durante a temporada. 13 atletas abaixo dos 23 anos pisaram em campo com a camisa do clube, incluindo Abdul Baba (18 anos), Matthias Zimmerman (20 anos) e Félix Klaus (20 anos). Edgar Prib, principal assistente do time, tem apenas 23 anos. Esses jogadores formam a esperança do Fürth para retornar a elite nos próximos anos.