Fim de ano. Tempo de alegria, análises, festas e retrospectivas. Como não poderíamos ficar fora dessa, trazemos a primeira parte da temporada sul-americana revisitada. Na coluna de hoje você fica sabendo o que aconteceu no Uruguai, Peru, Paraguai e Equador.


Uruguai

O Apertura 2011 foi um torneio de decepções, revoltas e surpresas para os dois maiores clubes uruguaios. Após a dispensa de Juan Ramón Carrasco, a direção do Nacional decidiu fazer uma aposta ousada: transformou o até aquele momento jogador Marcelo Gallardo em técnico da equipe. Para deixar a situação mais difícil ainda, o Bolso perdeu Coates, Morro García e o capitão Alejandro Lembo e trouxe apenas o semi-aposentado Recoba, 35 anos, para o campeonato. O começo do
tricolor foi terrível. Foram apenas 10 pontos nas sete primeiras rodadas, resultados que despertaram a antipatia de dirigentes e de parte da torcida.

O Peñarol, por outro lado, mesmo com a perda de oito atletas que figuravam constantemente entre os titulares conseguiu, com o recém-chegado técnico Gregorio Pérez, chegar à ponta da tabela e com a ajuda de outro veterano: Marcelo Zalayeta. A equipe conseguiu colocar sete pontos de vantagem ante o rival de três cores, mas, como no futebol só acaba quando termina, o Nacional surpreendeu nas rodadas finais e cresceu de produção, enquanto os aurinegros chafurdaram no próprio fracasso. No clássico entre os dois, deu Bolso, com gol do desacreditado Recoba no último minuto. Daí em diante coube ao Nacional ratificar seu bom momento e contar com um tropeço do Danubio, que chegou a ficar na liderança em uma campanha honrosa, mas que no fim das contas ficou com o vice-campeonato e o posto de coadjuvante na briga dos dois gigantes do país. Fica a expectativa acerca de um possível troco no Clausura.

Campeão Apertura 2011: Nacional
Surpresas: River Plate (quarto colocado) e Cerro Largo (quinto
colocado com um bom período de briga pela liderança)
Decepções: Peñarol (tinha o título na mão e o perdeu com uma sequência
terrível de resultados na reta final)


Peru

Do início ao fim o Descentralizado 2011 foi o campeonato do Alianza Lima. A equipe fez 42 pontos nos 20 primeiros jogos e manteve o bom desempenho durante quase todo o torneio, apoiado nas boas atuações do volante Montaño, do meia Arroé e do goleador Ovelar. Quando conseguiu a classificação para a decisão do torneio peruano, a equipe sentou na vantagem e passou a perder jogos fáceis e ver a sombra do Juan Aurich chegando. O time de Chiclayo foi tão bem na reta final do campeonato, principalmente graças ao atacante panamenho Luis Tejada, que até chegou a passar a equipe da capital na fase de pontos corridos. Na última rodada, no entanto, o Alianza ficou com a liderança e a vantagem de decidir em casa o campeonato. O título aliancista pareceu questão de tempo depois da equipe vencer o Juan Aurich por 2 a 1 fora de casa. Mas o Ciclón del Norte deu o troco em Lima, forçando um erceiro jogo, novamente na casa do Alianza. Após um jogo truncado,
brigado e de chances para ambos, o 0 a 0 no placar mandou as duas melhores equipes do país decidirem o título nos pênaltis. Nas cobranças da marca da cal, melhor para o Juan Aurich, que contou com as defesas do goleiro Penny para se sagrar campeão peruano pela primeira vez em sua história.

Campeão: Juan Aurich
Classificados à Libertadores 2012: Juan Aurich, Alianza Lima e Sport Huancayo
Classificados à Sul-Americana 2012: Universidad San Martín, León de
Huánuco, Unión Comercio e Inti Gas
Rebaixados: Alianza Atlético e CNI
Promovidos para o ano que vem: José Gálvez e Real Garcilaso
Surpresas: Inti Gas (melhor colocação da história e primeira
classificação a torneio continental) e Juan Aurich (primeiro título na
história)
Decepções: Universidad San Martín (campeã com folga na temporada
passada, ficou em quarto neste ano) e Universitario de Deportes
(campeão em 2009 e time de tradição no país, ficou à beira do
rebaixamento)


Paraguai

No Apertura um campeão absoluto. No Clausura uma briga entre quatro grandes clubes do país. Foi mais ou menos assim a temporada 2011 do futebol paraguaio. No Apertura em que o Olimpia começou arrasando – com oito vitórias e uma derrota nos primeiros nove jogos -, e depois perdeu a mão – três vitórias, três empates e três derrotas nas nove seguintes – quem se deu melhor foi o Nacional. Personificando o bordão da regularidade nos pontos corridos, a equipe venceu na força do conjunto, com um destaque aqui e outro acolá para jogadores como o goleiro Ignacio Don, o zagueiro Herminio Miranda e o atacante Victor Aquino, que se destacaram e apareceram bem na hora em que o time precisou. Para o Clausura a pressão estava toda em cima de Olimpia e Cerro Porteño. O Decano porque somava 11 anos sem uma conquista e o Ciclón pela campanha ruim no Apertura após um desempenho muito bom na Libertadores. Com todos estes elementos juntos e mais o sempre cascudo Libertad, o Clausura não podia ser de outra forma. Durante todo o torneio Olimpia, Nacional e Libertad se alternaram nas primeiras posições, com o Cerro sempre por perto. Na reta final o Nacional perdeu força e ficou fora da briga. Na sequência foi o Libertad, que tropeçou mais do que podia e terminou a temporada com uma boa campanha, mas sem títulos. Na última rodada o embate entre Olimpia e Cerro teve o Decano como vencedor, propulsado pelas grandes atuações de Pablo Zeballos e muitas vezes também de Maxi Biancucchi, além, é claro, do desempenho sereno do técnico uruguaio Gerardo Pelusso que venceu em meio ao sempre turbulento clima do clube. Ao Cerro nem a Libertadores 2012 restou…

Campeão da temporada: Não há jogo entre os campeões dos torneios curtos
Campeão do Apertura: Nacional
Campeão do Clausura: Olimpia
Classificados à Libertadores 2012: Olimpia, Nacional e Libertad
Classificados à Sul-Americana 2012: Olimpia, Cerro Porteño, Tacuary e Guarani
Rebaixados: General Caballero e 3 de Febrero
Promovidos para o ano que vem: Cerro Porteño Presidente Franco e
Sportivo Carapeguá
Surpresas: Tacuary (conseguiu sua terceira participação em torneios
continentais) e Independiente CG (vindo da segundona, terminou a
temporada em oitavo, longe do rebaixamento)
Decepções: Cerro Porteño (investiu suas fichas na Libertadores de
2011, fez um péssimo Apertura, ficou sem o Clausura e também fora da
Libertadores)


Equador

A temporada equatoriana teve dois campeonatos, dois grandes times, mas, obviamente, apenas um vencedor. O Primera Etapa foi do Emelec. Armado em um defensivo 3-6-1, o time do técnico Omar Asad conseguiu uma consistência acima da média ante os rivais e se viu na dianteira da tabela com as duas equipes de Quito – LDU e Deportivo – se engalfinhando em seu encalço. Depois de um “soluço” no final, que deixou a LDU na liderança do torneio faltando três rodadas para o final, os Electricos se recuperaram e, aproveitando o tropeço da LDU, faturaram o Primeira Etapa. Já o segundo round foi do Deportivo Quito. Nas primeiras dez rodadas foram oito vitórias e dois empates, com direito a mais de 600 minutos de invencibilidade do goleiro Bone e gols aos borbotões do artilheiro Bevacqua. Com esse time quase imbatível, os chullas assumiram a liderança do Segunda Etapa na segunda rodada e não saíram mais. Contribuiu também para esse desempenho uma LDU apenas regular e a imensa crise de identidade do Emelec que, com a saída de Omar Asad no início do campeonato, trouxe Juan Ramón Carrasco do Nacional do Uruguai e se perdeu. Ofensivo por natureza, Carrasco não conseguiu transformar o defensivo time Electrico em um escrete a seu gosto. Em uma tentativa desesperada a direção do Emelec despediu Carrasco e efetivou o agora ex-jogador Marcelo Fleitas para a decisão da temporada. Não adiantou. O “Imbatível Quito” venceu os dois jogos e foi merecidamente o campeão equatoriano.

 

Campeão da temporada: Deportivo Quito
Campeão do Primera Etapa: Emelec (não conta como título no país)
Campeão do Segunda Etapa: Deportivo Quito (não conta como título no país)
Classificados à Libertadores 2012: Deportivo Quito, Emelec e El Nacional
Classificados à Sul-Americana 2012: Deportivo Quito e três
classificados do Primera Etapa 2012
Rebaixados: Imbabura e Espoli
Promovidos para o ano que vem: Técnico Universitario e Macará
Surpresas: Deportivo Quito (não pelo título, mas pela forma da equipe
durante os dois torneios)
Decepções: LDU (perdeu a vaga na Libertadores na decisão do terceiro
lugar contra o El Nacional)


Libertadores 2012

Faltando apenas os representantes Chile 1 e Chile 2, os grupos da Libertadores e as chaves da “Pré”-Libertadores estão da seguinte forma:

Primeira fase
Jogo 1: Arsenal (ARG) x Sport Huancayo (PER)
Jogo 2: Real Potosí (BOL) x Flamengo
Jogo 3: Peñarol (URU) x Caracas (VEN)
Jogo 4: El Nacional (EQU) x Libertad (PAR)
Jogo 5: Internacional x Once Caldas (COL)
Jogo 6: Chile 3 x Tigres (MEX)

Grupo 1: Santos, Juan Aurich (PER), The Strongest (BOL) e Ganhador 5
Grupo 2: Olimpia (PAR), Emelec (EQU), Lanús (ARG) e Ganhador 2
Grupo 3: Bolívar (BOL), Junior (COL), Chile 2 e Ganhador 6
Grupo 4: Boca Juniors (ARG), Zamora (VEN), Fluminense e Ganhador 1
Grupo 5: Nacional (URU), Alianza Lima (PER), Vasco da Gama e Ganhador 4
Grupo 6: Corinthians, Deportivo Táchira (VEN), Nacional (PAR) e Cruz Azul (MEX)
Grupo 7: Vélez Sarsfield (ARG), Deportivo Quito (EQU), Defensor Sporting (URU) e Chivas (MEX)
Grupo 8: Universidad de Chile, Atletico Nacional (COL), Godoy Cruz (ARG) e Ganhador 3

Colombianas

Depois de uma vitória de virada por 3 a 2 em casa, o Junior de Barranquila perdeu para o Once Caldas por 2 a 1 em Manizalles e o jogo foi para os pênaltis. Nas cobranças melhor para o Junior, que fez 4 a 2 e conquistou seu sétimo título colombiano.

Bolivianas

Na Bolívia o The Strongest é que faz a festa. Em La Paz no fim de semana os Tigres fizeram 2 a 0 no Universitario. Nesta quinta-feira, em Sucre, o Universitario só conseguiu ficar no empate. A equipe chegou a seu oitavo título boliviano.

Chilenas

– No Chile a final será entre a Universidad de Chile e o Cobreloa, coincidentemente os dois times de melhor campanha na fase de pontos corridos do Clausura. A U. de Chile venceu a Católica por 2 a 1 fora de casa na partida de ida, mas perdeu na volta também por 2 a 1. No resultado igual passaram os azules graças à melhor campanha na primeira parte do torneio. A derrota significou o fim da invencibilidade da equipe, que já durava 36 jogos.

– Na outra chave o Cobreloa, que havia vencido o Colo Colo fora de casa por 3 a 2 no fim de semana perdeu por apenas 2 a 1 em seus domínios e avançou à final. Com o resultado o Cacique terminou o ano sem título e sem Libertadores.

– Universidad de Chile, campeã da temporada, e Universidad Católica, vice do Apertura e segunda melhor colocada na tabela acumulada já estão na Libertadores. A última vaga ficará ou com o Cobreloa, se for campeão do Clausura, ou com a Unión Española, terceiro melhor time na tabela.