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O futebol não é o esporte número um no coração dos indianos. Antes dele, vem o críquete, a modalidade mais popular e prestigiada na Índia, que arrasta uma legião de fãs aos estádios, alcança números estratosféricos de audiência em transmissões e faz o país ser referência mundial competitivamente. Mas o futebol vem logo na sequência, em segundo lugar. Considerando que estamos falando da segunda nação mais populosa do mundo e de mais de um bilhão de pessoas, é muita gente apaixonada pelo esporte bretão. Uma delas é Bala Devi, uma exceção dentro do futebol feminino indiano.

Bala é a primeira mulher indiana a se tornar jogadora profissional de futebol. Isso aconteceu esta semana, após ter assinado contrato com o Rangers por um ano e meio. Ela deixou o Manipur Police Sports Club, clube baseado em uma região fronteiriça com Mianmar, para fazer sua estreia em uma liga estrangeira aos 29 anos de idade. Um marco no futebol feminino da Índia, que, assim como o masculino, não tem apelo internacional, mas está a muitos passos atrás do praticado pelos homens.

Não é a primeira vez que Bala faz história e orgulha seu país. Também a primeira asiática a fechar com o Rangers, ela incentivou diversas mulheres a se arriscarem e deixarem sua vontade de jogar bola prevalecer. Filha de jogador, a meia-atacante deu seus primeiros chutes em campo ao lado de seu irmão mais velho, quando jovem. Com sua “ousadia”, ela, sem notar, iniciou um movimento que influenciou outras garotas a também o fazerem. Mais tarde, sua cidade-natal, Irengbam, ganhou um inédito time de futebol feminino. Graças a ela.

 

Bela Devi com a camisa da Índia ao ser anunciada pelo Rangers (Divulgação/Rangers Women)

Autora de 52 gols em 58 aparições com a camisa da Índia desde 2010, a artilheira da seleção nacional do país da Ásia coleciona mais de 100 gols em competições domésticas. A carreira de atleta, contudo, não era nada mole em terras indianas. Em Manipur, ela não conseguia viver do futebol e tinha que se dividir entre dois empregos. De dia, atuava como policial. Mas as noites, quando ela podia balançar as redes, ainda que em um trabalho semi-profissional, é que eram mesmo especiais.

Foi uma parceria entre o Rangers e o Bengaluru FC, clube relativamente novo – foi fundado em 2013 – e que disputa a elite do Campeonato Indiano, que possibilitou que Bala fosse para a Europa, para defender uma das principais equipes da Escócia.

Em setembro do ano passado, os escoceses e os indianos firmaram um acordo que previa intercâmbios de oportunidades e experiências comerciais e esportivas entre eles. Como o Bengaluru não possui um time feminino, facilitou a transferência de uma atleta consagrada na Índia, ainda que pertencente a outro clube, para o parceiro. Em novembro, Bala viajou para Glasgow para passar por um período de testes no Rangers, os quais foram tirados de letra pela maior goleadora do Campeonato Indiano feminino nas últimas duas temporadas.

Bala chega ao Rangers como muito mais que um mero reforço. Chega com pompa e com moral. À atacante foi entregue a camisa de maior responsabilidade dentro de qualquer equipe:  a 10. E é como uma 10 que ela jogará. A técnica Amy McDonald acredita que ela se sairá melhor atuando como costuma fazer na seleção indiana: como uma meia-armadora. “Nós cremos que ela vai ajudar com gols e assistências e que ela será uma ameaça no ataque. Vamos usar sua versatilidade a nosso favor em 2020”, comentou a treinadora.

Bala Devi em sua apresentação no Rangers (Divulgação/Rangers Women)

A temporada do futebol feminino escocês tem início no próximo fim de semana e vai até novembro. O Rangers encara o Queen’s Park, pela fase de grupos da Copa da Liga, no domingo. Tudo indica que ela fará sua estreia logo em seu primeiro jogo com a camisa dos Gers, já que vem treinando há mais de dois meses.

Fora de campo, sua ida a um dos mais tradicionais clubes do Reino Unido tem um grande peso, pois inspira e encoraja inúmeras mulheres indianas que jogam pelos tantos times que competem campeonatos regionais e nacionais no país. O sonho da profissionalização parece mais palpável agora. E não somente para jovens atletas, mas também jogadoras que estão há anos na estrada, como é o caso da própria Bala, que soma mais de 14 anos no futebol. Quem sabe, em um futuro próximo, elas não tenham que se deslocar para se consolidar como futebolistas profissionais?

“Espero que meu caso sirva de exemplo para todas as jogadoras de futebol da Índia que sonham em praticar a modalidade profissionalmente”, disse Bala. “Ela já é um exemplo para garotas em toda a Índia. Sua transferência para o Rangers pode ser inspiradora para jogadoras de todos os lugares, porque mostra a elas aonde o futebol pode levá-las e o que ele as ajuda a alcançar”, complementou sua nova técnica.

No Superclásico de verão, Boca vence e levanta primeiro caneco do ano

Jogadoras do Boca Juniors comemoram título com a torcida (Divulgação/BocaFútbolFemenino)

O Superclásico de verão é uma tradição no calendário do futebol argentino. No feminino, não é diferente. No último dia 31, Boca Juniors e River Plate duelaram pela última partida da Copa de Verano, certame triangular disputado na província de San Luis e que serviu de preparação para a reta final da temporada, pausada no início de dezembro. Quem levou a melhor foram as Gladiadoras do Boca, por 2 a 0, com gols foram de Clarisa Huber e Carolina Troncoso. Com a vitória, o time xeneize levantou seu primeiro caneco do ano.

O Campeonato Argentino feminino volta do hiato no próximo fim de semana, com a rodada número 12. Enquanto o River vai cruzar o Estudiantes de La Plata, o líder Boca pega o lanterna Villa San Carlos, time em que joga Mara Gómez, a primeira atleta transsexual de uma competição chancelada pela Associação do Futebol Argentino, a AFA.

Quem alcança o Barcelona, sedento para voltar a ser campeão?

Asisat Oshola, do Barcelona (Divulgação/BocaFútbolFemenino)

Com os 3 a 0 aplicados diante do Sevilla no último sábado, o Barcelona chegou ao seu 16º jogo sem saber o que é perder nesta temporada da Liga Iberdrola. São 50 pontos ganhos em 54 disputados e estatísticas de time que quer ser campeão: 16 vitórias, dois empates, 68 gols marcados e apenas seis sofridos.

Correndo atrás, vem o Atlético de Madrid, atual campeão nacional. Mas não na cola. Nove pontos separam os dois rivais. Ainda tem chão até o fim do torneio, que só termina em maio. Mas será difícil parar o Barça caso siga embalado assim.

Com a seleção chinesa em quarentena, começa a terceira fase do Pré-Olímpico da AFC

Seleção chinesa no Pré-Olímpico (Divulgação/China Women’s Football)

A bola vai rolar para a terceira fase do Pré-Olímpico da Confederação Asiática de Futebol, a AFC, para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Marcado para ser realizado na China, com Wuhan, o epicentro da epidemia do coronavírus, como sede, o torneio do Grupo B foi transferido para Sydney, na Austrália. Nessa chave, peleiam pela vaga na próxima fase as seleções da China, Austrália, Taiwan e Tailândia. No Grupo A, estão Coreia do Sul, Mianmar, Coreia do Norte e Vietnã.

Em função do surto que está deixando o mundo inteiro em alerta, as chinesas do sub-23 estão em quarentena até dia 5 de fevereiro. Por essa razão, elas não poderão estrear nesta segunda, data de início da competição, o que fez com que a AFC mexesse no calendário. Então, foi anexada mais uma rodada ao Pré-Olímpico para que a China debute mais tardiamente.