A efervescência política no Chile não abrandou a ponto de permitir a realização da decisão da Copa Libertadores. No entanto, o país já vive uma situação menos intensa, que oferece às autoridades vislumbrarem a retomada do Campeonato Chileno. Nesta semana, o governo e a ANFP (a federação de futebol local) alinharam o retorno da competição a partir do dia 15, após também conversarem com o sindicato dos jogadores. Só não contam com o apoio dos torcedores. As principais barras do país convocam um boicote.

Em diferentes regiões do país, as torcidas se manifestaram. O movimento é protagonizado pelos seguidores de Colo-Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica – as três maiores barras do país, que participaram marcadamente dos protestos em Santiago desde os primeiros dias. Segundo os grupos, a retomada do Campeonato Chileno serve como uma manobra para distrair a população e ignorar o teor das manifestações que se vivem no país.

Diferentes torcidas publicaram comunicados nas últimas horas, convocando o boicote. Dizem que “os clubes estão sendo usados como uma ferramenta política a favor dos interesses”, “não podem retornar o campeonato sem um compromisso político que satisfaça as demandas do povo”, “que o futebol é uma distração nestes momentos de crise social”, “que é uma falta de respeito à causa e a todas as vítimas”, “que há uma desconexão social em querer normalizar a crise política e social”. Torcidas de Everton e Santiago Wanderers prometem até ocupar os portões dos estádios para evitar a entrada de outras pessoas, inclusive dos jogadores.

A entidade governamental responsável pela segurança dos estádios no Chile pede um pouco mais de cautela. A ‘Estadio Seguro’ prefere aguardar um pouco mais para saber como estará a situação e avaliar se haverá mesmo uma mobilização popular contra as partidas. Eles ainda estão analisando dia após dia o que acontecerá no Campeonato Chileno, e a oposição das barras entra como mais uma das variáveis.

“É importante assinalar que este agendamento está sujeito à viabilidade das circunstâncias de segurança de cada cidade, de acordo com a informação recebida regularmente das autoridades. Conforme as necessidades operacionais e logísticas que envolvem uma partida de futebol profissional, solicitamos a todos os clubes que iniciem as gestões e os trâmites associados a isso”, escreveu a ANFP, em sua nota sobre o assunto.

O Campeonato Chileno não tem jogos desde 17 de outubro. São três finais de semana de paralisação. A competição ainda precisa realizar mais seis rodadas. No entanto, o adiamento de eventos recentes no país abre o calendário para que o torneio ainda possa ser concluído na primeira semana de dezembro, caso aproveite os meios de semana. Resta saber com qual apelo. Enquanto a Universidad Católica possui 13 pontos de vantagem na liderança, o maior interesse se concentra na luta da Universidad de Chile contra o rebaixamento. A retomada deverá contar com o clássico entre Católica x Colo-Colo no dia 17, que pode definir o campeão.