As disparidades do futebol austríaco foram colocadas à mostra na temporada 2011/12 da Bundesliga. O Red Bull, campeão com uma rodada de antecedência, terminou o campeonato seis pontos à frente do vice Rapid Viena, com 13 de vantagem sobre o Admira, terceiro colocado e incríveis 45 pontos superior ao lanterna e rebaixado Kapfenberger. Os touros vermelhos foram mesmo o grande nome do futebol do país e consolidaram-se como os maiores campeões dos últimos anos. Destaque também para o Admira, que fez brilhante campanha para quem veio da segunda divisão. Na dupla de Viena, o Rapid se recuperou dos últimos fiascos, enquanto o Austria, apenas em quarto lugar, viu a crise sendo criada e não conseguiu contorná-la. O Campeonato Austríaco chamou a atenção também para a quantidade de empates: 35% dos jogos da competição terminaram com o placar igual. Confira abaixo o que cada time fez na Bundesliga 2011/12.

RED BULL SALZBURG

Colocação final: campeão, com 68 pontos
Técnico: Ricardo Moniz
Maior vitória: 6×0 Kapfenberger (16ª rodada)
Maior derrota: 3×0 Mattersburg (14ª rodada)
Competição continental: eliminado nos 16 avos de final da Liga Europa
Principal jogador: Stefan Maierhofer
Decepção: Eddie Gustafsson
Artilheiros: Stefan Maierhofer e Jakob Jantscher (14 gols)
Nota da temporada: 9

Campeão de tudo, o Red Bull Salzburg foi o dono da bola na temporada austríaca. Pela primeira vez em sua história, o time sagrou-se campeão da Bundesliga e da Copa da Áustria na mesma temporada e de quebra ainda passou por cima do Paris Saint-Germain na Liga Europa. Os touros vermelhos foram o melhor ataque do Campeonato Austríaco, com 60 gols, quase metade deles marcados pela dupla Maierhofer e Jantscher. Méritos totais para o técnico Ricardo Moniz, que soube tirar a equipe de uma crise que parecia se montar na temporada de inverno – e à diretoria, que o manteve no cargo.

RAPID VIENA

Colocação final: vice-campeão, com 62 pontos
Técnico: Peter Schöttel
Maior vitória: 5×1 Kapfenberger (8ª rodada)
Maior derrota: 3×0 Austria Viena (5ª rodada)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Steffen Hofmann
Decepção: Lukas Grozurek
Artilheiro: Deni Alar (9 gols)
Nota da temporada: 7

O título não veio, mas o vice-campeonato merece ser comemorado pelo Rapid Viena, que voltou a ter um time de qualidade e a brigar na parte de cima da tabela. O quinto lugar em 2010/11 doeu demais na torcida, que precisava deste alento. Com Steffen Hofmann comandando o meio-campo e um ataque equilibrado, embora sem nenhum grande destaque individual, o Rapid só ficou atrás de quem realmente destoou na Bundesliga, o campeão Red Bull. E agora volta a disputar a Liga Europa, melhorando sua saúde financeira.

ADMIRA

Colocação final: 3º lugar, com 55 pontos
Técnico: Dietmar Kühbauer
Maior vitória: 4×1 Wiener Neustadt (32ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Rapid Viena (28ª rodada)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Patrik Jezek
Decepção: Benjamin Sulimani
Artilheiro: Patrik Jezek (11 gols)
Nota da temporada: 8

Tirando o campeão Red Bull, foi a grande equipe do Campeonato Austríaco. O Admira veio da segunda divisão e, numa campanha totalmente inesperada, fechou a Bundesliga em terceiro lugar e conquistou vaga na Liga Europa. Méritos para a manutenção da base da equipe que havia sido campeã da segunda divisão na temporada passada e para o comando de Dietmar Kühbauer, que soube fazer o time se recuperar depois de uma grande queda no final da temporada de inverno. O ponto fraco foi a defesa, a segunda pior da competição.

AUSTRIA VIENA

Colocação final: 4º lugar, com 54 pontos
Técnico: Karl Daxbacher (19ª rodada) e Ivica Vastic
Maior vitória: 5×0 Kapfenberger (4ª rodada)
Maior derrota: 5×1 Sturm Graz (18ª rodada)
Competição continental: eliminado na fase de grupos da Liga Europa
Principal jogador: Roland Linz
Decepção: Pascal Grünwald
Artilheiro: Roland Linz (12 gols)
Nota da temporada: 5

Entre os torcedores dos grandes times da Áustria, os que chegam ao final da temporada com a cabeça mais inchada são os do Austria Viena. Apresentando um futebol irregular do início ao fim da Bundesliga, os violetas ficaram fora das competições europeias e convivem com uma grande crise. Boa parte dela foi causada pelo técnico Ivica Vastic, que chegou no início do ano para ser o salvador da pátria, mas colocou gasolina na fogueira ao sacar o ídolo Roland Linz do time.

STURM GRAZ

Colocação final: 5º lugar, com 51 pontos
Técnico: Franco Foda (29ª rodada), Thomas Kristi
Maior vitória: 5×0 Wiener Neustadt (6ª rodada)
Maior derrota: 3×0 Kapfenberger (3ª rodada) e 3×0 Admira (34ª rodada)
Competição continental: eliminado nos playoffs da Liga dos Campeões e eliminado na fase de grupos da Liga Europa
Principal jogador: Manuel Weber
Decepção: Sandro Foda
Artilheiro: Darko Bodul (11 gols)
Nota da temporada: 4,5

Mesmo tendo sido o campeão da temporada anterior, o Sturm Graz não era um dos favoritos para o título da Bundesliga. Mas, ainda assim, a campanha ficou bem abaixo da expectativa. As crises com o técnico Franco Foda, que criou uma novela em torno de sua saída do cargo, colaboraram para o fiasco da Tempestade, que ainda sofreu com a transferência de seu principal jogador, Roman Kienast, para o Austria Viena.

RIED

Colocação final: 6º lugar, com 48 pontos
Técnico: Paul Gludovatz (25ª rodada), Gerhard Schweitzer
Maior vitória: 5×0 Wacker Innsbruck (7ª rodada)
Maior derrota: 4×1 Mattersburg (21ª rodada)
Competição continental: eliminado nos playoffs da Liga Europa
Principal jogador: Thomas Reifeltshammer
Decepção: Guillem Martí Misut
Artilheiro: Anel Hadzic (7 gols)
Nota da temporada: 5

A temporada não foi totalmente ruim para o Ried, que acabou chegando ao vice-campeonato da Copa da Áustria. Mas poderia ter sido bem melhor. Não bastasse ter um elenco muito enxuto, o time ainda sofreu com perdas consideráveis, como as do zagueiro Oliver Glasner (que teve de encerrar a carreira após uma concussão) e do atacante Florian Mader (que se transferiu para o Austria Viena). Os vikings apresentaram uma boa defesa, a terceira melhor da Bundesliga. Mas, por outro lado, o ataque não funcionou e foi o quarto pior.

WACKER INNSBRUCK

Colocação final: 7º lugar, com 45 pontos
Técnico: Walter Kogler
Maior vitória: 3×1 Kapfenberger (10ª rodada)
Maior derrota: 5×0 Ried (7ª rodada)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Christopher Wernitznig
Decepção: Marcel Schreter
Artilheiro: Christopher Wernitznig (8 gols)
Nota da temporada: 5

 

Tudo bem que o Wacker Innsbruck cumpriu seu objetivo, que estava claro desde o início do campeonato: não ser rebaixado. E, por isso, nenhum torcedor pode reclamar. Mas quem acompanhou a equipe ao longo da temporada viu um futebol que esteve longe de empolgar, jogado por um time que, literalmente, apenas cumpriu tabela. O ataque pouco produtivo, com média exata de um gol por jogo, foi o terceiro pior da Bundesliga. Ocupar posições na parte de cima da tabela de classificação, então, foi algo que só aconteceu nas duas rodadas iniciais, quando o campeonato ainda estava todo embolado.

MATTERSBURG

Colocação final: 8º lugar, com 38 pontos
Técnico: Franz Lederer
Maior vitória: 6×3 Wacker Innsbruck (33ª rodada)
Maior derrota: 4×2 Austria Viena (8ª rodada)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Patrick Bürger
Decepção: Wilfried Domoraud
Artilheiro: Patrick Bürger (12 gols)
Nota da temporada: 4,5

O Mattersburg termina a temporada com uma dívida de gratidão com o atacante Patrick Bürger. Autor de 19% dos gols do time na Bundesliga, ele foi o terceiro maior artilheiro do campeonato e ajudou muito a fazer com que os verde-brancos não fossem rebaixados. E não cair para a segunda divisão era mesmo o principal objetivo do clube, que manteve a base da temporada anterior. Se é verdade que não correu risco, também é fato que o Mattersburg só esteve do oitavo lugar para baixo ao longo do campeonato.

WIENER NEUSTADT

Colocação final: 9º lugar, com 33 pontos
Técnico: Peter Stöger
Maior vitória: 3×1 Sturm Graz (15ª rodada)
Maior derrota: 5×0 Sturm Graz (6ª rodada)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Thomas Helly
Decepção: Matthias Lindner
Artilheiros: Günter Friesenbichler e Thomas Helly (4 gols)
Nota da temporada: 4

A campanha do Wiener Neustadt foi digna de rebaixamento. Só seis vitórias em 36 partidas, com apenas 26 gols marcados. A sorte do time é que havia alguém ainda pior, o Kapfenberger, que marcou dez pontos a menos e foi o rebaixado. Mas o torcedor do Neustadt, que viu a equipe na parte de baixo da tabela em 33 das 36 rodadas, tem motivos para se preocupar. A queda na colocação final nas últimas três temporadas é acentuada: 5º em 2009/10, 7º em 2010/11 e 9º em 2011/12.

KAPFENBERGER

Colocação final: Último colocado, com 23 pontos – rebaixado
Técnico: Werner Gregoritsch (15ª rodada), Manfred Unger (16ª rodada), Thomas von Heesen
Maior vitória: 3×0 Sturm Graz (3ª rodada)
Maior derrota: 6×0 Red Bull (16ª rodada)
Competição continental: não disputou
Principal jogador: Dieter Elsneg
Decepção: Michael Gregoritsch
Artilheiro: Dieter Elsneg (5 gols)
Nota da temporada: 2

Se tivesse feito os 40 pontos projetados pelo técnico Werner Gregoritsch no início da temporada, o Kapfenberger não somente teria escapado do rebaixamento, como terminaria o campeonato num honroso oitavo lugar. Mas o time esteve longe disso e, numa campanha pífia, não deu esperanças aos torcedores em momento algum ao longo da temporada. Foram cinco vitórias em 36 jogos e incríveis 64 gols sofridos, média de 1,77 por partida. Rebaixamento mais que merecido para quem assumiu a lanterna na décima rodada e não a largou mais.