A Áustria não vai à Copa do Mundo por sua própria culpa, ao não conseguir se impor em um grupo equilibrado nas Eliminatórias. No entanto, vem demonstrando que tinha potencial para mais. O técnico Franco Foda deu uma nova cara ao time, cheio de boas opções, principalmente do meio para frente. O primeiro sinal positivo disso veio no meio da semana, quando os austríacos venceram a Rússia por 1 a 0. E, atuando com uma intensidade inesperada para um amistoso, neste sábado desbancaram a Alemanha, em duelo disputado no Estádio Wörthersee, em Klagenfurt. Foi uma senhora partida dos anfitriões, garantindo a virada por 2 a 1, sua primeira vitória sobre os vizinhos desde 1986.

O retorno de Manuel Neuer, após nove meses inativo, acabou ofuscado pelo resultado, apesar das boas intervenções do goleiro – que até retardou a comemoração da Áustria. Também vale ressaltar que Joachim Löw realizou testes em sua escalação e poupou titulares. Ainda assim, foi uma atuação fraca dos tetracampeões, que acumulam cinco partidas sem vitórias, todas em amistosos – com empates anteriores contra Inglaterra, França e Espanha, além da derrota para o Brasil em março.

A chuva não deu trégua

O Áustria x Alemanha em Klagenfurt estava previsto para as 13h – horário de Brasília. A chuva intensa que caía sobre o estádio, com direito a granizo, castigou o gramado e fez com que o bom senso preponderasse, com o adiamento do pontapé inicial. De tempos em tempos, técnicos e árbitros retornavam ao campo. De tempos em tempos, optavam por adiar o início do duelo. No fim das contas, o apito inicial soou apenas às 14h40.

Neuer, a novidade no mistão

Joachim Löw não entrou com aquele que deve ser o seu time titular na Copa do Mundo. A escalação inicial, entretanto, trouxe uma grande novidade: a aguardada volta de Manuel Neuer, que não entrava em campo desde setembro, embora tenha participado de um jogo-treino recentemente. Além de vestir a camisa 1, o goleiro também usou a braçadeira de capitão. No 4-2-3-1 alemão, a zaga veio composta por Kimmich, Süle, Rüdiger e Hector. Khedira e Gündogan formavam a dupla de volantes. Brandt e Sané davam velocidade nas pontas, enquanto Özil centralizava na armação. Já no ataque, uma chance a Nils Petersen, que desbancou Sandro Wagner e briga com Mario Gómez pela convocação.

Um gol precoce e a tranquilidade

A Alemanha começou melhor a partida e precisou de apenas 12 minutos para abrir o placar. Contou com um erro crasso do goleiro Jörg Siebenhandl, que deu um presentaço a Mesut Özil. Então, o camisa 10 executou um chute na gaveta, com categoria, para colocar o Nationalelf na dianteira. Na sequência, os germânicos continuaram criando as melhores chances. Caindo pelo lado direito, Julian Brandt surgia como destaque individual, entre sua velocidade e suas aparições para concluir. Deu trabalho a Siebenhandl, que se redimiu com uma boa intervenção.

Neuer salva

Na metade final do primeiro tempo, a Áustria começou a sair mais para o jogo. Conseguia se impor no campo de ataque e criar oportunidades, aproveitando as boas opções de seu setor ofensivo. Foi quando Neuer realmente começou a ser testado. Primeiro, uma defesa segura em chute de Peter Zulj à meia altura. Já na sequência, uma intervenção brilhante. Florian Grillitsch bateu rasteiro, rente à trave, e o camisa 10 buscou a bola no contrapé, espalmando para o lado. Uma mostra importante de que está recuperando o ritmo, quando se isso se torna um entrave, até pelo nível de Marc-André ter Stegen nos últimos tempos. Além do mais, quando os austríacos tentaram pressionar, a linha defensiva alemã correspondeu bem.

Austríacos seguem sufocando

Para o segundo tempo, Löw trouxe Sebastian Rudy no lugar de Khedira. No entanto, o jogo seguiu na mesma toada, com a Áustria melhor. Os anfitriões adiantavam a marcação e pressionavam demais a saída de bola dos alemães. David Alaba, atuando como meia, era um incômodo constante. E o empate se tornou natural. Alaba cobrou escanteio fechado e, na segunda trave, Martin Hinteregger apareceu sozinho. Mesmo com pouco ângulo, acertou uma bomba de primeira. Neuer mal teve tempo de reagir. Golaço.

Neuer era preponderante…

Se a Áustria apertava a marcação, a Alemanha precisou espetar várias bolas a Neuer, que se mostrava atento. Além disso, o camisa 1 evitou a virada. Na melhor oportunidade dos anfitriões, Alaba deu uma enfiada de bola açucarada para Marko Arnautovic e o centroavante saiu de frente para o crime, mas o goleiro fechou o seu ângulo, fazendo a defesa fundamental. Além disso, Kimmich também interceptaria cruzamentos perigosos dentro da área. A defesa não passava mais segurança e a saída de bola era prejudicada. Logo Gündogan saiu para a entrada de Leon Goretzka.

…mas a Áustria virou

Löw até tentou aumentar o ímpeto da Alemanha. Colocou Marco Reus e Timo Werner no ataque, com as saídas de Brandt e Sané. O problema é que logo a Áustria virou. O segundo gol aconteceu aos 24 minutos. Após cruzamento da esquerda, o ótimo Stefan Lainer se esforçou para que a bola não saísse pela linha de fundo e ajeitou a Alessandro Schöpf. Livre, o meia do Schalke 04 bateu rasteiro e venceu Neuer. Impressionava a liberdade como os austríacos trabalhavam as jogadas, trocando passes com muita inteligência. Franco Foda, que assumiu o time em janeiro, parece já aplicar um padrão. A superioridade é evidente em relação ao que se viu nas Eliminatórias, na qual os austríacos ficaram abaixo de Sérvia, Irlanda e Gales.

A Alemanha tenta, mas pouco faz

As últimas apostas de Joachim Löw vieram com Julian Draxler e Mario Gómez, entrando a 15 minutos do fim. O Nationalelf até passou a atacar um pouco mais, confiando nas bolas alçadas na área, mas pouco conseguiu ameaçar, com a defesa da Áustria se segurando bem. Aleksandar Dragovic era um gigante no miolo de zaga dos anfitriões. Enquanto isso, os austríacos assustavam nos contra-ataques. Rudy evitou o terceiro com um corte providencial. Ao final, muita festa do time da casa, com a merecida vitória por 2 a 1.

A última vitória da Áustria

A Áustria venceu apenas oito dos 35 jogos que disputou contra a Alemanha, em duelo que acontece desde 1908. As cinco primeiras vitórias ocorreram num momento em que os austríacos eram realmente mais relevantes no futebol, durante o início do século passado. Já depois da Segunda Guerra Mundial, a Áustria havia triunfado em apenas duas oportunidades até este sábado. Em 1978, Hans Krankl brilhou nos 3 a 2 válidos pela Copa do Mundo, em encontro que ficou conhecido como ‘O Milagre de Córdoba’. Já em 1986, Toni Polster castigou os alemães em amistoso, com goleada por 4 a 1. Desde então, nos últimos 32 anos, eram nove vitórias da Alemanha e dois empates.

Próximos compromissos

É bom o Brasil ficar de olho, já que enfrenta a Áustria no próximo final de semana, em seu último amistoso antes da Copa. Já a Alemanha tem a chance de se redimir contra a Arábia Saudita, em Leverkusen.