Jean-Michel Aulas é possivelmente o dirigente mais importante do futebol francês nas últimas décadas, bem como um dos mais influentes da Europa. Apesar de certas atitudes intempestivas, não se nega o sucesso do empresário que assumiu o controle do Lyon em 1987, quando o clube estava na segunda divisão e afundado em dívidas. Sob as ordens de Aulas, os Gones emendaram a maior sequência de títulos da história da Ligue 1 e fizeram seu nome na Europa. Além do mais, também constituíram a equipe feminina mais poderosa do planeta. O investimento é racional, sem grandes loucuras financeiras, garantindo uma base sustentável à agremiação.

Aos 71 anos, Aulas não parece muito disposto a abandonar o trabalho, especialmente ao adquirir também o Reign FC na NWSL – a liga americana de futebol feminino. Anteriormente, declarou sua intenção de seguir na ativa até os 75 anos. Todavia, o francês já mira o sucessor para continuar os seus negócios. E o nome pensado por Aulas surpreende um bocado, especialmente ao pensarmos no futebol: segundo o dirigente, Tony Parker poderia se tornar o presidente do Lyon num futuro próximo.

Lenda do San Antonio Spurs e campeão europeu com a seleção francesa, o armador se aposentou em 2019. Ainda assim, Parker atua como dirigente no basquete francês há mais tempo. Em 2009, o astro adquiriu 20% das ações da Asvel, equipe da bola laranja sediada em Lyon. O clube já era o maior campeão nacional quando Parker chegou, mas as glórias voltaram a se tornar mais frequentes nas duas últimas décadas. Em 2014, o armador aumentou sua participação e, como acionista majoritário, virou presidente da Asvel. Já a parceria com o Lyon começou em 2019, quando o clube adquiriu 25% das ações do time de basquete e reforçou o planejamento para a construção de uma nova arena. O objetivo é fixar a Asvel na Euroliga.

Em conversa com o L’Equipe, Aulas evidenciou sua admiração por Parker: “É verdade que Tony tem o perfil para dirigir uma operação esportiva profissional e global. Também existem os aspectos econômicos e midiáticos que o acompanham. Sinto nele as características necessárias para presidir o Lyon. Além das qualidades profissionais e humanas, tenho muita afeição por ele e por aquilo que representa. Não digo isso porque tenho a ideia de renunciar, nem falei sobre o assunto com Tony. Nenhuma decisão foi tomada por qualquer lado ou pelo conselho do clube”.

Embora o Lyon se mantenha como um clube competitivo na Ligue 1, com participações frequentes na Champions League, a Asvel é o time de maior sucesso na cidade atualmente. Pela segunda vez em sua história, a primeira em 62 anos, a equipe de basquete conquistou o Campeonato Francês e a Copa da França na mesma temporada. Além disso, alcançou as quartas de final da EuroCup, segunda competição mais importante da modalidade no continente. Paralelamente, o time feminino de basquete faturou o título inédito na liga francesa.

Tony Parker, por sua vez, não esconde certa empolgação diante da possibilidade de assumir o Lyon: “Por que não aceitaria ser presidente? Nunca discutimos isso. Entretanto, se for verdade, se Aulas me vê desta forma e me pede para assumir o cargo, acho que é uma posição que não pode ser recusada. É uma honra ser cogitado para algo assim. Tenho muito a aprender com Jean-Michel. Veremos em quatro ou cinco anos”.

Antes de iniciar sua trajetória nas quadras, Tony Parker pensava em se tornar jogador de futebol. Filho de pai americano e mãe holandesa, o armador nasceu na Bélgica, mas cresceu na França, enquanto seu pai atuava nas ligas de basquete locais. Apesar da influência familiar, o garoto se entusiasmava mais com o futebol e, com habilidade e velocidade, exibia qualidade para anotar gols. Todavia, uma viagem a Chicago para visitar os avós permitiu que Tony Parker acompanhasse mais de perto o auge dos Bulls com Michael Jordan e fez o rapaz mudar de ideia. O futebol virou um passatempo e, desde janeiro de 2020, também um negócio, com o veterano adquirindo 3% das ações do Reign FC. Se os planos de Aulas vingarem, poderá ser algo além.